segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Desafio "Um livro por mês" (6), A metamorfose de Kafka

  Ola! Tem sido tão complicado escrever no blogue, mas é por boas causas, tenho andado tão ocupada, com musicas, aulas de viola, teatros, preparação do Natal, um sem fim de coisas mas finalmente esta noite eu fui "obrigada" a parar e escrever mais um artigo para o Jornal da Banda.

Aqui fica mais Um livro por mês! Desta vez sobre A Metamorfose de Franz Kafka.




Autor: Franz Kafka
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 80
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722316521
Colecção: Obras Literárias Escolhidas

Sinopse: Kafka é uma das figuras que dominam ainda hoje os caminhos da literatura contemporânea. Os seus tempos, a solidão, o confronto com forças cujo controlo escapa aos personagens, situações labirínticas geradoras de obsessão ou culpa, são emblemáticos e particularmente significativos neste fim de século. «A Metamorfose», um dos seus livros mais poderosamente capazes de exprimir a angústia e o estranhamento, tem suscitado múltiplas leituras sem jamais esgotar a sua legibilidade.


  A Metamorfose, é um dos livros mais conhecidos e estudados de Franz Kafka. É também um dos maiores clássicos da literatura a nível Mundial. 
  É realmente uma pequena, grande obra, que se lê num dia. 
  O desespero do homem perante o absurdo do mundo é bem evidente não só nesta obra, mas como em todos os escritos de Kafka.

  Franz Kafka nasceu a 3 de Julho de 1883 em Praga, então pertencente ao império austro-húngaro, e morreu, de tuberculose, a 3 de Junho de 1924, a um mês de fazer 41 anos, perto de Viena.
  A sua vida foi muito marcada pela presença dominadora do pai, grande comerciante judeu, que apenas se preocupava com o seu sucesso pessoal e social, logo não via com bons olhos a actividade do filho, escritor.
  Esta relação pouco afectuosa com o pai, ao qual não se conseguia impor passa também para a sua escrita, onde a figura paterna é muito associada á opressão e humilhação, como nesta Metamorfose.
  Este conto é uma grande metáfora á condição humana. Mostra-nos como o ser humano pode viver completamente alienado da realidade, como a economia pode afectar a vida de uma família e como esta se torna tão hipócrita perante as dificuldades.

  Kafka conta-nos a história de Gregor Samsa, que um dia acorda sentindo-se muito estranho, nota que o seu corpo não está normal, mas só passado algum tempo percebe que está transformado num insecto. Gregor era quem sustentava a família e logo no início percebemos a pressão que essa responsabilidade trazia a sua vida. 
  Gregor, não acordou para o trabalho e nem sequer se conseguia levantar. A família começa a desconfiar que esteja doente, mas sempre chamando á sua responsabilidade, pois o chefe estava a espera que ele aparecesse ao trabalho. 
  Acabam por arrombar a porta do quanto e deparam-se com um insecto, que o pai tenta matar ao inicio, mas logo se apercebem que se trata de Gregor.
  A família tenta adaptar-se a nova realidade e arranjar formas de sustentar a casa, ao mesmo tempo que lidam com o problema maior, Gregor, inútil e asqueroso. O comportamento da família é surpreendente e leva a um desfecho que nem toda a gente pode estar a espera.

  Este livro é bastante filosófico, dei por mim muita vez a parar a leitura e pensar no que ia na cabeça de Gregor e em tudo o que se estava a passar.
  A metamorfose afecta Gregor e todos a sua volta. O desespero, o absurdo, levam a uma análise ao comportamento humano. 
  Como é que um livro tão pequeno, com uma história e linguagem tão simples, pode conter uma mensagem tão forte, tão real, contemporânea? Foi quando acabei de ler que entendi o porquê desta ser uma das grandes obras literárias mundiais. 

  Este é um livro que recomendo a toda e gente, mesmo os mais novos, pois embora não entendam bem o significado da história ela é cativante, um dia mais tarde vão lembrar-se e com mais maturidade perceber a grandeza desta obra.
  Fiquei com muita vontade de ler mais obras de Kafka, talvez volte em breve a falar de outra obra sua.

  “Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu-se transformado num gigantesco insecto."

  “Quem é que, nesta família exausta e assoberbada de trabalho, ainda ia ter tempo para cuidar de Gregor para além do estritamente necessário?”

Fiquem bem e boas leitura, espero voltar a escrever em breve! bjinhos :)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

É só organizar-me e volto a escrever no blogue...!! Lá para fevereiro!!! :)

  Olá!!
  Mais um blogue abandonado... 
  Eu já sinto saudade de escrever, até porque também me ajuda a organizar os pensamentos, criar metas e é algo que me dá muito prazer, tirar uns minutos para desabafar sobre... coisas.

  Nem sempre há tempo ou inspiração para tal, neste momento tenho tanto para fazer que tenho adiado. Mas, eu quero muito voltar e espero organizar-me para conseguir falar do que tenho feito ou vou fazer.
  Nem sei por onde começar porque estou assim....

  A primeira vista podem pensar que é o trabalho que me ocupa assim, mas não! O que me dá trabalho e muito gozo é o que faço depois, sem contar com a casa e o meu filho.

  Moro numa aldeia pequena onde toda gente se queixa que não se passa nada... sim concordo com a parte da "aldeia deserta e silenciosa", mas o resto não é verdade. Basta querer e fazer.

