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domingo, 15 de janeiro de 2017

Opinião - Como Uma Flor de Plástico na Montra de um Talho de Golgona Anghel

"Esta é uma poesia carnívora, desde a capa do livro, VERMELHO SANGUE. 
Há nela uma energia letal carregada de proteínas e de um humor avesso a qualquer tipo de sentimentalismo. Não é por acaso que há um talho no título, o surpreendente título que anuncia estarmos perante algo como uma flor de plástico na montra de um talho.
Tudo isto é literatura (...) tudo o que não é literatura aborrece-me."
TSF, áudio completo aqui


Sinopse:

Subiu dez andares para assim nos poder olhar de frente. Não lhe interessa o que dizem os dissidentes da ditadura. Mas confessa que gostava dos chocolates Toblerone que a sua tia lhe trazia no Natal. Colecciona cabelos nas folhas de um herbário sentimental. Escreve a palavra vazio depois da palavra espera. É como a Salomé — dizem — pede cabeças mas só lhe entregam pizzas. Perdeu a fé num ataque de riso. Exige agora silêncio e um copo de tinto, enquanto apresenta em directo a autópsia da sua glória.

O texto com que abro este "post" já desvenda um pouco o que podemos esperar deste livro e recomendo que oiçam na integra o áudio porque ele nos mostra o livro muito melhor do que qualquer coisa que eu escreve aqui escreva.

Finalmente consegui ler um livro! O primeiro de 2017 e o meu primeiro de poesia.
Já aqui tinha falado sobre o desânimo em que a poesia me deixa. Eu gosto de ler, acho bonito e incrível como se diz tanto em tão poucas palavras, mas não entendo muitas das poesias que leio, não sou capaz de perceber a mensagem ou o que levou o autor a escrever aquelas palavras. Talvez essa seja a magia da poesia e o desafio faça parte deste género literário.  Nem toda a gente está capacitada para a entender ou no momento certo.
Este livro já está aqui em casa há algum tempo e já tinha lido alguns poemas, mas na altura encolhi os ombros e voltei a colocá-lo na prateleira. Não percebi nem quis perceber, simplesmente desisti. Algo estranho até porque eu comprei o livro depois de uma entrevista que ouvi na Antena2 com a autora e naquele momento eu senti bastante afinidade com ela e com as suas palavras. Tal como esta peça da TSF, que mostro no início, entusiasma qualquer leitor.
Esta semana lá me decidi a tirá-lo de novo da estante e finalmente fui capaz de o ler.
Não foi um desafio assim tão grande até porque os poemas são curtos e o livro tem apenas 70p. Gostei bastante de alguns e outros como era de esperar não entendi, mas isso não me fez desistir do livro e tenho a certes que noutra altura regresso e talvez aí perceba aquelas palavras.

Partilho aqui alguns poemas e passagens que gostei.

"Leio-te e fico doente, outra vez.
(..)
Não se como funciona tudo isso,
mas olha o que me fazes com as tuas palavras."
“COMODISTA HESITANTE,
protegido das cabeleireiras
e cliente frequente dos feriados nacionais,
acredita nos encontros fortuitos
assim como um relógio estragado
acredita aproximar-se de uma hora astral.
Estes hábitos podem até ser tolerados
Em contos naturalistas
E reality showers.

Nós, aqui, little stranger,
Degolamos pardais e fadas de porcelana.
Cobramos interesses à alegria
E vendemos suites com piscina na lua.
A batalha é nossa,
Já alugámos as trincheiras,
Mas custa tanto tirar os pijamas.”

"A minha língua está a ganhar uma espessura lenhosa,
No lugar do grito,
uma greta.
Mãos nos bolsos,
bico calado.
Evito vitrinas e espelhos.
Tenho medo que a verdade
me possa desfigurar o rosto"

"ENCONTRADO NUM CONTENTOR DE RUA,
sem cavalo e sem reino,
o músico,
quase cego, quase surdo, 
começa o seu turno,
ainda perseguido pela última garrafa de tinto.


É preciso saber ouvi-lo
como se ouve uma abelha
às voltas de uma ferida
adocicada pela peste.

Não gostas 
mas já foste habituado a obedecer,
deixar que a roupa suja chupe o detergente todo
no alguidar.

Podias talvez esquecer, fugir, escapar.
mas já te treinaram longamente a ficar, 
a ter medo,
e, sobretudo, a ter fé
quando uma verruga no nariz
é a única coisa à qual ainda te podes agarrar
antes de sucumbir 
no sono."

"Cada dez segundos sai uma fornada de sentimentos novos.
o que, diga-se en passant,
não é nada de extraordinário,
pois cada um de nós tem uma fábrica caseira de sentido
e uma despensa onde guarda as certezas junto com as conservas."


"Golgona Anghel nasceu há 27 anos na Ilíria Oriental. Não se lhe conhecem estudos mas leu todos os livros escritos ao sul de Reykiavik. Tem medo de estar sozinha e pensa em voz alta. Gostava às vezes de ter o seu próprio Sul. Nos registos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras figura como Doutoranda em Literatura Portuguesa Contemporânea, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É recentemente procurada por tráfico de ilusões perdidas. Descansa cada vez menos. Escreve."

Atribuí 4 estrelas ao livro no goodreads pois apesar de não entender alguns poemas adorei a forma como ela escreve e a crueza das suas palavras. 
É um livro frio apropriado a esta época e recomendo bastante a sua leitura.

Já alguém leu? 
Ficaram com vontade?
Contem-me tudo e BOAS LEITURAS!!! ;)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Opinião - Uma mulher não chora de Rita Ferro


"Nunca se ama como nas histórias: nus e para sempre.
Amar é lutar constantemente contra milhares de forças escondidas que vêm de nós ou do mundo. Contra outros homens. Contra outras mulheres."
Jean Anouilh

Sinopse:

"Depois de O que Diz Molero, de Diniz Machado, e da Crónica dos Bons Malandros, de Mário Zambujal, Uma Mulher não Chora, de Rita Fer ro, foi o terceiro grande best-seller português e o primeiro assinado por uma mulher. Conta a história de uma mulher pós-feminista - livre, independente, emancipada - às voltas com a ambivalência da sua condição: de um lado, o sonho romântico e o fantasma da solidã o; do outro, o orgulho e a exigência de quem pode, finalmente, escolher, ou para quem a dignidade se tornou mais imperativa do que a companhia de um homem. Uma clivagem dolorosa, que toda a mulher divorciada, ou casada segunda vez, conhece intimamente."


Este foi o primeiro livro que li da escritora Rita Ferro. Sou fã confessa da Rita Ferro, não pelos livros pois ainda não tinha lido nenhum mas pelos programas de rádio na Antena 3. Conheci-a no programa Conversas de Raparigas e ao contrário de muitos ouvintes que não gostam e a acham snob eu fiquei fã. Directa, sarcástica, divertida, espontânea, por vezes perdida nos seus pensamentos eu identifiquei-me e continuo a identificar de certa forma com ela. Claro que noutro nível social e cultural, mas com o mesmo turbilhão de pensamentos e a forma crua de ver a vida e os outros.
Tenho vários livro dela e este foi o primeiro a sair da estante. Foi um excelente inicio e confesso que este livro não podia vir em melhor altura. É um livro sobre relações humanas, sobre amor, sexo, paixão, aventuras, desilusões, perdas... tudo numa narração muito próxima do autor e de forma muito crua, sem papas na língua.

Esta é a história de Ana, uma mãe, mulher divorciada que luta pela sua estabilidade financeira e emocional e contra os seus fantasmas interiores. A sua história é cheia de encontros e desencontros e toda a sua desorganização mental e da própria vida tornam a história muito real, próxima de nós. A sua vida pessoal, amorosa e sexual é tema do livro e são histórias do dia-a-dia que podem ser as nossas ou de pessoas bem próximas.
Identifiquei-me imensas vezes nos pensamentos de Ana, sobre o amor, a aventura, os filhos... A relação dela com os filhos é tão próxima do que se vê nos dias de hoje. Criar um filho sozinha(o) é um desafio enorme que muitos que não passam por isso não conseguem entender. Precisamos de tempo para ele, para trabalhar (para que não lhe falte nada), tempo para as relações pessoais e se sobrar, tempo para nós. E quando esse tempo vêm ouve-se aquela vós a chamar por nós e só queremos desaparecer.  
E evolução da Ana ao longo do livro é muito interessante e não esperava aquele final. Foi mesmo à Rita Ferro. E já agora: li o livro inteiro com a sua voz.
Acho que este livro pode inspirar e ensinar qualquer pessoa. Todos amamos, todos erramos mas andamos todos à procura do mesmo.

