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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Opinião - O Renascer das Chamas de Susana Almeida

Este livro não é recomendado a pessoas que têm de se levantar cedo e começam a ler já de madrugada...

Sinopse:
É na Festa da Colheita que os caminhos de Cecília e Laerte se cruzam pela primeira vez. Ao contrário de todas as outras raparigas, Cecília não exibe um vestido bonito, ou prende os cabelos num penteado elegante.Escondida no escuro de um beco, ela observa a festa como uma criança deslumbrada. Mas Cecília não está só, um homem mais velho acompanha-a.
Curioso com o motivo que fez Cecília pedir-lhe ajuda no final da festa, Laerte procura informações sobre o homem que a acompanhava. Informações que acabarão por lhe revelar um segredo que mudará a sua vida.
Perseguidos, Laerte e Cecília lutam para sobreviver, enfrentando os perigos que surgem no seu caminho. Conseguirão eles chegar sãos e salvos ao seu destino?

Opinião:
Este livro incrivelmente viciante narra a história de Cecília, uma jovem que cedo descobriu o quão terríveis podem ser as pessoas mesmo aquelas que deviam proteger-nos. 
Cecília é vendia pela própria mãe a um homem completamente desumano que a torna sua escrava submetendo-a a uma vida de dor e sofrimento. É Laerte que vai fazer de tudo para libertar a pobre rapariga de tanta violência, vivendo com ela uma fuga intensa e angustiante onde a luta pela sobrevivência é uma constante.

Confesso que a primeira impressão que tive do livro foi que se tratava de um livro de fantasia. E pensando num romance fantástico entre o herói e a dama em apuros eu desconfiei um pouco dele. Mas estava tão enganada!!! Tão enganada!! Esta história não tem nada de fantasia e até chega a ser angustiante pensar que pode acontecer a outras crianças... quantas Cecílias existirão por aí??... 
As personagens estão muito bem construídas, os momentos fortes, mais violentos estão muito bem descritos e a narrativa é voraz e intensa. Todo o suspense e violência (física e psicológica) exercida contra a Cecíla passam para o leitor e é impossível parar de ler porque algo está sempre prestes a acontecer.
Já o final... gostei, mas gostaria mais se fosse o que parecia que ia ser :P ;)
ADOREI!

Susana Almeida nasceu em Faro em 1984. 
O seu gosto pela leitura iniciou-se bastante cedo e rapidamente os livros ganharam um espaço essencial na sua vida. 
Aos dezassete anos escreveu a sua primeira historieta apercebendo-se então da sua paixão pela escrita. Apesar de apreciar ler os mais variados géneros literários, no que toca à escrita prefere os géneros de fantasia e romance. 
É autora da trilogia “Estrela de Nariën, uma mistura entre fantasia épica e romance vencedora na categoria “ O Melhor Livro que Li” pelo Clube de Leituras e Fãs do Fantástico e do romance "Renascer das Chamas". 
Entre os seus escritores favoritos encontram-se nomes como: Emílio Salgari, Robert Jordan, Catherine Anderson, Alexandre Dumas, Robin Hobb e George R.R. Martin.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Opinião - Não há aves em Sobibor de João Carlos Máximo

"Eram muitos com fome, com ideias macabras, mas a porta, felizmente, estava ali, muito perto ao nosso alcance. Aquela experiência que fui desenvolvendo e repensando enquanto regressávamos ao esgoto, fez-me perceber o quão comovente era o nosso cenário, porque afinal, uma vez chegados ali, já não podíamos confiar em ninguém, já nem nos nossos podíamos confiar, o instinto animalesco de sobrevivência, esse os nazis quiseram accionar e experimentar em cada um de nós, (...)"

