domingo, 9 de fevereiro de 2014

Então eu li o crime do padre amaro de eça de queiroz

Sinopse:Com base nas edições críticas publicadas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda sob a coordenação do Professor Carlos Reis, a Presença dá a conhecer ao público em geral o texto que corresponde à última vontade do autor fixado em edição corrente. A partir deste critério foram já publicados O Mandarim, A Capital , Alves e Cª e A Ilustre Casa de Ramires.


Publicado pela primeira vez em 1875 nos fascículos da Revista Ocidental, O Crime do Padre Amaro apresentou três versões definitivas, sendo a última a que serviu de base a esta edição. Agora o leitor tem a confiança de ler a versão definitiva de Eça de Queirós, atentamente revista e rigorosamente fixada ao alcance do vastíssimo público que aprecia Eça. Narrado na terceira pessoa, a acção decorre em Leiria, local onde o padre amaro, jovem protagonista do romance, conhece Amélia, pela qual se enamora, iniciando um relacionamento proibido, longe dos olhares da Igreja. Na realidade, Amaro não se preocupava com a reprovação de outros elementos do clero, que à sua semelhança, mantinham relações conjugais. Este é pois um retrato corrosivo sobre o celibato do clero, uma denúncia ao provincianismo, à superficialidade profissional, ao vazio interior dos padres e ao culto das falsas aparências. Uma edição corrente, sem aparato crítico, de grande qualidade, de um dos maiores romancistas de sempre.


Esta é uma edição que podem comprar no wook. Mas esta obra é domínio publico e facilmente encontramos um e-book, foi uma dessas versões que eu li.

"O crime do padre Amaro" conta-nos a história de Amaro, um jovem padre que vai morar para Leiria e que acaba por se envolver com a filha da dona da pensão onde ao inicio se instala, Amélia.
Amaro e Amélia apaixonam-se e isso vai despertar em João Eduardo, pretendente de Amélia, ciumes e ódio. Já desconfiado do caso, conta tudo num jornal. Esta atitude acaba por unir mais os apaixonados e Amélia rompe o namoro com João entregando-se ao amor.
Como tudo na vida ao inicio corre lindamente, mas acaba por se tornar um pesadelo e este pecado vai ter consequências trágicas.
Eça descreve este amor proibido meticulosamente, o dia a dia, os encontros,os delírios e pensamentos mais perversos.. 

O romance, tem como pano de fundo uma sociedade muito beata e conservadora. Mais do que uma história de amor, é uma reflexão a sociedade em si, aos costumes políticos e principalmente religiosos. 
Hipocrisia, mentira, luxuria, traição...
É uma grande obra, com personagem complexas, numa escrita genial, irónica. 
Para além do carácter do clero retrata outros temas polémicos, como o celibato dos padres, a gravidez indesejada, a beatice, o materialismo disfarçado, o abuso de poder e impunidade.

Mais uma vez o Eça de Queiroz me surpreendeu, conseguiu fazer sentir: 
  • Riso, certas descrições, personagens (Libaninho), diálogos cheios de ironia normalmente envolvendo beatas
  • Choque, mudança no comportamento de Amaro, encontros na caso do sineiro ignorando o mal que estavam a causar a uma pobre criatura, o fim de Amélia, o crime 
  • Confusão, O ultimo capítulo... Acabei o penúltimo e ainda estava chocada e triste, de repente muda o cenário e andei ali meio perdida, indignada com o Eça
  • Espanto, surpresa, esta obra está repleta de momentos assim, mas quero falar principalmente do final, ao longo do livro fui mudando de opinião e confesso que estava a espera daquele fim da Amélia e do padre Amaro, mas o que me surpreendeu foi o desfecho do livro em si. Eça no seu melhor, a ironia, o sarcasmo, a critica social. 
O final pode desiludir algumas pessoas, mas eu achei fantástico. 
O que aposto que todos os leitores vão sentir é uma sensação de impunidade.

Queria dizer tanto a cerca deste livro mas não quero revelar muito da história. Mas se alguém quiser podemos debater outros temas do livro.

Agora tenho a certeza que quero continuar a ler Eça de Queirós, que mente brilhante!! 
Começo a achar que gostos destes livros por uma questão antropológica, não sei, mas tanto "Os Maias" como "O crime do padre Amaro" me prenderam pela complexidade das personagens e pelo meio que as rodeia. 




" Tudo se ilude e se evita, menos o amor."

(…) e pensando em João Eduardo e Amélia; lamentava não poder acender as fogueiras da inquisição! – Assim aquele inofensivo moço tinha durante horas, sob a excitação colérica duma paixão contrariada, ambições grandiosas de tirania católica: - porque todo o padre, o mais boçal, tem um momento em que é penetrado pelo espírito da Igreja ou nos seus lances de renunciamento místico ou nas suas ambições de dominação universal: todo o subdiácono se julga uma hora capaz de ser santo ou ser papa: (…)