Este é um livro para reler. Adorei! Pela narração, pelo tema, pela crueza com que aborda os assuntos do dia a dia, por me dizer umas verdades e por me lembrar que somos de carne e osso, que amamos, que sofremos e choramos. Sim choramos!! Mas logo a seguir limpamos as lágrimas e preparamos-nos para as próximas batalhas.
Porque a vida não é para os fracos. E uma mulher não chora!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Opinião - O Renascer das Chamas de Susana Almeida

Este livro não é recomendado a pessoas que têm de se levantar cedo e começam a ler já de madrugada...

Sinopse:
É na Festa da Colheita que os caminhos de Cecília e Laerte se cruzam pela primeira vez. Ao contrário de todas as outras raparigas, Cecília não exibe um vestido bonito, ou prende os cabelos num penteado elegante.Escondida no escuro de um beco, ela observa a festa como uma criança deslumbrada. Mas Cecília não está só, um homem mais velho acompanha-a.
Curioso com o motivo que fez Cecília pedir-lhe ajuda no final da festa, Laerte procura informações sobre o homem que a acompanhava. Informações que acabarão por lhe revelar um segredo que mudará a sua vida.
Perseguidos, Laerte e Cecília lutam para sobreviver, enfrentando os perigos que surgem no seu caminho. Conseguirão eles chegar sãos e salvos ao seu destino?

Opinião:
Este livro incrivelmente viciante narra a história de Cecília, uma jovem que cedo descobriu o quão terríveis podem ser as pessoas mesmo aquelas que deviam proteger-nos. 
Cecília é vendia pela própria mãe a um homem completamente desumano que a torna sua escrava submetendo-a a uma vida de dor e sofrimento. É Laerte que vai fazer de tudo para libertar a pobre rapariga de tanta violência, vivendo com ela uma fuga intensa e angustiante onde a luta pela sobrevivência é uma constante.

Confesso que a primeira impressão que tive do livro foi que se tratava de um livro de fantasia. E pensando num romance fantástico entre o herói e a dama em apuros eu desconfiei um pouco dele. Mas estava tão enganada!!! Tão enganada!! Esta história não tem nada de fantasia e até chega a ser angustiante pensar que pode acontecer a outras crianças... quantas Cecílias existirão por aí??... 
As personagens estão muito bem construídas, os momentos fortes, mais violentos estão muito bem descritos e a narrativa é voraz e intensa. Todo o suspense e violência (física e psicológica) exercida contra a Cecíla passam para o leitor e é impossível parar de ler porque algo está sempre prestes a acontecer.
Já o final... gostei, mas gostaria mais se fosse o que parecia que ia ser :P ;)
ADOREI!

Susana Almeida nasceu em Faro em 1984. 
O seu gosto pela leitura iniciou-se bastante cedo e rapidamente os livros ganharam um espaço essencial na sua vida. 
Aos dezassete anos escreveu a sua primeira historieta apercebendo-se então da sua paixão pela escrita. Apesar de apreciar ler os mais variados géneros literários, no que toca à escrita prefere os géneros de fantasia e romance. 
É autora da trilogia “Estrela de Nariën, uma mistura entre fantasia épica e romance vencedora na categoria “ O Melhor Livro que Li” pelo Clube de Leituras e Fãs do Fantástico e do romance "Renascer das Chamas". 
Entre os seus escritores favoritos encontram-se nomes como: Emílio Salgari, Robert Jordan, Catherine Anderson, Alexandre Dumas, Robin Hobb e George R.R. Martin.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Opinião - Não há aves em Sobibor de João Carlos Máximo

"Eram muitos com fome, com ideias macabras, mas a porta, felizmente, estava ali, muito perto ao nosso alcance. Aquela experiência que fui desenvolvendo e repensando enquanto regressávamos ao esgoto, fez-me perceber o quão comovente era o nosso cenário, porque afinal, uma vez chegados ali, já não podíamos confiar em ninguém, já nem nos nossos podíamos confiar, o instinto animalesco de sobrevivência, esse os nazis quiseram accionar e experimentar em cada um de nós, (...)"

Sinopse:
Aquele que ousa esquecer a sua história, arrisca-se a vivê-la de novo.
Auschwitz era uma cerca de metal ondulando na brisa, era um piano que tocava num tremor desalmado pelas cordas de arame farpado...milhares de claves que me amoleciam o espírito, que me levavam à depressão. As barracas e o sonho da minha infância, levado por Karol e Dragomir.
(Henryk) - "Sobibor? Que lugar é esse? Porquê? O que têm aquelas árvores?"
(Isaac) - "Falta quem lhes dê música. Falta quem as habite. Quem lhes dê vida e movimento."
(Henryk) - "Mas, não há pássaros, aqui?!"
(Isaac) - "Não, filho! E é por isso que eu sei, e que eu tenho a certeza, que não estamos em Auschwitz, mas sim, num outro lugar chamado Sobibor. E é por isso que eu sei que tudo isto tem importância, que tudo isto irá ser lembrado, um dia!"
(Henryk) - "Não há aves em Sobibor?"
(Isaac) - "Não, Henryk. Não há aves em Sobibor..."
A neblina matinal que tarda em desaparecer, os telhados negros, os gorros siberianos, a ausência de natureza, o barulho ensurdecedor das máquinas, as malas dos ciganos na linha do comboio, a primeira cortina de ferro da história da humanidade. O enforcado que subia ao altar, a filha de Rudolf Höss a brincar no alpendre, a marcha dos soldados, as saudações, e tu, Europa, minha bela Europa, que me tocas, que me carregas, que me trazes protegido sob as lonas deste jipe furtivo da Wehrmacht. Talvez, por sorte, talvez, por pouco tempo, fosse possível prolongar aquele diálogo interrompido, lá longe, ainda lá fora, em pleno campo de extermínio de Sobibor.
(Isaac) - "Então, meninos! Querem saber qual é o meu segundo sonho?"
(Erek) - "Porque não usa uma estrela amarela, como nós? Em vez disso, porque tem um triângulo vermelho virado ao contrário?
(Iwona) - "Deixa comigo. Eu depois explico-te."

Opinião:
Este livro conta a história de dois irmãos, judeus polacos, capturados pelos nazis após a invasão das tropas alemãs à Polónia. Vão passar pelo Gueto de Łódź, o Gueto de Varsóvia até serem levados para Auschwitz. Durante este percurso vão conhecendo algumas pessoas que vão viver com eles o medo, a fome e horror dos atentados à sua vida, mas também a luta pela sobrevivência, a bondade e os pequenos milagres que surgem nos piores momentos, pois a esperança é a última a morrer e é importante ser-se óptimista.
É através da história destes irmãos que o autor nos leva numa viagem até ao Holocausto Nazi. 
Com a leitura deste livro ficamos com uma ideia dos horrores vividos por todos os que foram perseguidos, das loucuras megalómanas de um ditador desumano e de uma Europa fria, escura e em guerra. Este livro é uma boa opção para quem quer começar a conhecer este período histórico.

Depois da agradável surpresa com o Para sempre Carcóvia, livro do mesmo autor, estava muito curiosa para ler este livro. Confesso que gostei mais desta obra, talvez pelo tema ser mais conhecido ou por já estar familiarizada com a escrita do João Máximo, a verdade é que eu li com mais entusiasmo, com mais ritmo e em poucos dias.
O autor é possuidor de um vocabulário riquíssimo e isso valoriza a sua escrita. Ainda é assustador olhar para algumas páginas e ver que não contêm parágrafos, mas o ritmo de leitura não se perde, ao contrário do primeiro livro onde senti dificuldade com o narrador e o autor a falar ao mesmo tempo. Bem sei que estas histórias são a via para o autor partilhar connosco a sua experiência, mas por vezes perdia-me um pouco. 
Então fica a dica; se queres iniciar este autor, começa com este livro.