   Neste momento tenho alguns projectos em mão e ao longo dos próximos dias vou falar mais detalhes sobre eles. Também quero falar dos livros que li em Outubro (e dos que vou lendo, espero ter tempo para isso :) ) e dos livros que comprei. Mais banda desenhada. Vão ficar a saber como a Padeira de Aljubarrota se tornou a heroína do Diogo!

  Mas o que tenho mais vontade de contar é o projecto que comecei no mês passado, um sonho que se está a tornar real, já é real!! 
  Juntamente com um amigo do Grupo de Jovens e com o apoio do grupo iniciamos as tão esperadas aulas de guitarra. Fundámos o grupo (a)corda, com 20 alunos. Temos 18 para guitarra clássica e 2 para cavaquinho. Não esperávamos tantas inscrições, mas estamos motivados e vamos por esta gente toda a tocar!!
  Muitas outras novidades sobre o meu trabalho no grupo, vão surgir, por enquanto é segredo... Quando há vontade de fazer, procuramos ter trabalho, eu já não imagino a minha vida no sofá a ver tv e ler.  
  
  A vida tem muito mais sabor assim, com trabalho e confusão, com ideias e objectivos para cumprir, pelo meio vou lendo para me tornar mais sabia ou apenas para sair a mente de tantas ideias e viajar com as histórias. Nada é tempo perdido. 

  Espero voltar em breve. Boa semana para todos! 
  

sábado, 5 de outubro de 2013

O mundo perdido de Arthur Conan Doyle

  Do mesmo autor de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle, apresento-vos hoje...

 O Mundo perdido, um livro de ficção cientifica que relata uma expedição a um local da Amazonia, habitado por animais pré históricos.


  Esta é uma publicação Europa-América que reúne vários clássicos do sec.XX. 
  O original foi publicado em 1912. Inspirou vários filmes e também uma série de TV, produzida na Grã-Bertanha com o mesmo nome, "The Last World".

"Sinopse":
 O Mundo Perdido, é o relato de uma expedição cientifica, integrando quatro intrépidos ingleses, a um longínquo planalto na selva sul-americana. Nesta região fora do tempo, que está isolada do exterior por penhascos verticais impossíveis de escalar e cercada por pântanos fétidos, deparam com medonhos sobreviventes da alvorada da história. São perseguidos por bandos de pterodáctilos, uma gigantesca lagartixa-peixe, titânicos repteis e bandos errantes de homens-chimpanzé pré-humanos. Ali presos, tendo apenas espingardas como protecção, os quatro têm de utilizar a astúcia e o seu intelecto superior para escaparem a este pesadelo primitivo.


  Esta aventura é protagonizada pelo professor Challenger, cuja reputação e credibilidade está manchada por em tempos ter afirmado a existência deste local sendo tomado como louco. Com ele vão mais três aventureiros Edward Malone, um jornalista apaixonado decidido a mostrar a sua amada que é corajoso e merecedor da sua atenção, o Professor Summerlee, com a missão de averiguar os factos e Lorde John Roxton, um viajante e aventureiro rico, sem problemas em atirar uma bala quando é preciso. Juntos vão investigar a veracidade dos relatos de Challenger. 

 Ainda não acabei de ler, mas apeteceu-me já falar dele. Não me parece que vá ter muito mais a acrescentar. É o primeiro de livro de ficção cientifica que leio e já estive para desistir por causa de algumas descrições extensas e maçadoras, na minha opinião. Mas uma vez que é o primeiro livro que leio de Conan Doyle, e sendo ele o criador de Sherlock Holmes... decidi dar uma oportunidade e apesar de não estar a ler com o entusiasmo de outras vezes até estou a gostar.

  Quem já leu?

  Fiquem bem e boas leituras ;)





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A rapariga que roubava livros de Markus Zusak, "um livro por mês" (5)

Que livro sensacional!!!



Autor: Markus Zusak

Edição/reimpressão: 2012

Páginas: 463

Editor: Editorial Presença

ISBN: 9789722339070
Coleção: Grandes Narrativas

Sinopse:Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem um dia-a-dia penoso, sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar.A Morte, narradora omnipresente e omnisciente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista de olhos de prata, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, cujo herói era o atleta negro Jesse Owen, e de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann e que escreveu e ilustrou livros, para oferecer á rapariga que roubava livros, sobre páginas de Mein Kampf recuperadas com tinta branca, ou ainda da mulher que convidou Liesel a frequentar a sua biblioteca, enquanto os nazis queimavam livros proibidos em grandes fogueiras.Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

  Sem duvida um dos melhores livros que já li!
  Foi um caso de amor a primeira vista. Eu apaixonei-me por esta capa, talvez o meu lado negro e romântico ao mesmo tempo, eu achei linda, estranha e curiosa, a morte a dançar com uma menina... que roubava livros.
  Decidi que tinha de ter aquele livro e quando o comprei  confesso que estava apenas curiosa.
  Humm, a morte a contar uma história...
  Eu não tinha lido muito a cerca dele e quando comecei a ler foi uma grande surpresa.

