quarta-feira, 1 de abril de 2015

Canções com história #3 - A Última Tourada Real de Salvaterra

Para quem ainda não sabe, eu colaboro no jornal mensal da Banda Filarmónica da Erada com alguns artigos e Canções com História é um deles. Gosto tanto de fazê-lo que resolvi partilhar aqui no blogue.
A música é a minha grande paixão. Todo o tempo que dedico a ela é precioso e encontro sempre algumas histórias que acho que devem ser partilhadas. Espero que gostem. 


"Em 1762 teve lugar a última tourada real em que perdeu a vida o Conde de Arcos, filho do Marquês de Marialva. O velho marquês que assistia à tourada, presenciando a morte do filho nas hastes do touro, desceu à arena (...) desembainhou a espada e a pé firme matou corajosamente o touro (...) Assistiram à tourada El-Rei D. José I e o seu primeiro ministro o Marquês de Pombal " 

Assim se pode ler nos "Anais de Salvaterra de Magos" a história, que inspira o fado que vos apresento hoje. 
A veracidade deste acontecimento é discutível e desmentida pelos historiadores, mas o facto é que ficou eternizado com o conto “Última corrida de toiros em Salvaterra” de Luís Rebelo da Silva (1822-1871). 
Escritor, professor, jornalista político, ministro e deputado, Rebelo da Silva destacou-se com os estudos históricos sobre a história de Portugal e nos cinco volumes inclui-se o conto acima referido, que descreve a mítica corrida de touros em Salvaterra de Magos presenciada pela corte, onde o jovem cavaleiro Conde de Arcos perdeu a Vida. 
Seu pai D. Pedro de Alcântara Menezes, 4º Marquez de Marialva, que assistia, desceu da bancada para enfrentar o touro, conseguindo ao matá-lo vingar a morte do filho.
Rebelo de Sousa romanceou bastante o episódio e criou um mito.
Ao longo dos tempos têm sido muitas as recriações desse episódio fatal, que enchem a praça de Salvaterra de Magos. Esta cidade do distrito de Santarém, recebeu foral em 1295 e a sua história está muito ligada à vida da corte e dos nossos reis, especialmente aos seus tempos de lazer.


A Última Tourada Real de Salvaterra

Conta-nos a tradição
Que em tempos que já lá vão
O Pombal em franca guerra
Acabou para nunca mais
Com as touradas reais
Em praças de Salvaterra (bis)

​Toureava nesse dia
Ante nobre fidalguia
O jovem conde dos Arcos
Cujo sangue valoroso
Por capricho desditoso
Na arena ficava em charcos (bis)

​De marialva, o Marquês
Olha o touro que desfez
O seu filho tão amado
E diz El-Rei com fervor:
"Eu vos juro, meu senhor,
O Conde será vingado!" (bis)

​El-Rei nega por temor
Mas desvairado pela dor
O Marquês saltou para a praça
E vinga com decisão
Pela sua própria mão
O sangue da sua raça (bis)

​E então El-Rei, que chorava,
Ao ministro que aguardava
Disse o Marquês de Pombal:
"Jamais, fique ordenado,
Haverá no meu reinado
Outra tourada real!" (bis)

Letra: Maria Manuel Cid; Música: Casimiro Ramos; Intérprete: Rodrigo; ​Fado original : Fado da freira

Foi na qualidade de amador que Rodrigo aos 28 anos, grava o seu primeiro disco A última tourada real, que se tornou um sucesso de vendas, assim como os que se seguiram. 
Rodrigo Ferreira Inácio nasceu a 29 de Junho de 1941 na freguesia da Graça, em Lisboa. De origem humilde, cedo deixou a escola, começando a trabalhar para ajudar no sustento da família. Pouco tempo depois integra a Companhia Colonial de Navegação, onde completa o 5ºano do liceu. Por essa altura trava conhecimento com alguns músicos e chega a fazer parte de um grupo vocal Os cinco réis que interpretava versões de músicas latino-americanas . Começava assim uma carreira recheada de sucessos. 
Emigra com o desejo de novos conhecimentos e quando regressa definitivamente a Portugal, começa a ser presença assídua em várias casas de fado. 
Nos anos 80 abre a sua primeira casa de fados “O Arreda” nos arredores de Cascais e outras se seguiram. 
Do seu repertório destacam-se os grandes êxitos: "Cais do Sodré" de Francisco V. Bandeiras, "Gente do Mar" e "Eu sou povo e canto esperança" de João Dias, "Coentros e Rabanetes" de Jorge Atayde.
Durante os seus cerca 50 anos de palco, actuou em diversas salas de espectáculo e cadeias de televisão pelos cinco cantos do Mundo, onde é sempre recebido calorosamente. 
Rodrigo é um dos maiores nomes do Fado, acarinhado e respeitado pelo povo. 

Fontes

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Gostei muito de fazer este Canções com história. Tenho de dar mais atenção aos fados e este despertou a minha curiosidade para este género. 
Peço que se encontrarem algum erro histórico me informem. :)

Espero que tenham gostado!