Agora tenho de falar de alguns pontos negativos. É apenas a minha opinião e vale o que vale. 
Embora compreenda que o objectivo principal do autor seja abordar o tema do holocausto e transmitir o que sentiu ao visitar todos aqueles locais (acreditando eu que seja isso), por vezes surgiam diálogos que me pareciam um pouco forçados ou sem emoção. Caramba, aqueles miúdos perderam os pais, estão a viver horrores e eu queria que eles sentissem mais desespero, dor, confusão, luto... o João criou boas personagens e gostei delas, mas faltou-lhes um pouco de emoção. Outro momento que também gostava de ver mais desenvolvido foi a estadia no Gueto de Łódź, acontece tudo muito rápido e Iwona conhece todo o gueto e seu funcionamento de forma imediata.

No geral gostei bastante de ler este segundo livro do João Maximo, onde ele demonstra o seu "amor" ao velho continente, esta Europa tão bela mas também capaz das maiores atrocidades e de um leste que tem os seus encantos mesmo nos momentos mais sombrios.
Gostei também da discreta homenagem que faz ao seu irmão e do momento que dá nome ao livro.
Fiquei cheia de vontade de conhecer melhor esta época histórica e ler mais histórias vividas naqueles locais.

Teria muito mais a dizer sobre o livro mas o texto já vai longo. Espero pelos vossos comentários, incluindo o do João Máximo, pois seria importante para esclarecer alguma dúvida ou lapso da minha parte.
Quanto a ele, desejo o maior sucesso e que continue a escrever. Fico à espera de novidades.

Boas leituras!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Opinião - A Revolução da Mulher das Pevides de Isabel Ricardo

"Europa, ano de 1807.
No antigo continente abatera-se um terrível furacão que estava a arrasar tudo à sua passagem. Napoleão Bonaparte. Este homem estava decidido a tornar-se imperador do mundo e para isso precisava de calcar aos seus pés todos os reinos que lhe fizessem frente."

Um por um, os reinos iam caindo derrotados e conquistados por Bonaparte...
Mas será que as suas tropas tiveram vida fácil em terras lusitanas...?

Sinopse:
Os exércitos de Napoleão ocupavam Portugal. Uma mulher, armada apenas da sua beleza e argúcia, vai despoletar a revolução para os expulsar 

Perante os canhões e as balas dos exércitos franceses, Ana Luzindra só tinha uma arma: a sua beleza. Mas a beleza também pode ser mortal.

A Revolução da Mulher das Pevides transporta-nos para os anos de terror das invasões francesas. A morte e a crueldade marchavam lado a lado com os exércitos veteranos de Napoleão. E enquanto a Família Real fugia para o Brasil, o povo ficava para suportar todo o tipo de humilhações.
Na vila da Nazaré, Ana Luzindra é parteira de profissão e uma mulher simples. Para fazer frente aos canhões e balas dos franceses só tem uma arma: a sua estonteante beleza. Atraindo-os, um a um, para a morte na calada da noite, a jovem inspira toda uma comunidade e pegar em pedras e paus para expulsar os invasores.
A Revolução da Mulher das Pevides, expressão da Nazaré que significa “algo insignificante”, foi tudo menos isso: pelo sobressalto que pregou aos franceses, e pela posterior vingança desproporcionada que estes praticaram sobre a Nazaré, acabou por ser um dos momentos mais importantes da invasão, e inspiraria o longo e árduo caminho dos portugueses e aliados até à derradeira vitória sobre as tropas do temível Napoleão.

Recorrendo a uma pesquisa exaustiva, Isabel Ricardo oferece-nos um bilhete para um dos períodos mais importantes da História de Portugal.

Opinião:
Depois da leitura de "O Último Conjurado" ( podem ler a opinião aqui) a expectativa para esta leitura era muito alta e a Isabel Ricardo não desiludiu em nada. Já esperava gostar do livro pois a escrita da autora é viciante, mas o que me agradou mais foi a dedicação, a pesquisa e o rigor histórico da obra. 
Claro que são as personagens e as suas vivências que fazem o livro, mas gostei muito da parte histórica, as estratégias dos países envolvidos na invasão, as batalhas mais importantes, as datas, os lugares, o número de soldados envolvidos, etc.. 
Não vale a pena falar muito sobre a história em si pois a sinopse é bem explicita. Vou apenas destacar o que mais me agradou na obra.

Destaco em primeiro lugar o povo nazareno, com o seu dialecto característico, desconhecido para mim e que me divertiu imenso ao longo da leitura 
"-É verdade, Tonhe. P'ra mal dos nossos pecades... Esses coirões desgraçades invadiram-nes. Mar os assombrasse!"
"-Este ataque, este tife negral, vai-me inchamardear a roupa toda..."
"-O Francês ' tava arreade com' ós porques!... Saiu daqui aos trepeções e continuou assim na rua, Pra onde é q' ele foi na faç' idéa..."

E as pragas de Joana de Estopa...
"-Mar t' assombrasse!"
"-Vai t'atirar do suberc' abaixe!"

As personagens são de facto um ponto forte mas esperava mais de algumas como é o caso de Ana Luzindra. No entanto outra personagens feminina acaba por ganhar importância e protagonizar um dos momentos mais surpreendentemente cruéis da história. Ainda 'tou aqui assetuada! Esse episódio veio mostrar que a autora consegue ser tão cruel como bem humorada, e é de salientar o equilíbrio que existe ao longo do livro entre todos os momentos divertidos e trágicos, não há mudanças bruscas, as coisas simplesmente vão acontecendo.
Não consigo escolher uma personagem favorita ou a que mais se destaca, pois vão ganhando visibilidade com o desenrolar dos acontecimentos. A Joana de Estopa divertiu-me tal como as crianças, tive um fraquinho pelo Diego, gostei do Rodrigo mas os ciúmes estragaram tudo, a Ana Luzindra começou bem mas depois perdeu-se um pouco... Na verdade o grande protagonista desta história é mesmo este povo nazareno (português) que tudo fez para complicar a vida aos invasores e para defender as suas terras, os seus pertences, o seu reinos e a sua própria vida. 

O rigor histórico traz-nos todos os acontecimentos e protagonistas da Primeira Invasão Francesa, desde os planos de Bonaparte para nos invadir, a aliança com Espanha, locais, datas e resultados das batalhas e a saída das tropas francesas do nosso reino, com a colaboração dos nossos aliados Ingleses, que não foram assim tão amigos no final de contas. Aquela negociação podia ter sido mais vantajosa para Portugal.

Isabel Ricardo consegue de uma forma muito criativa dar-nos a conhecer mais um momento histórico de Portugal. 
A dedicação e empenho na pesquisa histórica é bem visível e o facto da maioria das personagens nazarenas terem de facto existido, sendo algumas antepassados da própria Isabel, torna o livro ainda mais especial.
Grande homenagem, excelente romance histórico e grande escritora.
Um livro cheio de emoções, com toque de humor e horros. Ainda " 'tou aqui assetuada!" =)
Excelente aposta da editora Saída de Emergência.

Não deixem passar o oportunidade de ler este romance, esta história de amor à pátria por um povo que não se deixou cair aos pés do brutamontes Napoleão Bonaparte. As invasões francesas foras as mais bárbaras de sempre, estes soldados foram cruéis, impiedosos e implacáveis, mas nem sempre...

E vocês já leram? O que acharam?

Beijinhos e boas leituras!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Opinião - O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald

"Quando eu era mais novinho, e mais vulnerável, o meu pai deu-me um determinado conselho que ainda hoje me anda às voltas na cabeça.
- De cada vez que te apetecer criticar alguém - disse-me -, lembra-te sempre de que nem toda a gente neste mundo gozou algum dia das vantagens que tu tens tido."

****
E foi justamente nas primeiras linhas, no primeiro parágrafo, nos primeiros segundos de leitura... que este livro me agarrou.

Sinopse

Justamente considerada uma das mais importantes obras de ficção do século XX, O Grande Gatsby é um retrato notável da era dourada do jazz em toda a sua decadência e excessos. Pelos olhos do provinciano Nick Carraway, conhecemos a história do misterioso Jay Gatsby, um milionário que subiu na vida a pulso, movido pela paixão quixotesca que nutre pela jovem Daisy, uma rica herdeira bela e frívola. A sua obsessão por ela fá-lo reinventar-se para por fim poder reclamar a sua amada, numa autêntica encarnação do sonho americano. Porém, o reencontro de ambos acaba por desencadear uma série de acontecimentos trágicos, com Gatsby a ser vítima não apenas da sua ambição, mas da insensibilidade e falta de valores que imperam na sociedade americana da época.