  A morte no seu jeito mais simpático e romântico conta-nos a história de Liesel.
 A história passa-se durante o regime nazi, numa Alemanha dividida entre o orgulho e o medo, que se orgulha do seu líder mas que vive as consequências de um regime como aquele e de uma guerra.
  Liesel vai morar com uma família adoptiva, os Huberman, o seu irmão também a ia acompanhar mas adoece e morre durante a viagem. Não bastasse esse trauma, ela ainda se depara com uma "mãe", Rosa, com um feitio, digamos, muito particular. Felizmente o "pai",Hans, é o oposto, muito meigo e paciente, que se vai tornar muito importante na sua vida. Ele vai ensina-la a ler e vai ser fundamental em toda a história. Hans toca acordeão e até o próprio instrumento tem a sua história. O casal tem dois filhos mas já não moram com eles.
  Lisel demora algum tempo a adaptar-se, mas acaba por se habitar aos novos pais e fazer alguns amigos. Um deles é Rudy Steiner, a amizade deles é tão cúmplice e verdadeira, apenas posso dizer que toda gente gostava de ter um Rudy Steiner na sua vida. Estes dois meninos são "cleptomaníacos" e vão proporcionar-nos muitos sorrisos durante as suas peripécias e também dar uma lição... Nunca deixem gestos ou palavras por dizer.
  No desenrolar da história vai aparecer um judeu lá em casa, que eles abrigam e cuidam, com todos os perigos que isso representa. Mais uma personagem muito importante que vais criar um laço muito forte com Liesel....

 ...
  Acreditam que ainda penso no judeu??
 O forte deste livro são mesmo as personagem, com grande personalidade que nos marcam, nos fazem viver as suas emoções, sentir na pele deles, rir e chorar com eles.. muito bom mesmo.
  E o narrador, a morte, cansada de recolher almas, simpática, sábia com bom sentimentos , se é possível dizer assim.
 Até sinto receio de escrever porque não quero desvendar muito, mas também tenho medo de deixar algo importante por dizer. :)

  Mas voltando há história, Liesel vai vivendo o seu dia-a-dia, ajudando a mãe e acaba por ter acesso a uma biblioteca pessoal... perfeito para uma rapariga que roubava livros.

  Os livros, as palavras, as emoções...
  Que importância têm na vida de Liesel?
  E na nossa??

 Este é um livro que vão devorar do inicio ao fim... a escrita de Markus Zusak é muito boa. Com frases curtas, sem descrições demoradas, e de uma forma poética que nos agarra. A morte ao longo de seu relato, vai parando, ora para nos aguçar a curiosidade com factos que vão acontecer mais a frente, ou para reforçar ideias, resumir factos como ideias a fixar. Eu achei uma ideia genial.

 Este é um livro inserido no plano nacional de leitura, mas acho que é indicado para qualquer idade, gostei muito de lê-lo e não estou nada arrependida de o ter comprado! Não empresto, não dou nem vendo a ninguém, quero que seja só meu :)

 E vocês já leram? Gostaram?

 Fiquem bem e boas leituras! beijinhos


domingo, 29 de setembro de 2013

Dormir é para os fracos e porquê Guerra dos Sonos

  Quem se identifica? Já dizia a outra, " Dormir é para os fracos" , mas que faz muita falta, faz!!

  Definitivamente eu tenho um problema grave com o sono!!

  Um dos maiores prazeres que tenho é dormir, sem duvida... 
  E se for uma sesta a tarde?
  E num dia chuvoso com este?   
  Tão bom!! Hoje já desfrutei desse belo prazer que os espanhóis tanto estimam :)

  Confesso que acordei a pensar porque de noite não tenho esta vontade de dormir, aliás por vezes tenho mas não quero, há sempre algo melhor para fazer.. É mesmo uma guerra todas as noites, dai o nome do blogue "A GUERRA DOS SONOS", trocadilho que costumava fazer com um amigo que também dormia pouco para ver a série A Guerra dos Tronos.

  Deitar tarde é um hábito que já vem do tempo de escola e depois de ter computador em casa então a vontade de deitar ainda diminuiu mais. Apesar da minha vida agora ser completamente diferente, com o trabalho e o filho, nada mudou.. aliás piorou!! Por norma só a partir das 22:00 é que começa o tempo só para mim entre livros ( comecei a ler diariamente só a cerca de um ano), séries, facebook ( essencial para manter contactos e saber novidades :o) ) e pesquisas na net ( estudos pessoais como lhe chamo, neste momento ando a tentar aprender ingulês) quando dou conta já é muito tarde e acabo sempre por me deitar por volta da 02:00.
  Bom, isto não é exemplo para ninguém, mas acredito que é o que a maioria faz!! Digo eu... 


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Uma esperança- Clarice Lispector



Hoje estou em modo Clarice Lispector. Eu não consigo defini-la, apenas sei que para a entender tenho de me tornar ela, ou deixar que ela tome parte de mim e enquanto leio, falo por ela e ela por mim. Ela merece que fale dela, mas quando começo sinto sempre que não estou preparada... Não quero deixa-la mal.

  Fica aqui um pouco de Clarice!! 


Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.

Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
- Ela é burrinha, comentou o menino.
- Sei disso, respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Desafio "Um livro por mês" (4), O segredo de Compostela

Finalmente acabei de ler este livro!!

