sábado, 22 de fevereiro de 2014

O primo Bazilio de Eça de Queiroz

Sinopse
O Primo Basílio, um romance de costumes publicado pela primeira vez em 1878, satiriza a moralidade de uma família burguesa da época.

Jorge e Luísa são o típico casal burguês da classe média lisboeta. Para a sua felicidade estar completa, esperam apenas um filho. Mas este equilíbrio familiar fica em risco com a partida de Jorge para o Alentejo, onde irá ficar durante longas semanas. É então que Luísa, aborrecida e sozinha em casa, recebe a visita do seu primo Basílio, que lhe fizera a corte antes de partir para o Brasil e enriquecer. Basílio tece uma malha em volta de Luísa, arrastando-a para o adultério numa história de chantagem, imoralidade e tragédia.





Que novela chata!!


Eu li uma versão e-book, mas era capaz de comprar esta edição para completar a colecção. Apenas isso, pois não vou voltar a ler este livro de certeza. 

Este é a terceiro obra que leio do Eça e ao contrário dos outros, eu não gostei nada. No entanto, li até ao fim pois estava com esperança que ia melhorar e curiosa para saber como ia acabar a história. Mas, garanto que se fosse o meu primeiro livro do Eça, desistia ao fim de 50 paginas.

Não me identifiquei com nenhuma personagem, nem me entusiasmei com a trama, nada... (li descrições na diagonal... :/ ) 

Eu consegui perceber a intenção do Eça ao escrever o romance, o que cada personagem representava... mas não me envolvi e estava desejosa para terminar de ler, eu não queria abandonar o livro. Pelo autor.

A versão que li tem no fim uma carta que ele escreve a Teófilo Braga, não sei se pertence a obra ou se juntaram neste e-book para ajudar o leitor a analisar a obra. Achei muito interessante e tem informações que me tinham escapado. 
Não vou deixar de ler os seus livros, pelo contrário, tenho mais curiosidade ainda. Era sem dúvida um critico, um grande observador e sabia muito bem fazer passar a sua mensagem. Só não me chateei com o Eça porque há um pormenor na história que me agradou. Por momentos achei que ia haver sangue, mas houve bom senso e a carta também me animou (senti o Eça pedir.me perdão, as suas intenções eram as melhores =] ).


"(...)mas eu não ataco a família — ataco a família lisboeta — a família lisboeta produto do namoro, reunião desagradável de egoísmos que se contradizem, e mais tarde ou mais cedo centro de bambochata. No Primo Basílio que apresenta, sobretudo, um pequeno quadro doméstico, extremamente familiar a quem conhece bem a burguesia de Lisboa; — a senhora sentimental, mal-educada, nem espiritual (porque cristianismo já a não tem; sanção moral da justiça, não sabe a que isso é), arrasada de romance, lírica, sobreexcitada no temperamento pela ociosidade e pelo mesmo fim do casamento peninsular que é ordinariamente a luxúria, nervosa pela falta de exercício e disciplina moral, etc., etc. — enfim a burguesinha da Baixa; por outro lado o amante — um maroto, sem paixão nem a justificação da sua tirania, que a que pretende é a vaidadezinha de uma aventura, e a amor grátis; do outro lado a criada, em revolta secreta contra a sua condição, ávida de desforra; por outro lado a sociedade que cerca estes personagens — a formalismo oficial (Acácio), a beatice parva de temperamento irritado (D. Felicidade), a literaturinha acéfala (Ernestinho), o descontentamento azedo, e o tédio de profissão (Julião) e às vezes quando calha, um pobre bom rapaz (Sebastião). Um grupo social, em Lisboa, compõe-se, com pequenas modificações, destes elementos dominantes. Eu conheço vinte grupos assim formados. Uma sociedade sobre estas falsas bases, não está na verdade: atacá-las é um dever. E neste ponto o Primo Basílio não está inteiramente fora da arte revolucionária, creio. Amaro é um empecilho, mas os Acácios, os Emestos, os Saavedras, os Basílios são formidáveis empecilhos; são uma bem bonita causa de anarquia na meia da transformação moderna (...)"
                                                                              
                                                                                               Carta a Teófilo Braga 
Alguém já leu? Sentiram o mesmo?

Bom fim de semana e boas leituras.