Gatsby é um tipo misterioso e cheio de dinheiro que mora numa mansão onde dá imensas festas. Nick, jovem educado e vizinho de Gatsby é primo de Daisy que mora no outro lado da ilha e é casada com Tom Buchanan. Daisy é rica, Tom também e tinham tudo para dar certo, não fosse Tom levar demasiadas vezes o carro à oficina e Daisy não ter casado por amor. Estranho, mas já vão perceber...
O que não se sabe ao inicio é que Daisy e Gatsby tiveram uma caso antes desta conhecer Tom, mas Gatsby era pobre e Daisy precisava orientar a vida (LOL). 
Ora Gatsby era pobre mas não era burro e sempre sonhou alto, quis subir na vida e conseguiu. Mas faltava o grande amor da sua vida... 
Que coincidência ter comprado uma mansão justamente ao lado da humilde casa do primo da sua amada! Gatsby não perde a oportunidade de se aproximar de Nick para conseguir chegar a Daisy e daí acaba por surgir uma amizade verdadeira, porque Tom é correcto, é educado e não julga ninguém antes de conhecer verdadeiramente.
Os planos de Gatsby acabam por dar certo e chega enfim o tão esperado reencontro. Gatsby percebe que ainda ama Daisy como no passado e Miss Buchanan ao ver a casa de Gatsby repara que se tivesse esperado um pouco mais teria casado com um MEGA-MULTI-MILIONÁRIO em vez de um tipo rico ( buá, buá, buáaaaa, ora toma lá :P).
Depois temos romance, bebida, carros, revelações e TRAGÉDIAS... (daquelas de fazer parar a leitura para respirar e recompor as ideias) 

Esta história narrada por Nick é um genial romance que se lê em poucas horas. O par romântico e tudo o que se desenrola à sua volta é bem cliché, mas a forma como é narrada a história, os diálogos, o retrato social e todo aquele final surpreendente e cheio de "dicas" fazem deste livro um genial clássico norte-americano. Scott Fitzgerald conseguiu retratar muito em poucas páginas e escrever uma história cheia de imprevistos. Eu achava sempre que já sabia o que ia acontecer e adorei errar tantas vezes. 
Atribui 4* no Goodreads quando terminei a leitura, mas depois de reflectir e escrever sobre ele, fui modificar e juntei mais uma estrela. É uma história cheia de personagens que vou recordar por muito tempo e um grande regresso às leituras por isso tornou-se um livro marcante.

Imaginem só, que eu quis ler este livro quando surgiu o filme e depois de ter visto isto...
Deus vê tudo e eu também! <3
Só vi isto sobre a adaptação cinematográfica.
Felizmente não vi o filme, nem o homem aranha e consegui dar a Tom um ar agradável e respeitável xD
Eu interessei-me pelo livro da maneira mais parvinha e fútil, mas foi isso que me fez descobrir um excelente clássico, um novo autor para conhecer melhor e personagens que não irei esquecer.
Vale muito a pena ler, O GRANDE GATSBY.

E vocês já leram? O que acharam? 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Opinião - Para sempre Carcóvia de João Máximo

"(...) Era eu que estava ali, sentado a olhar. E pela primeira vez na minha vida eu sentia forças invisíveis, a elevar-me cada vez mais alto, até ultrapassar as montanhas, os montes e as colinas, até ultrapassar as cidades, as vilas, e as pequenas povoações, que via desaparecer aos poucos, debaixo de mim. Tudo ia ficando cada vez mais pequeno.(...)"

Sinopse:
Pequenas névoas espalhadas no céu. E um tipo de peugada assim, eu conheço… e só podia ser feito por aqueles bombardeiros que vinham desde a Heldenplatz, até aqui.
(senhora) – És alemão? Há muito tempo que não via um alemão por aqui.
(Kurt) – Não. Sou austríaco. Nasci na Áustria, que faz fronteira com a Alemanha.
(senhora) – Engraçado. Pensava que a Áustria fazia parte da Alemanha.
(Kurt) – Fez em tempos, sim. Mas agora já não.
(senhora) – Chamo-me Urszula. Prazer em conhecer-te.
(Kurt) – Percebo. E viveu sempre aqui? Do que vive ou o que é que faz aqui, se é que posso saber? É casada? Tem filhos? Os seus netos costumam vir vê-la?
(Úrsula) – Não, rapaz. Nunca me casei. Como me podia casar se não há aqui ninguém?
(Kurt) – Percebo. Mas está informada, certo? Tem televisão? Ou rádio? Lê jornais? Sabe o que se passa no mundo?
(Úrsula) – Vou sabendo o que se passa, pela televisão… Tenho-a há uns anos recentes, juntamente com o telefone e a luz. A vida desde a independência mudou por aqui, e para melhor, tirando a paisagem. Este lugar era ainda mais bonito antes da guerra.
(Kurt) – Ainda mais bonito? Este lugar é lindo, minha senhora. Olhe só para este céu, veja como é belo e espaçoso.
(Úrsula) – Sim. Não há um céu como este…

Opinião:
Mais do que um romance, este Para Sempre Carcóvia é um retrato poético de um lugar que marcou imenso o autor. Uma dedicatória de cerca de 500 páginas a um lugar especial. João Máximo leva-nos numa viagem até Kharkiv, Ucrânia.
A história centra-se na relação entre o avô Lenine e o seu neto Kurt com o conflito de gerações e as experiências porque passam, mas o mais interessante são as reflexões, memórias e descrições do autor.
Logo no inicio somos surpreendidos com uma escrita poética e muito cuidada que nos cativa. Depois ao longos da história temos diálogos ou reflexões sobre a sociedade, religião e passado histórico que nos fazem pensar também. Se juntarmos a isso factos históricos e um retrato de um local que passou por tantas transformações, temos mais do que razões suficientes para não largar este livro.
Gostei da forma como o João nos apresenta as personagens e da sua importância nos momentos mais marcantes, mas fiquei triste por uma, pois esperava mais do Taras. A minha personagem favorita sem dúvidas é Lenine, um homem de outro tempo e fiel aos seus valores, muito marcante. 
Também me impressionaram alguns factos históricos, como a guerra e os campos de trabalho forçados, algo que só imagino na 2ª Guerra Mundial mas que se passou há pouco mais de duas décadas. 
Por fim... Se o inicio o livro me deixou cheia de entusiasmo e sorriso feito, o final deixou-me totalmente arrebatada. Algo inesperado acontece e ao mesmo tempo algumas peças que perdi no meio da história entre tantas descrições e reflexões, encontram o seu lugar e tudo faz sentido.

Esta é uma obra que requer tempo, pois apesar da escrita cuidada e rica, a leitura nem sempre tem o ritmo que desejamos, temos de nos deixar embalar. É um livro que recomendo a todos.
João Máximo é um jovem cheio de talento, muito culto e viajado. Para sempre Carcóvia, lançado em 2013 é o seu primeiro livro e este ano lançou Não há aves em Sobibor, minha próxima leitura.

João Carlos Máximo nasceu em 1988, na localidade de Unhais da Serra, concelho da Covilhã.
Foi músico de Saxofone Alto e atleta federado. João Carlos Máximo é Licenciado em Ciências Biomédicas, pela Universidade do Algarve, desde 2009. Em 2012, foi finalista da iniciativa “O meu movimento – Não tenho que emigrar para me formar”, concurso promovido pelo Governo de Portugal.
Nestes últimos anos passou por vários países dos continentes Europeu, Africano e Asiático.
Hoje em dia, frequenta o curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Beira Interior, e é colaborador do Jornal “Correio de Unhais”, sendo o autor de uma crónica mensal, intitulada “O Mundo”.

