terça-feira, 1 de março de 2016

Canções com história #9 - Cegonha de Carlos Paião

Já vos tinha falado do Concerto de Reis realizado pela AMDF aqui na nossa igreja e da interpretação que fizeram da música do Carlos Paião, Cegonha.


Tenho de vos confessar uma coisa: 
Eu nunca tinha ouvido esta canção...

Como é possível?!? Não sei. Mas é lamentável, sendo eu fã de Karaoke e de algumas músicas de Carlos Paião. Na verdade não conheço toda a sua discografia, mas conhecia vagamente a sua história, o triste final e a herança fantástica que nos deixou. 
Resolvi então partilhar convosco esta belíssima composição e um pouco da história do artista.

Apreciem esta introdução...

Cegonha

Olá cegonha, gosto de ti!
Há quanto tempo, te não via por aí!
Nem teus ninhos nos telhados,
Nem as asas pelo céu!
Olá cegonha! Que aconteceu?

Ainda me lembro de ouvir-te dizer,
Que tu de longe os bebés vinhas trazer!
Mas os homens vão crescendo,
E as cegonhas a morrer!
Ainda me lembro... não pode ser!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha... é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado!
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!
Adeus cegonha, adeus lembranças...
A gente sonha, como crianças!
Faz outro ninho, nos altos céus!
Vai de mansinho, mas pelo caminho, diz-nos adeus!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha... é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado...
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!
Leva o menino... mas tem cuidado!

Carlos Manuel Marques Paião nasceu em Coimbra a 1 de novembro de 1957 e foi uns dos maiores artistas de sempre do nosso panorama nacional. 
Passou toda a sua infância em Ílhavo e Cascais e licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1983, mas a sua grande paixão era a música, como provam as mais de duzentas canções escritas e compostas por ele até meados de 1978. 
Acabou por se dedicar exclusivamente à música e em 1980 concorre pela primeira vez ao Festival RTP da Canção, mas é em 1981 que acaba por vencer com Playback, deixando para trás concorrentes tão fortes como as Doce e José Cid.
Durante a sua curta vida escreveu mais de trezentas canções. Trabalhou com Herman José em Hermanias e escreveu todas as canções do seu personagem “Serafim Saudade”, uma das mais populares figuras da época e escreveu também a canção não oficial da Selecção Portuguesa de Futebol de 1986, "Bamos lá, Cambada!", feita para "José Estebes", outa famosa personagem criada por Herman José
A sua criatividade não tinha limites e compôs para Amália Rodrigues, Cândida Branca Flor, Nuno da Câmara Pereira, Trio Odemira, Pedro Couceiro, etc..
Compositor, intérprete e instrumentista, Carlos Paião produziu mais de trezentas canções. Grande observador e crítico da sociedade as suas canções transmitem uma grande sensibilidade e uma alegria contagiante. Ficam para a história temas como Playback, Marcha do “pião das Nicas”, Gá-Gago, Cinderela, Pó de Arroz, entre muitas outras. 
A 26 de Agosto de 1988 com apenas 30 anos, morre num violento acidente de automóvel quando se dirigia para Penalva do Castelo para um concerto. Ao passar em Ponte de Amieira próximo de Rio Maior, um veículo pesado pára na faixa de rodagem e outro pesado que vinha atrás ao desviar-se choca de frente com a carrinha onde Carlos Paião ia.
A sua morte viria a tornar-se um mito urbano. Gerou-se um boato que não estaria morto na altura do seu funeral, mas sim em coma, tendo sido enterrado vivo. Este boato surgiu quando se fez o levantamento dos seus ossos e estes estariam em posição estranha e o caixão com arranhões, porém são escassas as fontes fiáveis e a violência do acidente não permitiria a sobrevivência fosse de quem fosse, mas o boato mantém-se até aos dias de hoje.
A sua morte foi uma grande perda para a nossa música. A sua alegria, talento, dedicação e companheirismo marcaram a sua passagem. 







Partiu cedo de mais, mas será para sempre recordado!