   Demorei muito tempo mas foi mesmo por falta de tempo. O livro não é chato, ( vá talvez as cartas de Egéria a Prisciliano sejam um pouquinho!), gostei muito de ler. Tive algum problema em decorar personagens e locais porque são muitos e com nomes muito estranhos e parecidos. O livro contém uma lista de toponimos romanos, para locais e rios e um mapa do império romano... só falta a lista de personagens isso ia ajudar-me muito. Volta e meia voltava para trás para saber onde apareciam e quem eram, talvez ande desconcentrada... para a próxima já sei, auxiliares de memória, apontamentos... eu não posso é perder-me assim.  

   Este foi o escolhido para falar no Jornal da Banda, espero que gostem!!

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   Toda gente conhece os caminhos de Santiago, Santiago de Compostela, local de culto que leva milhares de peregrinos todos os meses. Local onde supostamente está o túmulo de Santiago Maior (São Tiago ou Tiago Zebedeu), um dos apóstolos de Jesus Cristo. 
     Supostamente...?
   Reza a lenda que o corpo de Santiago, que viveu e morreu em Jerusalém, foi transladado para Aseconia (agora Compostela), por vontade de Deus. O seu corpo foi transportado até as praias galegas numa barca de pedra guiada por anjos. O seu suposto túmulo foi descoberto oito séculos depois da sua morte.


   E se o tumulo não pertence a São Tiago? E se esta é uma história para encobrir uma das muitas histórias que envergonham a igreja católica? E se o túmulo pertence a um bispo, aclamado santo pelo povo e odiado por alguns homem da igreja, que detendo o poder, o silenciaram com a sua morte?
  Este mês trago-vos a história de Prisciliano, com “O Segredo de Compostela” de Alberto S. Santos.

Sinopse:

  O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?
Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?



   Prisciliano, personagem histórica do sec.IV. Terá nascido pagão, numa rica família da aristocracia romana, mas sentiu um apelo pelas inquietações místico-filosóficas do tempo, que o levaram a converter-se à mensagem cristã e ao ascetismo. Líder carismático convocava a vivência do cristianismo primitivo, despojado de luxos apenas em comunhão com Deus a maneira de Cristo. Muito a frente do seu tempo, defendia a igualdade entre homens e mulheres, ensinando a estas as sagradas escrituras e incentivando-as também a transmitir a mensagem. Defendia também a abolição da escravatura sugerindo que os homens eram todos iguais, tendo assim os mesmos direitos. 
  Como era de esperar, tal não agradou aos grandes senhores da igreja, que na altura viviam dos luxos que o cargo lhes permitia.
   Não estava sozinho na sua causa, tinha os seus amigos que o acompanhavam, o povo que o seguia e admirava e a sua amada Egéria, amiga de infância, com quem vai viver um romance arrebatador, muito especial como o verdadeiro amor deve ser vivido.


   Este livro foi escrito por Alberto S. Santos, nascido a 6 de março de 1967. Natural de Paço de Sousa, Penafiel, onde reside. O Segredo de Compostela é o seu terceiro romance, seguindo-se aos bestsellers A Escrava de Córdova (2008) e A Profecia de Istambul (2010). É advogado e político, e há mais de dez anos Presidente da Câmara Municipal de Penafiel. É escritor deste 2008.

  Eu tinha tanto a dizer sobre este livro e esta personagem que adorei conhecer. Gosto muito de romances históricos, levam-me a pesquisar sobre as personagens, a verdade dos factos, a estudar a época. Neste caso a história leva-nos até ao séc.IV, com todas as mudanças da sociedade romana em final de civilização e a cristianização do Império.
  Ao contrário do que pode parecer, e fui surpreendida com isso, este não é polémico, acho que relata apenas a verdade sobre a igreja daquele tempo, depois do cristianismo se ter tornado religião oficial do império e terem deixado de ser perseguidos. Estes tornaram-se perseguidores, condenando pagãos, proibindo seus cultos e obrigando o povo a viver a religião com as regras que ditavam. Prisciliano incomodava por ter ideias contraria a estas, foi silenciado e condenado a morte, por outros bispos, facto que envergonha a igreja e tentou fazer esquecer. É a sua biografia.
  Aconselho toda a gente a ler e acredito que o leitor sendo cristão não se vai sentir incomodado, acredito antes que Prisciliano o vai inspirar na sua fé. O resto são histórias como toda gente sabe…

“(…) Queremos viver a fé como os primeiros cristãos, pela via carismática e kerigmática. A nossa ideia não é fundar comunidades ou grupos submetidos a regras ou hierarquias. Antes, e apenas, aproximarmo-nos do Deus dos primeiros cristãos que O seguiam, quando foi homem e imbuídos da sua fé…”


Até a próxima e boas leituras!!! 






quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Férias, geocaching e regresso aos livros

  Olá! Depois de alguns dias de abandono do blogue estou de volta.

  As ultimas semanas foram muito agitadas, com a festa da aldeia e uma fuga até a praia, não tive tempo para estar no computador, nem ler. Foi tempo de aproveitar os últimos dias de verão.

  Não li quase nada nas ultimas semanas. Estou a ler aos poucos O segredo de Compostela  e li no telemóvel Noites brancas de Fiódor Dostoiévski. (assim que possa falo dele). Li este livro na aplicação wattpad. Não é das melhores, mas já vai dando para entreter nas horas vagas. É certo que ler no telemóvel é cansativo mas nas listas de espera ou enquanto espero sozinha por alguém dá sempre jeito. Foi nesta aplicação que descobri o "A culpa é das estrelas" de John Green, que acabei por comprar depois em livro. Normalmente os e-books estão em português do Brasil. E como qualquer pessoa pode fazer upload de um livro não é 100% fiável, mas a falta de melhor eu não me importo de usá-la, quando gosto mesmo muito de um livro acabo por comprar. 

