sábado, 20 de setembro de 2014

Opinião - A Vos dos Deuses de João Aguiar

Olá.

Trago-vos um livro que li no inicio do verão e adorei. Na altura não escrevi a minha opinião, mas este livro merece que fale acerca dele. Uma história envolvente, com personagens inspiradoras e muito bem escrito por João Aguiar.


Sinopse:
A Voz dos Deuses é já um clássico do romance histórico português contemporâneo. Uma leitura apaixonante que nos dá a conhecer a história de Viriato, um dos construtores da realidade ibérica. 

Em 147 a.C., alguns milhares de guerrilheiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio. Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato. 
Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitos romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância. 
Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático. Mas, sobretudo, Viriato foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar. 
Aquando do seu aparecimento, em 1984, Fernando Assis Pacheco escreveu serem raras as estreias com tanta qualidade. Depois disso, A Voz dos Deuses, ao longo de sucessivas edições, tornou-se um "clássico" do romance histórico português contemporâneo. 
A presente edição surge pela primeira vez ilustrada, com desenhos de Vasco Lopes.

Antes de falar deste romance histórico tenho de dizer que João Aguiar me provocou logo nas primeiras páginas, destruindo parte da minha infância.
Ouvi falar de Viriato bem cedo na escola-primária. Ensinaram-me que este herói cresceu na Serra da Estrela, possivelmente para os lado de Loriga. Mais tarde lutou contra os romanos e como conhecia muito bem o terreno conseguiu ganhar várias batalhas. Fantástico!! Para uma criança como eu, criada na encosta de Serra da Estrela e a meia hora de Loriga foi uma grande descoberta. Um herói português serrano. Fiquei logo fã. Não ligava muito a história mas dizia com grande orgulho, Viriato é meu vizinho! Apesar de associado a Viseu fiquei sempre com a ideia que era serrano.
João Aguiar logo ao início do livro adverte "(...) Viriato não nasceu nos Hermínios (ou seja. a serra da Estrela)(...)". Pronto, e assim o meu herói caiu do cavalo...

A Voz dos Deuses é seguramente um dos livros que mais gostei de ler até hoje. É um romance histórico muito bem escrito, de forma simples e bonita. Consegui sentir-me naqueles cenários todos, nos templos, nos campos de batalha... Apesar de nos contar as batalhas de Viriato, não as descreve com grande pormenor, centra-se mais nas estratégias e para quem não gosta de descrições muito exaustivas é óptimo.
A história é narrado por Tongio, sacerdote no tempo do grande deus Endovélico. Tongio, por quem senti uma grande empatia desde o inicio, conta a sua história de vida; origens, infância, descobertas e a dado momento, como o seu destino cruza-se com o de Viriato, o grande herói lusitano e pesadelo dos romanos. É a partir daí que começamos a conhecer os grandes feitos deste herói.
É com estas memórias que Tongio nos transporta para aquela época, que conheço muito pouco, confesso, mas gostei muito.
O livro termina muito bem. Não sei explicar mas as ultimas páginas fizeram-me sentir uma leveza tão grande, mexeu comigo e senti-me bem.
Vou reler um dia, tenho a certeza.
No final também descobri a origem de uma expressão popular conhecida, que não fazia ideia que estava ligada à história de Viriato. Não sei se assim reza a lenda ou o autor adaptou, mas faz todo o sentido.

Este é um livro mais do que recomendado!!!

"Está ainda bem viva a memória da batalha travada nas proximidades de Tríbola. Muitos homens com quem tenho falado, ao saberem que fui um dos combatentes, olham para mim com um respeito quase religioso: sem dar por isso, passei a fazer parte de uma lenda heróica."

Seria tão mais interessante se os livros de história nos cantassem histórias assim.

Boas leituras