Sinopse:
Aquele que ousa esquecer a sua história, arrisca-se a vivê-la de novo.
Auschwitz era uma cerca de metal ondulando na brisa, era um piano que tocava num tremor desalmado pelas cordas de arame farpado...milhares de claves que me amoleciam o espírito, que me levavam à depressão. As barracas e o sonho da minha infância, levado por Karol e Dragomir.
(Henryk) - "Sobibor? Que lugar é esse? Porquê? O que têm aquelas árvores?"
(Isaac) - "Falta quem lhes dê música. Falta quem as habite. Quem lhes dê vida e movimento."
(Henryk) - "Mas, não há pássaros, aqui?!"
(Isaac) - "Não, filho! E é por isso que eu sei, e que eu tenho a certeza, que não estamos em Auschwitz, mas sim, num outro lugar chamado Sobibor. E é por isso que eu sei que tudo isto tem importância, que tudo isto irá ser lembrado, um dia!"
(Henryk) - "Não há aves em Sobibor?"
(Isaac) - "Não, Henryk. Não há aves em Sobibor..."
A neblina matinal que tarda em desaparecer, os telhados negros, os gorros siberianos, a ausência de natureza, o barulho ensurdecedor das máquinas, as malas dos ciganos na linha do comboio, a primeira cortina de ferro da história da humanidade. O enforcado que subia ao altar, a filha de Rudolf Höss a brincar no alpendre, a marcha dos soldados, as saudações, e tu, Europa, minha bela Europa, que me tocas, que me carregas, que me trazes protegido sob as lonas deste jipe furtivo da Wehrmacht. Talvez, por sorte, talvez, por pouco tempo, fosse possível prolongar aquele diálogo interrompido, lá longe, ainda lá fora, em pleno campo de extermínio de Sobibor.
(Isaac) - "Então, meninos! Querem saber qual é o meu segundo sonho?"
(Erek) - "Porque não usa uma estrela amarela, como nós? Em vez disso, porque tem um triângulo vermelho virado ao contrário?
(Iwona) - "Deixa comigo. Eu depois explico-te."

Opinião:
Este livro conta a história de dois irmãos, judeus polacos, capturados pelos nazis após a invasão das tropas alemãs à Polónia. Vão passar pelo Gueto de Łódź, o Gueto de Varsóvia até serem levados para Auschwitz. Durante este percurso vão conhecendo algumas pessoas que vão viver com eles o medo, a fome e horror dos atentados à sua vida, mas também a luta pela sobrevivência, a bondade e os pequenos milagres que surgem nos piores momentos, pois a esperança é a última a morrer e é importante ser-se óptimista.
É através da história destes irmãos que o autor nos leva numa viagem até ao Holocausto Nazi. 
Com a leitura deste livro ficamos com uma ideia dos horrores vividos por todos os que foram perseguidos, das loucuras megalómanas de um ditador desumano e de uma Europa fria, escura e em guerra. Este livro é uma boa opção para quem quer começar a conhecer este período histórico.

Depois da agradável surpresa com o Para sempre Carcóvia, livro do mesmo autor, estava muito curiosa para ler este livro. Confesso que gostei mais desta obra, talvez pelo tema ser mais conhecido ou por já estar familiarizada com a escrita do João Máximo, a verdade é que eu li com mais entusiasmo, com mais ritmo e em poucos dias.
O autor é possuidor de um vocabulário riquíssimo e isso valoriza a sua escrita. Ainda é assustador olhar para algumas páginas e ver que não contêm parágrafos, mas o ritmo de leitura não se perde, ao contrário do primeiro livro onde senti dificuldade com o narrador e o autor a falar ao mesmo tempo. Bem sei que estas histórias são a via para o autor partilhar connosco a sua experiência, mas por vezes perdia-me um pouco. 
Então fica a dica; se queres iniciar este autor, começa com este livro.

Agora tenho de falar de alguns pontos negativos. É apenas a minha opinião e vale o que vale. 
Embora compreenda que o objectivo principal do autor seja abordar o tema do holocausto e transmitir o que sentiu ao visitar todos aqueles locais (acreditando eu que seja isso), por vezes surgiam diálogos que me pareciam um pouco forçados ou sem emoção. Caramba, aqueles miúdos perderam os pais, estão a viver horrores e eu queria que eles sentissem mais desespero, dor, confusão, luto... o João criou boas personagens e gostei delas, mas faltou-lhes um pouco de emoção. Outro momento que também gostava de ver mais desenvolvido foi a estadia no Gueto de Łódź, acontece tudo muito rápido e Iwona conhece todo o gueto e seu funcionamento de forma imediata.