   Mas hoje quero falar das minhas férias e como 4 dias na Figueira da Foz foram tão bons. A ideia de sair surgiu do nada, numa brincadeira, em conversa com os meus irmãos alguém disse "vamos até a praia"... a brincadeira tornou-se séria e como conhecia uma casa na figueira e não ficava muito longe em meia dúzia de dias tratamos de tudo para ir. 

  A ideia era mesmo descansar e apanhar muito sol, uma das primeiras "regras" que tentei impor era não fazer Geocachig, para aproveitar a praia e não nos preocuparmos só com isso. Mas é completamente impossível :). Geocaching é um vicio e não dá para ir a lugar algum sem levar o gps e procurar "tesouros". 

   Se há por aí alguém que também faça, manifeste-se :)!!!

  A uns tempos até chegamos a criar um blog para falar das nossas aventuras e partilhar fotos, mas o entusiasmo durou pouco, talvez a preguiça de escrever... paramos no festejo da cache nº50. Neste momento temos 215. A nossa 200ª cache foi feita a caminho da Figueira, sinto-me muito feliz por ter logo sido uma dedicada a Inês de Castro e ainda por cima é muito original, o meu filho adorou encontra-la.

  Nos 4 dias fizemos quase 20 caches, podiam ter sido mais, mas não quisemos ocupar o tempo todo com isso. Decidimos apenas procurar as que estavam nos locais onde passávamos e não demorar muito tempo na busca. Mesmo assim para quem não queria fazer acho que 20 já é uma boa marca.

 


   Durante os a nossa estadia na Figueira fomos a quatro praias diferentes, duas na Figueira, Relógio e uma pequena na foz do rio mas não gostamos muito e duas do outro lado da ponte, praias do Cabedelo. Essas já gostamos mais, mais limpas e seguras para o meu filho, pois para ele era uma estreia no mar.

   


   Figueira da Foz é uma cidade óptima para passear, nada a ver com a Covilhã. Não comparo beleza pois a minha cidade também tem os seus encantos, falo nas ruas planas, podemos andar mais de uma hora a passear que não é cansativo e aquela cidade está repleta de jardins e zonas de interesse. Normalmente era nos nossos passeios nocturnos que fazíamos geocaching. Algo que também me sabia muito bem era passear de manha junto a marina, tomar o café numa esplanada e ficar ali a contemplar a paisagem e sentir-me aliviada da rotina.




  
  No caminho do mercado para a nossa casa passávamos sempre por uma livraria que tinha uma feira do livro, eu olhava a montra e resistia ( este mês estava decidida a não gastar dinheiro em livros e ler os que tenho), tanto passei por lá que numa manhã entrei e só sai de lá depois de fazer compras. Não conheço nenhum mas pediram-me para serem adoptados e eu não fui capaz de resistir... gostei deles e espero que me surpreendam.


  


  Na viagem de regresso decidimos passar pela Serra da Boa viagem, para almoçar e conhecer, ainda que só de vista, o parque aventura. Malas prontas, almoço feito, entregamos as chaves  e fizemo-nos a estrada.  Tenho de lá voltar, que vista fantástica e tem tanto para conhecer. Graças ao geocaching ficamos a saber que tem grutas, vários parques de lazer, zonas de interesse histórico, recantos fantásticos onde se respira natureza,  nascentes com esta...



  ... imagino que a qualquer altura vão sair de lá os 7 anões ou mesmo o coelho da história da Alice. Ficamos apenas 4 horas, souberam a pouco e ficamos de voltar, há muito para explorar por ali. 
     
  Foram umas férias pequenas mas que souberam pela vida e na companhia de quem se gosta melhor!! Para o ano há mais, na Figueira da Foz ou em outro lugar por ai.




  Espero que as vossas férias também tenham sido tão boas com as minhas, se fazem geocaching manifestem-se, se conhecem a Figueira e disse algo errado avisem e se já leram os livros que comprei, sem me contar pormenores digam se fiz ou não uma boa escolha! :) 

  Até a próxima!!



  
    



domingo, 25 de agosto de 2013

Desafio "Um livro por mês" (3)

A minha história com Bob


   Olá! Espero já ter convencido algum leitor do Jornal da Banda e ler um livro. Tenho escolhido livros pequenos, com histórias do dia-a-dia e este mês decidi continuar com as leituras "soft" ... Acho que vou deixar os clássicos e os "calhamaços" para o inverno!!


  Este mês escolhi o livro A minha história com Bob, de James Bowen. É uma história simples, com uma narrativa muito acessível e não precisa da concentração de um clássico ou um livro mais complicado.