Boas leituras!




domingo, 11 de outubro de 2015

Opinião - O que é o quê de Dave Aggers

Este livro é o relato emotivo da minha vida: desde a altura em que fui separado da minha família em Marial Bai, abarcando os treze anos que passei em campos de refugiados etíopes e quenianos, até ao meu encontro com a cultura ocidental.
Era apenas um rapaz quando a guerra civil sudanesa começou, uma guerra que matou dois milhões e meio de pessoas. Sobrevivi atravessando muitas paisagens rigorosas ao mesmo tempo que era bombardeado pelas forças aéreas sudanesas, me esquivava a minas terrestres, era perseguido por animais selvagens e assassinos humanos. Alimentava-me do que colhia e, durante dias seguidos, não comi nada. As dificuldades eram insuportáveis. Tentei tirar a minha própria vida. Muitos dos meus amigos e milhares dos meus conterrâneos não sobreviveram a estas tribulações.
Este livro nasceu do desejo por parte do autor e meu de estender a mão a outros e ajudá-los a compreender as atrocidades que os governos do Sudão cometeram antes e durante a guerra civil. Com esse objectivo contei a minha história ao autor. Ele engendrou então este romance, aproximando a voz do narrador da minha própria voz e usando os acontecimentos da minha vida como base. Uma vez que muitas das passagens são ficcionais, o resultado toma o nome de romance.
Valentino Achak Deng

Esta é a história de Valentino Achak Deng, que como muitos africanos para fugir à morte e em busca de sonhos fazem viagens inimagináveis.

Sinopse:
Esta é a história da extraordinária capacidade de um rapaz para suportar atrocidade atrás de atrocidade e ainda assim recusar-se a abandonar a decência, a amabilidade e a esperança de encontrar um lar e uma vida digna.


“O que quer que faça, seja como for que encontre uma forma de viver, contarei estas histórias. Falei com cada pessoa que encontrei nestes últimos e difíceis dias e com cada pessoa que entrou neste clube durante estas terríveis horas matutinas, porque fazer outra coisa que não isto seria algo menos que humano. Falo com estas pessoas e falo consigo porque não consigo evitá-lo. Dá-me força, uma força quase inacreditável, saber que está aí. Cobiço os seus olhos, os seus ouvidos, o espaço entre nós. Como somos abençoados por nos termos um ao outro! Eu estou vivo e você está vivo, por isso temos de encher o ar com as nossas palavras. Fá-lo-ei hoje, amanhã, cada dia que Deus me leve até ele. Contarei histórias que outras pessoas escutarão e a pessoas que não querem escutar, a pessoas que me procuram e àquelas que fogem de mim. E durante todo esse tempo saberei que está aí. Como posso fazer de conta que não existe? Seria quase tão impossível como você fazer de conta que eu não existo.”

Começo por utilizar as últimas palavras deste livro, por resumirem de uma forma quase poética o essencial deste e de outros livros, que é contar histórias. Dar-nos a conhecer outras culturas, outros lugares e outros pontos de vista.
Este traz-nos o ponto de vista de um sudanês adulto refugiado nos EUA, sobre o choque cultural e das dificuldades de integração na nova sociedade. Mas a sua história começa muito antes, na sua infância com a perda dos seus pais, da sua aldeia e com a fuga para salvar a sua própria vida.
Numa altura em que somos bombardeados todos os dias na televisão e nas redes sociais com a questão dos refugiados, este e outros livros podem ajuda-nos a ter uma perspectiva do outro lado da história. E todos sabemos que para se fazerem boas escolhas temos de conseguir ver as duas partes. Por isso leiam e façam as vossas escolhas!

Opinião de Margarida Ribeiro.

Espero que tenham ficado tão entusiasmados para ler como eu. A Margarida tem-me falado de forma tão entusiasmada deste livro, que é impossível não ter vontade de ler. É uma edição de 2009 e penso que não será fácil encontrar, mas se o encontrarem apostem nele, pois trata-se uma história incrível e inspiradora e um tema bastante actual. É um romance porque tem algumas passagens ficcionais, mas baseia-se num relato verídico. É uma história que nos vai fazer pensar.

Boas leituras

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Opinião - puta que pariu o amor de Lady Mustache e Sara-a-dias

"Quando a alma de um camionista se apodera do corpo de uma princesa, dá nisto"

Nisto o quê? Perguntas tu... 
Umas belas gargalhadas!!!

Para quem ainda não sabe sou uma pessoa de sorriso fácil apesar do "mau feitio" e sou muito fã de humor, todo tipo de humor incluindo o humor negro. 
Embora a tendência seja para dizer que há coisas com que não se brinca eu acho que o ser humano deve ter capacidade para rir de tudo e não levar uma piada, mesmo que nos toque de certa forma, como uma ofensa pessoal. Não quero discutir aqui limites para o humor mas quem não riu já com uma piada sobre mortes ou doenças, ou outro assunto "sério".
Não tenho vergonha de assumir que me divirto com algumas piadas de "mau gosto"... depois no fim fico em silêncio e com ar de criança que acabou de dizer um palavrão e tem 50 olhos reprovadores em cima, mas acontece e o humor existe para tocar nas feridas e nos assuntos tabus. Serve para nos chocar e entreter e não deve ser levado a peito. 

Lady Mustache é uma das personagens que mais me diverte e choca no Facebook. Conheci a Lady Mustache na mítica Prova Oral, programa da Antena 3 apresentado por Fernando Alvim quando esta foi convidada a apresentar o seu livro com a Sara-a-dias (ilustradora). Foi dos programas que mais me fez rir. Gosto de ouvir uma mulher falar de tudo sem papas na lingua, a chamar as coisas pelos nomes e sem medo de dizer palavrões. ( ok, com isto perdi mais alguns seguidores, mas os que ficam são os melhores \o/ adoro-vos!!) Também os digo, também sou desbocada, mas sei o meu lugar e não ofendo ninguém.

E se não tens problemas com linguagem obscena e verdades esfregadas na cara este livro é uma boa aposta para ti.

Lady Mustache com a colaboração Sara-a-dias lançou um livro com uma temática que nos toca a todos, o AMOR... esse sentimento cheio de mel e fel que nos deixa a todos... estúpidos??? 


Este pequeno livro editado em fevereiro de 2014, está cheio de pequenas observações sobre o amor, relações amorosas e seu intervenientes. 
Com uma linguagem não aconselhada aos mais sensíveis Lady Mustache mostra-nos o lado mais negro e verdadeiro deste sentimento que é capaz de nos deixar completamente irracionais. O amor, é estúpido, é fodido, é um vicio, é piroso, é cego, é cobardia e é mentiroso e todos estamos sujeitos a provar deste veneno, com consequências para a vida inteira. 

É um livro para ler numa tarde de mau humor, é remédio para a tristeza e acredito que seja capaz de tirar algumas alminhas do armário. 

Adorei ler, já o esperava há uns meses e não me desiludiu nada. Isto é Lady Mustache! 
As ilustrações de Sara-a-dias fazem todo o sentido e são igualmente divertidas. 



Divirtam-se e boas leituras!!





quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Opinião - Não queiras ser perfeita de Jessica Athayde

"Acredito que podemos fazer muito por nós se tivermos atenção àquilo que comemos, se tratarmos do nosso bem-estar, sem nos esquecermos de sermos felizes. Neste livro partilho as minhas escolhas, o meu caminho, aquilo que resulta comigo. E que espero que faça sentido também para ti."

Sinopse:
Aos 24 anos, depois de ter chegado ao meu limite e ter acabado num hospital, decidi fazer as pazes com o meu corpo e reaprender tudo o que sabia sobre alimentação, exercício físico e saúde emocional. Decidi mudar e optei por tornar-me mais saudável e forte, pois isso só depende de mim. No entanto ser saudável não é sinónimo de 0% de gordura, abdominais definidos ou um peso-pluma, mas antes de um corpo forte e nutrido, que cuidamos e respeitamos, independentemente da sua forma. Descobri o poder dos alimentos e dos super-alimentos, o que os sumos verdes, a dança, a meditação ou os amigos podem fazer por mim. Se por um lado somos o que comemos, a verdade é que o corpo reflete o grau de movimento que lhe oferecemos. 

Depois de ter começado a ouvi-lo e a dar-lhe o que me pedia ganhei uma auto-estima que desconhecia. Mas sermos responsáveis pela nossa saúde física e mental não é só comer bem e mexer o corpo; é cuidarmos dos nossos pensamentos, do nosso coração e da forma como eles se alinham. “Não queiras ser perfeita, mas faz o melhor por ti…” é um dos meus lemas de vida, uma frase que repito constantemente. Acredito que podemos fazer muito por nós se tivermos atenção àquilo que comemos, se tratarmos do nosso bem-estar, sem nos esquecermos de sermos felizes. Neste livro partilho as minhas escolhas, o meu caminho, aquilo que resulta comigo. E que espero que faça sentido também para ti.

