domingo, 16 de março de 2014

Um piano para cavalos altos de Sandro William Junqueira - escuro e inquietante


Sinopse
Uma cidadela cercada pela natureza onde os lobos são ameaça. Um muro que serve de barreira. Uma sociedade exemplarmente organizada, anos após um grande desastre. Um governo que sabe que o medo é motor e que legisla música. Uma fábrica que produz empadas e apronta cremações. Um microcosmo familiar onde um filho é amarrado a um piano. Um homem dotado da capacidade de sonhar com aquilo que ainda não aconteceu, mas que é certo ir acontecer. Uma rebelião que se levanta. Um cavalo que não perde elegância. Um corvo que gralhará na hora da sorte.
Um Piano para Cavalos Altos pretende ser uma metáfora de um mundo regido pela ordem, pela disciplina. Uma premente reflexão sobre o poder: o poder do controlo, o poder da comunicação, o poder do corpo. 
QUE LIVRO INQUIETANTE!!
Uma cidade rodeada por um muro, ameaçada por lobos. Completamente organizada. Os habitantes são dados a conhecer pelo seu lado escuro o que os faz parecer estranhos. Na verdade todo o ambiente é estranho e vi o "filme" a cinzento e branco.

Não vou falar da história pois a sinopse já fala por si. Apenas acrescento algumas personagens, que não têm nome. 
- MINISTRO CALVO, chefe do governo, come empadas enquanto dita leis (que convidam a reflexão, as minhas partes favoritas)
- PROSTITUTA ANÃ, tem uma cama que fala onde todos os homens são iguais e ela que tem o poder
- MENSAGEIRO, trabalhador da fábrica e tem sonhos premunitórios
- DIRECTOR, usa luvas para esconder a falta de alguns dedos, marido da RUIVA com quem já não tem intimidade, pai do FILHO (o pianista) e patrão da CRIADA que tem um diário.
- OPERÁRIO, gosta de cenouras e quer ver o corvo gralhar

Eu aconselho vivamente este livro a quem gosta de encontrar reflexões no pior do ser humano. É uma leitura pesada onde eu encontrei beleza (não sei que palavra usar). O Sandro é genial e quero ler mais obras dele.
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Eu tive conhecimento deste livro a ver um vídeo da Tatiana Feltrin , ela falou de uma coleção de livros de novos autores portugueses que tinha sido lançada no Brasil e achei este curioso. Assim que ela disse que era sobre uma cidade rodeada por um muro, com habitantes estranhos e era um livro "escuro", tive de comprar!

Eu comecei algumas vezes o livro e abandonei, não por ser mau ou não me cativar, mas por estar tão bem escrito e tinha de ter calma para lê-lo devagar e apreciar cada frase, cada capitulo. 

Escrito com frases pequenas, mas claras, cruas e que convidam a reflexão. Este livro é sensacional, apesar da escrita pesada, que pode não agradar a toda gente.

Sandro William Junqueira é perito em descrever ao mais ínfimo pormenor, o feio e o mau. Isso desconcertou-me algumas vezes. Ele descreve o pior que há no ser humano, características, físicas, psicológicas e sociais. A linguagem e algumas situações, podem chocar alguns leitores e faze-los odiar o livro. Não foi o meu caso. (quem lê Chistopher Moore, aguenta a gramática, a única diferença é que não há humor e sátira, há desassossego ).

Este é um dos melhores livros que já li, ficou todo cheio de marcadores, tem passagens que eu quero saber de cor, lembrar por muito tempo.
Já alguém leu?