Sinopse:
Quando James Bowen encontra um gato alaranjado no prédio onde vive, não faz ideia do quanto a sua vida irá mudar. Lutando por sobreviver como músico de rua na cidade de Londres, a última coisa de que precisa é um animal de estimação. No entanto, incapaz de resistir ao animal doente, acolhe-o em sua casa. Quando Bob recupera a saúde, James deixa-o à porta do prédio, imaginando que nunca mais o voltará a ver. Todavia, Bob tinha outros planos. Dentro de pouco tempo, os dois tornam-se inseparáveis e as muitas aventuras que irão viver transformarão para sempre as suas vidas, curando lentamente as cicatrizes do passado atribulado de ambos. Esta é a história de uma amizade improvável e de como um gato vadio irá ajudar um homem a recuperar a sua autoestima e dar-lhe uma nova esperança quando o resto do mundo lhe parecia ter fechado as portas.

  Ao contrário do que estava a espera a historia do Bob e o próprio gato não me entusiasmaram muito. Foi a transformação da vida de James a forma como ele a conta que me levou a gostar do livro... entrei na mente do James e o Bob sempre foi personagem secundária para mim.
  Este livro levou-me a reflectir um pouco sobre a importância que damos aos outros. O mundo da toxicodependência, dos sem-abrigo, pedintes, pessoas sem rumo, sem esperança.. Há quem queira mudar, mas a nossa atitude é quase sempre negativa e por vezes é o nosso desprezo e preconceito que não os deixa dar a volta a situação... gosto que ler histórias reais de sucesso e sinto sempre alguma simpatia por estas pessoas que dão a volta a sua vida. ( Acho que ando muito sensível :) )

  Opinião no Jornal...

  O livro: 
  Este é um livro que fala de oportunidades, de mudança, de esperança. James encontra Bob ferido e decide cuidar dele. Bob acaba por mudar completamente a vida de James. O seu mundo que até ai tinha sido a preto e branco começa aos poucos a ganhar cor. Não posso contar o que se passou concretamente, pois assim ia estragar a história e revelar tudo, mas posso adiantar que a relação dos dois é muito ternurenta, o amor e dedicação que James revela por Bob é enternecedora e quando ele fala das proezas do seu novo amigo dá mesmo vontade de querer um gatinho também. 

  Depois tem um lado mais sério, ele fala do seu percurso de vida, como se tornou sem abrigo e toxicodependente. Mostra-nos como é difícil o mundo da rua e como é complicado dar a volta a situação e lidar com o desprezo e preconceito de quem se cruza com ele. Confesso que dei por mim a refletir sobre isso. Sobre a dignidade humana. Como somos injustos com algumas pessoas, que no fundo só querem mudar e nós só atrapalhamos… essas são as lições! 

Todos nós temos direito a uma segunda oportunidade e James descobriu a sua com Bob. 

“ A princípio fora um choque, mas já me tinha começado a adaptar a isso. Na verdade, agradava-me. Sabia que parecia uma tolice para muita gente, mas pela primeira vez na vida tinha uma ideia do que era cuidar de uma criança. Bob era o meu bebé e certificar-me que ele estava quente, bem alimentado e em segurança era muito gratificante. E também assustador. “


Até a próxima e boas leituras!!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fox Trot - Uma família doida como tantas outras!!

FoxTrot é uma tira de banda desenhada criada em 1988 pelo cartoonista americano Bill Amend.





   Nos Estados Unidos as tiras começaram a ser publicadas diariamente num jornal e mais tarde em livros. Em Portugal os livros começaram a ser lançados pela Gradiva Publicações em 1998.
   O meu irmão na altura foi comprando a colecção e até eu me rendi a esta família. Muito ri a conta deles.

   A Família Fox é uma típica família americana, a mãe Andy, o pai Roger, o filho mais velho Peter, a filha Paige e o filho mais novo ( a minha personagem favorita) Jason. Não posso deixar para trás a iguana Quincy, do Jason. 
   Acho que quem tem irmãos se vai rever algumas vezes nas peripécias desta família. Jason Fox é o marrão da família, cheio de sentido de humor, tem um amigo assim como ele e passam a vida a conspirar e a fazer novas invenções. Um dos seus passatempos favoritos é chatear a irmã, só para se rir um pouco... é muito bom :)  

  Já a algum tempo que não leio estes livros e quem me pediu para falar deles foi o meu filho. Como era de esperar também gostou desta família, principalmente do Jason e da sua iguana. Quem não gosta nada de Quincy é a Paige que passa a vida a assustar-se e a fugir dela.

  Apresento a tira que o conquistou... acho que ele também pensou o mesmo que o Jason..


  São muitas as histórias que podia falar. Para além do dia a dia da família a BD acompanha a actualidade e de vez em quando aparecem por lá algumas personagens ou cenas de filmes, normalmente estes por imaginação ou invenções do Jason. 
  
  Pelo que me apercebo estes livros não são muito populares em Portugal mas é a colecção que qualquer adolescente ( e não só) bem disposto devia ler. Recomendo.

  Podem comprar os livros on-line, talvez essa seja a forma mais fácil ou então acompanhar no site http://www.foxtrot.com.


    "Pequeno aparte" 

   Os livros de banda desenhada são um grande incentivo para as crianças começarem a ter gosto em ler. Pelo menos com o meu filho funcionou. No inicio duvido que ele se concentrasse e entendesse as piadas, algumas vezes ele pedia para eu explicar ou ler para ele mas assim que entendeu como se lia não largou mais estes livros. O primeiro livro que ele leu foi um do Dragon Ball, provavelmente entendia a história pelos desenhos mas era uma delicia vê-lo andar para todo o lado com o livro. Ofereçam livros as vossas crianças, elas gostam e só lhes faz bem, alimenta a imaginação e a personalidades delas.