Opinião:
Este é daqueles livros que me chegam na altura perfeita. Cansada de ver a roupa a rebentar pelas costuras, cansada da imagem que o espelho me transmitia e de me sentir pesas e triste, resolvi mudar os meus hábitos alimentares e com isso algumas rotinas diárias que só me vieram trazer mais energia e saúde.
O livro da Jessica é altamente inspirador para quem quer fazer essa mudança. Ela conta-nos de forma muito simples e descontraída como decidiu olhar mais para si e cuidar-se. Fala principalmente como consegui superar as suas crises de ansiedade que tanto a perturbavam no seu dia a dia. 
Fazer as pazes com o nosso corpo trás-nos leveza e alegria e mudar para um estilo mais saudável não é assim tão difícil, basta ser mais forte do que a vontade de desistir.
O texto vem acompanhado de receitas e truques que resultam com ela e tem um capítulo dedicado aos tão falados superalimentos. Esteticamente é um livro bonito, cheio de fotos dela, algo que me agradou bastante porque simpatizo com ela há bastante tempo.
Gostei muito de ler este livro, não quero ser perfeita mas faço o melhor por mim e tem resultado, retirei alguns conselhos e de vez em quando ainda espreito algumas páginas. Façam a mousse de chocolate, eu experimentei e gostei =)

Já alguém leu? 

Beijinho e boas leituras!!



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Opinião - Seu Moço de Patrícia Pirota

"Esse livro é dedicado a todas aqueles que, como o Seu Moço, às vezes precisam de alguém para lhes lembrar de que a força que tanto procuram está dentro de si mesmos."

É assim que Patrícia Pirota "professora por formação e de coração, blogueira por acaso, youtuber desastrada, tuiteira e instagrammer entusiasmada" nos apresenta Seu Moço, o seu primeiro livro editado.

Sinopse:

Seu Moço, é uma parte de todos nós. Dizem por aí que são conselhos, terapia, poesia, afago pra alma, pílulas de delicadeza...
No fundo, são apenas conversas despretensiosas – daquelas na rede da varanda, com uma xícara de café fresquinho e uma brisa boa nos acariciando o rosto - entre aqueles que estão aprendendo a viver.
A vida fica muito mais bonita quando temos companhia. Junte-se você também a nós.

Seu Moço, começou por aparecer na forma de Tweets, pensamentos, que a Patrícia partilhava no seu Twitter pessoal e mais tarde levou para o Instagram. Seu Moço foi ganhando vida e rosto, e com o tempo tornou-se poesia que agora se encontra reunida neste livro.

Foi no Instagram que conheci o Seu Moço. Seguidora atenta da Patrícia Pirota, a youtuber e bloguer que me fez criar o meu próprio blog e apaixonar pela literatura, estava sempre à espera de novas partilhas e quando surgiram os primeiros textos fui logo cativada. Identifiquei-me com aquelas palavras e de certa forma reconfortavam-me. 

"Seu Moço,
Um dia ruim não justifica uma vida ruim.
O tempo é cortado em retalhos pra que a gente possa costurar só aqueles que nos fazem bem."

Patrícia Pirota:Nascida em 1982, em Dourados-MS, Brasil, aprendeu desde cedo que é necessário olhar a vida com os olhos coloridos de poesia, e que as palavras podem ser nossa salvação.
Descobriu-se escritora quando a sua voz e sua coragem não se fizeram suficientes. Escreve por amor e por necessidade de botar a alma pra passear.
Professora por formação e de coração, blogueira por acaso, youtuber desastrada, tuiteira e instagrammer entusiasmada, compartilha na rede seus sentimentos, pensamentos e, principalmente, seu amor pela palavra, pela Literatura e pelas Histórias em Quadrinhos.

Seu Moço por Patrícia Pirota

Este é daqueles livros que fechamos com um sorriso no rosto, daqueles que deixamos na mesinha de cabeceira para abrir ao acaso antes de deitar e nos aconselhar-mos... e fazer as pazes com a vida.
Não percam! 

Boas leituras =)

domingo, 19 de abril de 2015

Opinião - O Feiticeiro de Oz de L. Frank Baum

Esta é mais um leitura do meu desafio anual Um clássico por mês.

Sendo este o meu segundo clássico, o plano não correu como previa... Metade cansaço, metade preguiça, as minhas leituras estas semanas arrastam-se dias e dias e não tenho lido grande coisa. Espero estar em forma brevemente.
Para já trago uma história bem conhecida por todos.


Sinopse:

Um clássico da literatura infantil com as ilustrações originais de W. W. Denslow

Uma obra que, desde 1900, tem provocado a admiração e a alegria de sucessivas gerações, tornando-se um clássico da literatura infantil norte-americana, porque faz reviver todos os temores e deliciosas fantasias do mundo de sonhos das crianças.
Dorothy, que vive no Kansas, é arrebatada por um ciclonee que a deposita no país encantados Munchkins. Aqui, ela encontra as famosas personagens de Oz: o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Cobarde. As aventuras, que em conjunto têm ao longo da Estrada dos Ladrilhos Amarelos, a caminho da Cidade das Esmeraldas, possuem toda a riqueza e encanto do clássico conto de fadas.
Em 1939, Victor Fleming realizou o inesquecível filme com base nesta obra, que proporcionou a Judy Garland, então com 17 anos, um Oscar de interpretação. Um filme musical de fantasia que celebrizou Judy Gardland, sobretudo quando canta a famoso Over the Rainbow (No Fim do Arco-Íris).

Opinião:

A história dispensa mais apresentações e penso que não vale a pena contar mais sobre o enredo.

É uma história infantil, onde tudo acaba sempre bem. Apesar de ser uma história menos moralista consigo encontrar algumas lições subtis, mas não com a grandiosidade de outras obras. Não me acrescentou nada e a certa altura lembrou-me um pouco Alice no País das Maravilhas, livro que não gostei muito apesar de ser adorado por muita gente. Este Feiticeiro de Oz também não me cativou, acho que estou a ficar careta de mais para ler histórias onde tudo corre sempre bem.Achei a escrita muito fraquinha e é nestas alturas que gostava de ler em inglês para poder confirmar isso.
É uma histórias para crianças, mas não trouxe de volta a minha. 

Título original: The Wonderful Wizard of Oz
Tradução: Engº Mesquita de Abreu
Colecção: Livros de Bolso – Série Grandes Obras
Pp.: 156
Formato: 11,5 cm x 17,6 cm
ISBN: 978-972-1-00871-7
Data de edição: 1985

Agora tenho cerca 10 dias para ler o clássico de abril e espero não falhar. O que sugerem?  

quarta-feira, 25 de março de 2015

Opinião - O Pijama da Gata de Pat R

Olá!
Há umas semanas fui desafiada pelo Fiacha a ler O Pijama da Gata da Pat R. 
Enviou-me o contacto da autora, estabelecemos esta pequena parceria e dias depois chegava a casa o livro. 
Deixo aqui a minha opinião.


Sinopse:

O Pijama da Gata segue o encontro de Jonah e Crystal Philips num ambiente nostálgico da Jazz Age. Os dois conhecem-se em Paris, quando Jonah decide ver a peça Cat’s Pajamas, protagonizada pela magnífica atriz. De volta a Nova Iorque e deslumbrado com a sua beleza, desenvolve um desejo obsessivo, que rapidamente o começa a assombrar. A expectativa e a apreciação por um futuro idealizado que nenhum deles realmente prevê, consome-os no seu presente. A atração instintiva dos dois, conduz-los a um quarto de motel que começa a adquirir as características visuais da sua paixão, marcada por uma sensação de efemeridade, que se vai arruinando progressivamente até ao declínio final.

Opinião:

Como a sinopse indica, estamos perante uma história de amor obsessivo. Eu diria mesmo doentio... 

Crystal Philips é uma actriz de sucesso, cheia de trabalho, energia e admiradores. Talentosa, dona de de um corpo invejável e muito profissional, Crystal não passa indiferente a ninguém. A peça Cat’s Pajamas faz sucesso em Paris e é numa das apresentações que Jonah, um músico profissional de férias com a namorada em França, se deixa enfeitiçar por aquela mulher sensual e cheia de personalidade.