   

  

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Sinto saudades

   Porque hoje estou nostálgica porque hoje penso em ti, em vós, em mim, em nós e em tudo, em nada... porque sinto falta do que tive e do que não vivi, do que vivi sem ter... porque tudo o que amei me encheu a alma de vida e de vazios... vazios que ocupam lugar na memória que o relógio não faz esquecer... nada pode fazer esquecer o que o tempo nos levou... levou e trouxe em saudade... saudade que quando já não doí, traz sorrisos e amor... amor que ocupa, que enche e preenche... amor que não vai, fica comigo... para sempre 

    Até de ti Clarice, tenho saudade... sem te conhecer direito, já me tocaste com a tua alma.. tu entendes-me tão bem, descreves os meus pensamentos quando não sou capaz.. tens sempre resposta para mim...


Saudades

"Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência..."
Clarice Lispector



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Breve resumo do que li nas ultimas semanas

   É irónico ter criado um blogue para falar de livros, justamente no mês que li menos (preguiça mesmo)... 
   Imaginava eu por estes dias falar das leituras de julho ma apenas li O Pequeno Herói do Dostoievski. Comecei a ler o Alice no país das Maravilhas de Lewis Carroll, que só hoje terminei de ler.
  Este mês já li A minha história com BOB, de James Bowen, e Talvez um anjo, de Filipa Sáragga.
      
   Como o trabalho tem sido muito por estes dias não tenho conseguido parar muito tempo no computador, assim que dê falo com mais detalhe dos livros. 

   Alice levava-me para o pais dos sonhos, não sei se era a história ou o livro estava encantado, o que é certo é que assim que pegava nele dava-me sono e acabava por adormecer, o Diogo já brincava com a situação. Li o livro aos poucos e só terminei por teimosia, ao contrário do que esperava não me prendeu. 

  Já o Bob fez-me ter vontade de ter um gatinho, gostei de ler e fez-me reflectir sobre a dignidade humana, por vezes destruímos só pelo simples facto de ignorar ou julgar  pelas aparências. No fundo o que temos de mais importante são os laços que criamos com os outros, neste caso a amizade de James por Bob, serviu de inspiração para ele mudar o rumo da sua vida. É um livro para descontrair, mas que me deixou a pensar algumas vezes na minha atitude com os outros. Interessei-me mais pela história do James do que do seu gato. Vou falar depois deste livro e partilhar no Jornal da banda  em "Um livro por mês". 

  Talvez um anjo, é um livro bonito, adoro a capa, tem ilustrações muito boas, mas quanto ao conteúdo de certa forma desiludiu-me um pouco lá pelo meio. O livro fala-nos de Maria, uma menina que sofreu de cancro, mas uma menina muito especial, que aguentava as suas dores com muita coragem, que dava força a todos os que se cruzavam com ela, com um coração enorme, generoso e muito feliz apesar da sua situação. Fiquei confusa e ainda não sei bem o que dizer... se calhar é apenas falta de Fé, não sei, talvez seja demasiado cética para acreditar ou me comover com algumas impressões ... Maria era e continua a ser uma inspiração para todos e não duvido que é um anjo, mas pelas suas atitudes com os outros e a forma corajosa com que lidou com a doença até aos últimos dias.  
   Assim que me passe a birra falo com mais detalhes sobre o livro :)


  Resumindo: 

Julho



"Assemelham-se (...), aos desgovernados que conseguem enganar os outros tantas e tão variadas vezes, que eles próprios chegam a acreditar que tudo aquilo, que dizem, fazem ou deixam de fazer, tem a sua razão de ser. 
(...) 
Em resumo: um herói semelhante não passa no fim  de contas, duma bola colossal, inchada ao máximo  cheia de sentenças, frases em moda e provérbios"

( partes da descrição da personalidade do marido de Madame M, que eu achei brilhante)




Agosto




“ A princípio fora um choque, mas já me tinha começado a adaptar a isso. Na verdade, agradava-me. Sabia que parecia uma tolice para muita gente, mas pela primeira vez na vida tinha uma ideia do que era cuidar de uma criança. Bob era o meu bebé e certificar-me que ele estava quente, bem alimentado e em segurança era muito gratificante. E também assustador. “






"" Mas não vale a pena, agora, fingir que sou duas pessoas" pensava Alice, " pois já pouco resta de mim que dê para fazer uma pessoa que se veja!" 

(...) Vai ser uma coisa bem estranha, com certeza! mas hoje tudo está tão estranho! 

(...) nós aqui somos todos malucos. Eu sou maluco, tu és maluca. "



" Para atingir este grau de sabedoria é preciso sofrer, é preciso cair. Ninguém o atinge sem humildade nem provações. Talvez a Maria tenha conquistado essa felicidade tão rapidamente, e sem que nós a conseguíssemos entender, pelo tanto que sofreu e pelo seu esforço constante para voltar ao caminho."

" A fragilidade atraía-a e, como se levar amor fosse o seu chamamento, despreocupava-se em relação a tudo o que não fosse essencial. "






   Espero que este mês seja mais produtivo. Para já vou começar hoje mesmo a ler o
O Segredo de Compostela. Grande expectativa!! 

  Até a Próxima e podem comentar é sempre bom discutir pontos de vista!!! :)

domingo, 28 de julho de 2013

O Segredo de Compostela

Eu quero!!!!




    Sinopse: O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?
Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?



    Para começar, quero dizer que não sou muito fã deste género de capas, quem convive comigo esta farto de me ouvir reclamar das capas dos livros, que agora são sempre fotos, nos romances rostos e florinhas, se já foi adaptado a filme têm a foto das personagens, noutros géneros são paisagens... verdade eu não sou muito fã dessas capas por isso tenho poucos romances, mas neste caso tenho de admitir que a capa até me agrada, (no geral, escapa).   

    Ouvi falar deste livro ontem no programa de rádio "A força das coisas" e entrou logo para a minha lista de livros que quero (comprar) ter. Santiago de Compostela é um local de grandes peregrinações, toda a gente já ouviu falar nos caminhos de Santiago. Fiquei a saber à pouco mais de um ano que a capela de São Sebastião aqui na Erada, é um ponto de passagem desses caminhos de Santiago. 
    Do local apenas sabia isso, mas ontem fiquei a saber que é um local de culto onde se diz estar o túmulo de  Santiago Maior, um dos apóstolos de Jesus Cristo. (Depois de saber, realmente faz todo sentido :) mas também não posso pensar em tudo, ne?)
   Este livro vai questionar isso sugerindo que o túmulo que leva milhões de pessoas aquela terra sagrada não é o de Santiago mas sim de um homem rejeitado pela igreja católica.
   Este livro vai fazer-me pesquisar sobre Santiago de Compostela, sobre este período histórico, império romano, a luta entre cristão e pagãos, sobre o apóstolo Santiago e sobre Prisciliano, que nunca ouvi falar mas ao que parece foi um homem adorado pelo povo e desprezado pela igreja. Quem foi este homem? Como viveu? Porque foi tão adorado pelo povo. 
   É o terceiro livro de Alberto S. Santos, presidente da câmara de Penafiel. 

 Curiosos?? Eu estou e muito :) e vamos se sinceros qualquer teoria que venha questionar verdades ditas absolutas, aguça-nos a curiosidade... podemos acreditar ou não, mas de certeza que nos torna mais críticos, ou então apenas ganhamos uns minutos bem passados a ler um romance histórico. 

  Boas leituras!! Hoje está um bom dia para ficar no sofá a ler 


sexta-feira, 26 de julho de 2013

5 razões para ouvir musica clássica ou erudita

Em primeiro lugar quero apresentar-vos a minha musica de embalar!!! 

Yanni - Enchantment



É possível que o video me tenha prendido a esta música, lembro-me de ficar quase hipnotizada a ver as sombras dançarem, mas a verdade é que ela mexeu comigo e sempre que preciso de um pouco de calma eu oiço e vejo este video. 

Descobri Yanni  numa fase em que precisava de calma, de meditar, de pensar na vida... tudo era confuso na minha mente (não deixou de ser, mas esta melhor :) ). Acho que esse foi o primeiro contacto com este tipo de música. Musicas como esta fizeram e continuam a fazer muito bem ao meu equilíbrio mental, não só porque são magnificas, mas porque me tocam na alma e despertam a minha sensibilidade. Sem duvida há uma era antes e depois de Yanni. 

Com tempo volto a falar dele com mais detalhe.

Agora aqui vão as minhas 5 razões para ouvir musica clássica ou erudita


  1. É um tipo de música que consegue produzir todos os sentimentos de forma mais profunda, mais que qualquer outro. Eu oiço essencialmente para relaxar, meditar. Mas a música clássica pode perturbar, dar vontade de dançar, fazer-nos sentir em movimento, levar-nos para uma batalha, deixar-nos melancólicos ou românticos... 
  2. Desenvolve a concentração. Estar atenta a todos os instrumentos ou vozes que compõem uma musica não é um exercício fácil exige muita concentração e sinto que ao fazê-lo estimula o meu cérebro a concentrar-se também no dia a dia noutras tarefas.
  3. Desenvolve a criatividade. Quantas vezes ao ouvir uma musica eu entro num filme criado pela minha mente... imagino cenas, personagens, cenários (a minha vida não é só BD, as vezes imagino o real)... Gosto principalmente de cenários medievais, com castelos, batalhas, florestas, bruxas e fogueiras...
  4. Estimula a sensibilidade musical. Para quem quer cantar ou tocar um instrumento musical, acho importante conhecer este tipo de música, cada nota é sentida com mais profundidade e é inspiradora para novas criações, qualquer género.
  5. É um óptimo passatempo. Não só pelas razões que já falei mas também porque qualquer  passatempo relacionado com arte ou cultura faz bem a toda gente, é importante ter algo que nos faça concentrar, evoluir intelectualmente.. O programa "Musica Maestro" da RTP1 mostrava-nos como uma peça musical, continha tanta história e sentimentos e apetece querer conhecer mais sobre os compositores, a musica, a época... haja tempo e Wikipédia para tudo isso. 


Esta é a opinião de quem não estudou música, falei apenas o que sinto é a minha opinião!!

Como falei no programa "Música Maestro" lembrei-me de partilhar convosco este momento maravilhoso, ternurento, bonito de dois irmãos que eu admiro muito... Rui e Cristina Massena 




Bom fim de semana!!! E divirtam-se ;)