Jonah e Crystal acabam por se conhecer ainda em França, mas é mais tarde já em Nova Yorque que o desejo fala mais alto e acabam por se encontrar. O que podia ser uma série de encontros momentâneos, pedaços de um prazer efémero, torna-se uma obsessão que os vai levar ao declínio. Jonah vive perturbado receio de perder a sua namorada, o seu suporte e o desejo que sente pela actriz. Já Crystal vive o dilema de não se conseguir distanciar da sua nova personagem e o fracaço por não saber lidar com os  seus sentimentos.

É esta história de "amor" doentio que Pat R nos conta de forma muito directa e crua.
Gostei muito da forma como descreveu as personagens principais, fisica e psicologicamente. Crystal aparece muito forte logo ao início e agradou-me bastante, mas ao longo da história foi-me desiludindo, o que não é mau de todo pois penso que era essa a ideia da autora. A autora trabalhou muito bem a evolução psicológica deste casal, e como leitora senti o aquele turbilhão de emoções com eles. O final é mais ou menos previsível, mas a história é cheia de casos e alguns surpreenderam-me.  

Um ponto negativo que aponto, e numa opinião muito pessoal é o facto da leitura a meio se tornar um pouco repetitiva, cansou-me a constante descrição dos corpos das personagens e do ambiente melancólico. Isso atrasou um pouco o ritmo de leitura e durante uma série de páginas eu só queria que as coisas mudassem, que acontecesse algo diferente que mudasse o rumo da história. 

Gostei da Sarah (namorada de Jonah) e gostava que tivesse um papel mais activo na trama.O livro foca-se basicamente no relacionamento de Jonah e Crystal. 

É um livro que pode não agradar a toda a gente, mas tenho a certeza que alguns leitores se vão identificar com os personagens, pois é uma situação que pode acontecer a qualquer um. Quem não ficou já doente de amor? 

"(...) O truque para a solidão era passar muito tempo dentro da sua cabeça. Crystal pretendia projetar-se e, no espelho colocado diante da cama, viu-se refletida na companhia de alguém de figura igual à sua, que a protegia.

"(...) Via-se como um homem puro que era contaminado pelo pecado e que não tinha forças para expelir, que se rendia desesperado às loucuras imediatas de um longo par de pernas e dois olhos muito claros e cativantes. Sabia que isto o forçava a ser muito pouco para Sarah e a carência de inteligência que essa rendição ao desejo simbolizava era-lhe totalmente ilógica,  mas cada vez mais familiar.  

Tenho de dar os parabéns à Pat R pela forma cuidada como escreve. Gostei imenso da sua escrita e de todo o cuidado que teve com a edição do livro, desde o tipo de papel, o tipo de letra, as ilustrações, tudo feito com muito rigor. 
O livro está repleto de referências musicais, o que nos permite imaginar uma banda sonora para a leitura. 

Classifiquei o livro com 3 estrelas no Goodreads, pela história em si, mas isso é apenas a minha opinião pessoal. O livro está muito bem escrito e como referi a escrita da Pat R é muito simples mas rica, muito cuidada, vale a pena ler.

Espero que a Pat R continue a escrever e desejo o maior sucesso.

  


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Opinião - A Cativa de Manuel Alves

Manuel Alves é sem dúvida um dos meus escritores favoritos!
Versátil, talentoso e bem humorado, Manuel já se tinha revelado um inventor dos diabos e mais uma vez a sua imaginação e ambição surpreenderam-me. 
Esqueçam o Manuel fofinho, este é um demónio, capaz de deixar um leitor à toa sem dó nem piedade. 

Sinopse: 
Selvagem, druida, assassino, rei… Wulfric teve muitas vidas. É o Mestre mais antigo, dono de um antiquário contíguo a uma igreja, um ponto de convergência entre mundos, o que faz dele também porteiro. Uma rebelião ameaça abrir uma passagem entre a Terra e o Inferno, e ele provavelmente terá de assassinar o responsável. Lúcifer. Teria sido mais simples matar a Cativa, duzentos anos atrás.

Esta história tem anjos, demónios, fadas, lobisomens, marinheiros russos, traições, pedras preciosas que são mais do que jóias, um crucifixo que sangra, pelo menos uma sociedade secreta, Lúcifer, Mefistófeles, um marquês que foi para o Inferno e se transformou num demónio nu e, é claro, Wulfric, o Mestre que vive com uma maldição aprisionada no sangue.

Opinião:

Este não é um livro de leitura fácil. O Manuel quis criar algo mais complexo que o habitual e foi bem sucedido. Foi ambicioso e isso agrada-me bastante, mas não estava preparada para este choque. 
Se ainda não leste nada do autor ou não estás habituado a leituras mais complicadas não aconselho este livro para já, pois podes ser tentado pelos demónios a abandonar a leitura e a perder uma excelente oportunidade de visitar o céu e o inferno, literalmente. Mas, recomendo vivamente todos os outros livros anteriores do Manuel! Depois volta e descobre este personagem enigmático, Wulfric.

Não vou adiantar muito sobre a história porque o desafio que o Manuel nos coloca é desvendar todo o enredo ao longo da leitura e assim dissipar todas as nossas dúvidas e confusões (que ele provoca). 
Criou um puzzle, desmanchou, atirou para cima da mesa e disse "AGORA DIVIRTAM-SE!" 

Confesso que terminei o livro ainda um pouco confusa. Este é o primeiro volume de 5, e então é suposto que fiquem várias pontas soltas para amarrar só nos volumes seguintes. Ou isso, ou não li este livro numa fase boa e o problema é mesmo meu. 

A Cativa, dá o nome ao volume, mas gostava que tivesse sido mais explorada (na verdade foi, literalmente, pelos demónios). Tem um papel importantíssimo na história, mas gostava que tivesse aparecido mais.
Wulfric, o Mestre Lobo é um excelente personagem, gostei bastante dele. Sábio, misterioso, sarcástico, manipulador... é o Mestre de Gervas, um pupilo, muito interessado em aprender e seguir os seu mestre. Pobre Gervas! No meio de lições de filosofia, teologia e de vida, deixa-se cativar, apaixonar e a sua atitude incontrolada vai ter consequências muito graves. Gostei muito do Pupilo e do seu crescimento como personagem.
Lúcifer, o Diabo é-nos apresentado de uma forma muito original, quase humano. Deixa-nos dúvidas acerca da sua maldade. Lúcifer pode não ser um verdadeiro demónio e o inferno talvez não seja nos confins da Terra. Gostei da forma como o Manuel tocou nestes assuntos, das verdades que nos impingiram ao longo da história.
Tinha bastante vontade de conhecer Mefistófeles e as suas manhas, mas neste livro não me cativou nada e talvez essa seja a minha maior desilusão.

Tenho de dar os parabéns ao Manuel Alves pela sua ousadia. 
Apesar de ter tido alguns problemas, para terminar o livro e compreender a história, aguardo com bastante entusiasmo o próximo volume. Desconfio que algumas personagens eliminadas vão voltar. 
Não querendo mudar a ideia ao autor, gostava que os próximos volumes não fossem tão complicados. Apesar de alguns leitores acharem a escrita deste livro diferente de outros eu noto algumas semelhanças, como frases indirectas que deixam manobra para a nossa imaginação tirar conclusões, mas que neste caso só me confundiram. Tive dificuldade em compreender certas partes da história e não havia espaço para invenções, tirar palavras da boca de alguém ou descobrir pistas escondidas na narrativa. Mas apesar disso gostei bastante. 

Apesar de não ter gostado tanto como os livros anteriores, o autor não me desiludiu e continua no meu Top. Desejo-lhe o maior sucesso e venha de lá o próximo capítulo! :D

Boas leituras!!


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Opinião - Espada que Sangra de Nuno Ferreira

Fixem este nome: NUNO FERREIRA!

Autor deste fantástico livro Espada que Sangra, primeiro volume da série, Histórias Vermelhas de Zallar. 

Sinopse

"A palavra dos homens teve muito crédito, em tempos idos. Mas quando a soberba e a sede de poder e glória moldam o comportamento humano, a mentira torna-se um instrumento para pentear as suas próprias fraquezas."

Espada Que Sangra é o primeiro volume de Histórias Vermelhas de Zallar, um delicioso cocktail de fantasia, intriga, mistério, suspense, erotismo, aventura e ação, passado num mundo fantástico de civilizações que nos apaixonam a cada página. Zallar é um mundo complexo, onde três continentes lutam arduamente pela sua sobrevivência. No Velho Continente existe uma terra almejada há milénios, desde os tempos em que os medonhos Homens Demónio dominavam a região: Terra Parda, onde as cidades-estado são chamadas de espadas e um minério conhecido por tormento negro tornou possível a existência de armas de fogo. Hoje, são os descendentes dos extintos Homens Demónio quem ameaça as fronteiras desta terra próspera em vegetação, savanas e desertos - os malévolos mahlan. A Guerra Mahlan está prestes a atingir o seu ápice, e agora, tudo pode acontecer. Mas Lazard Ezzila e Ameril Hymadher, reis das principais fortalezas de Terra Parda que viveram um intenso romance na sua juventude, vão perceber de uma forma perturbadoramente selvagem que os seus maiores inimigos podem viver consigo ou partilharem dos seus próprios lençóis.

Opinião:

Tenho de começar por falar da capa e da sinopse deste livro pois são verdadeiramente incríveis. Se entrasse numa livraria e desse de caras com este livro, não hesitava em pegar-lhe, a capa é muito boa! Quanto à sinopse, creio que consegue convencer qualquer amante de romance fantástico e não só, a ler.
Zallar é realmente um mundo complexo, cheio de mistérios, intrigas, sangue e sensualidade. 

Adorei este Espada que Sangra!
Levei algum tempo a entrar na história devido a quantidade de informação sobre este mundo criado pelo autor, mas a escrita cativante e muito cuidada, não me deixaram desanimar. 
O Nuno começa por nos apresentar de forma muito detalhada e bem conseguida, o universo Zallar, desde a sua criação, evolução das espécies até ao tempo em que a acção decorre. Logo nesse preâmbulo percebi que não estava perante um livro qualquer. Foi muito corajoso e inteligente da parte do autor criar o seu próprio mundo, com bases tão sólidas. 
Confesso que algumas vezes temi que o livro se tornasse demasiado descritivo pois o Nuno pensou em tudo ao mais pequeno pormenor, mas as descrições só enriquecem a leitura e facilitam a construção de cenários na nossa mente.

Todas as personagens, as várias raças, foram muito bem trabalhadas. Gostei bastante dos Hurkk, os mensageiros de Hymadher e o povo El'ak. 
Como personagens principais temos Ezzila, Hymadher, Hamsha e Góron (os meus favoritos) e o odioso Amarion. São personagens bastante complexas e apaixonantes, muito humanas e as vitimas confundem-se com os vilões. No final deste volume tudo fica em aberto. 
Apesar do papel principal e o destaque dados a estes senhores de Terra Parda, os personagens secundários são bastante importantes e decisivos ao longo dos acontecimentos e sem que estejamos a espera alguns vão ganhando destaque ou são eliminados. 
Zallar está cheio de intrigas, traições, paixões e histórias sangrentas, o inimigo espreita em qualquer esquina. 

O autor criou um mundo tão complexo que cheguei a temer por ele. Ao longo da leitura, inspirada pela maldade de algumas personagens, procurei defeitos, momentos em que os acontecimentos não fizessem sentido, procurei falhas mas o Nuno esteve à altura do universo que criou e espero que a critica o reconheça.

Acho que faltou neste edição um mapa e informação sobre os personagens. São tantas que no inicio é complicado e perdi-me algumas vezes. Aproveito para informar que o autor está a trabalhar bastante nessas informações e podemos encontrar tudo sobre Zallar no seu blogue. 
Fez-me lembrar Martin com as Crónicas de Gelo e fogo, apesar de este universo ser bem diferente. Creio que o Nuno se pode vir a tornar o "nosso Martin" só precisa que lhe dêem o destaque que merece. 
Foi muito corajoso ao apostar no romance fantástico, num país onde cada vez se lê menos este género literário. Desejo que o seu trabalho seja uma mais valia para mudar esta tendência e que as editoras voltem a apostar nestes autores. 

Tinha muito mais a falar deste livro, mas é uma experiência que têm de viver pessoalmente. Invistam nesta série. Atrevam-se a viver esta aventura por terras de Zallar.

Os meus parabéns ao Nuno Ferreira por esta obra literária. É um livro que vale muito a pena ler! Recomendo vivamente. É um excelente arranque de série e o final deste volume deixou-me completamente entusiasmada para ler o próximo. 
Atribuí 4 estrelas no Goodreads e espero que os próximos volumes superem esta avaliação. 

A Chiado Editora tem um excelente autor de fantasia neste momento e gostava imenso que lhe desse o apoio e destaque que merece. Acredito que sim, pois uma boa editora leva bons livros ao público. 

Boas Leituras


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Opinião - O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry

Olá!

Começo o ano com uma excelente leitura. Li finalmente o maravilhoso, sensacional...

O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry 

Sinopse:

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada - Grau de Dificuldade III.

Antoine de Saint-Exupéry publicou pela primeira vez «O Principezinho» em 1943, quando recuperava de ferimentos de guerra em Nova Iorque, um ano antes do seu avião Lockheed P-38 ter sido dado como desaparecido sobre o Mar Mediterrâneo, durante uma missão de reconhecimento. Mais de meio século depois, a sua fábula sobre o amor e a solidão não perdeu nenhuma da sua força, muito pelo contrário: este livro que se transformou numa das obras mais amadas e admiradas do nosso tempo, é na verdade de alcance intemporal, podendo ser inspirador para leitores de todas as idades e de todas as culturas.

O narrador da obra é um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara, que, tenta desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. Perante um domínio tão misterioso, o piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça - a mais de mil milhas das próximas regiões habitadas e correndo perigo de vida - pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido. E assim tem início um diálogo que expande a imaginação do narrador para todo o género de infantis e surpreendentes direcções. «O Principezinho» conta a sua viagem de planeta em planeta, cada um sendo um pequeno mundo povoado com um único adulto. Esta maravilhosa sequência criativa evoca não apenas os grandes contos de fadas de todos os tempos, como também o extravagante «Cidades Invisíveis» de Ítalo Calvino. Uma história terna que apresenta uma exposição sentida sobre a tristeza e a solidão, dotada de uma filosofia ansiosa e poética, que revela algumas reflexões sobre o que de facto são os valores da vida.

Opinião:

Amei este livro! 
Nunca vou esquecer o Principezinho e a sua viagem. Sei agora porque ele é tão querido por todos. É realmente Sensacional! 

Este é um livro escrito com muita simplicidade, que consegue levar qualquer criança a viajar e a encantar-se com algumas personagens. No entanto duvido que uma criança pequena consiga compreender a enorme mensagem que ele guarda, a criança apenas vive aquela aventura e a mensagem, essa, é destinada ao adulto, às pessoas crescidas que o Principezinho acha tão estranhas. É isso que torna este livro tão grandioso e especial. É um clássico da literatura mundial e quem o lê não, o esquece certamente.

A sinopse já revela um pouco da história, mas eu acrescento um dado, o Principezinho deixou sozinha no seu planeta, a sua rosa, a sua querida rosa...O que o levou a fazer tal coisa? 

A parte que considero mais marcante é o relato do Principezinho da sua viagem pelos 7 planetas.
Em cada um, conhece uma pessoa (único habitante) que representa um de vários estereótipos da nossa sociedade, um Rei, um bêbedo, um homem de negócios, um vaidoso, um acendedor de candeeiros, um geógrafo e um vendedor.  somos levados a reflectir sobre a nossa existência e percepção do mundo e do outro. 

Há duas grandes lições neste livro, uma é que “O essencial é invisível para os olhos” a outra… a raposa encarregar-se-á de vos contar tudo. Agora sei porque as raposas são sempre as mais espertas nas histórias que me contavam. Elas são sábias e ganharam o meu eterno respeito. 


É um livro mais que recomendado e toda a gente devia ler. Lê-se numa tarde. É uma leitura muito fácil e quando se começa é impossível parar. 

“(…)- Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê com o coração. O essencial é invisível para os olhos…”

“ “A minha flor é efémera” (…) E eu deixei-a lá sozinha!” “

Quem já leu?
Que parte vos marcou mais?
Boas leituras.