No geral gostei bastante de ler este segundo livro do João Maximo, onde ele demonstra o seu "amor" ao velho continente, esta Europa tão bela mas também capaz das maiores atrocidades e de um leste que tem os seus encantos mesmo nos momentos mais sombrios.
Gostei também da discreta homenagem que faz ao seu irmão e do momento que dá nome ao livro.
Fiquei cheia de vontade de conhecer melhor esta época histórica e ler mais histórias vividas naqueles locais.

Teria muito mais a dizer sobre o livro mas o texto já vai longo. Espero pelos vossos comentários, incluindo o do João Máximo, pois seria importante para esclarecer alguma dúvida ou lapso da minha parte.
Quanto a ele, desejo o maior sucesso e que continue a escrever. Fico à espera de novidades.

Boas leituras!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Opinião - A Revolução da Mulher das Pevides de Isabel Ricardo

"Europa, ano de 1807.
No antigo continente abatera-se um terrível furacão que estava a arrasar tudo à sua passagem. Napoleão Bonaparte. Este homem estava decidido a tornar-se imperador do mundo e para isso precisava de calcar aos seus pés todos os reinos que lhe fizessem frente."

Um por um, os reinos iam caindo derrotados e conquistados por Bonaparte...
Mas será que as suas tropas tiveram vida fácil em terras lusitanas...?

Sinopse:
Os exércitos de Napoleão ocupavam Portugal. Uma mulher, armada apenas da sua beleza e argúcia, vai despoletar a revolução para os expulsar 

Perante os canhões e as balas dos exércitos franceses, Ana Luzindra só tinha uma arma: a sua beleza. Mas a beleza também pode ser mortal.

A Revolução da Mulher das Pevides transporta-nos para os anos de terror das invasões francesas. A morte e a crueldade marchavam lado a lado com os exércitos veteranos de Napoleão. E enquanto a Família Real fugia para o Brasil, o povo ficava para suportar todo o tipo de humilhações.
Na vila da Nazaré, Ana Luzindra é parteira de profissão e uma mulher simples. Para fazer frente aos canhões e balas dos franceses só tem uma arma: a sua estonteante beleza. Atraindo-os, um a um, para a morte na calada da noite, a jovem inspira toda uma comunidade e pegar em pedras e paus para expulsar os invasores.
A Revolução da Mulher das Pevides, expressão da Nazaré que significa “algo insignificante”, foi tudo menos isso: pelo sobressalto que pregou aos franceses, e pela posterior vingança desproporcionada que estes praticaram sobre a Nazaré, acabou por ser um dos momentos mais importantes da invasão, e inspiraria o longo e árduo caminho dos portugueses e aliados até à derradeira vitória sobre as tropas do temível Napoleão.

Recorrendo a uma pesquisa exaustiva, Isabel Ricardo oferece-nos um bilhete para um dos períodos mais importantes da História de Portugal.

Opinião:
Depois da leitura de "O Último Conjurado" ( podem ler a opinião aqui) a expectativa para esta leitura era muito alta e a Isabel Ricardo não desiludiu em nada. Já esperava gostar do livro pois a escrita da autora é viciante, mas o que me agradou mais foi a dedicação, a pesquisa e o rigor histórico da obra. 
Claro que são as personagens e as suas vivências que fazem o livro, mas gostei muito da parte histórica, as estratégias dos países envolvidos na invasão, as batalhas mais importantes, as datas, os lugares, o número de soldados envolvidos, etc.. 
Não vale a pena falar muito sobre a história em si pois a sinopse é bem explicita. Vou apenas destacar o que mais me agradou na obra.

Destaco em primeiro lugar o povo nazareno, com o seu dialecto característico, desconhecido para mim e que me divertiu imenso ao longo da leitura 
"-É verdade, Tonhe. P'ra mal dos nossos pecades... Esses coirões desgraçades invadiram-nes. Mar os assombrasse!"
"-Este ataque, este tife negral, vai-me inchamardear a roupa toda..."
"-O Francês ' tava arreade com' ós porques!... Saiu daqui aos trepeções e continuou assim na rua, Pra onde é q' ele foi na faç' idéa..."

E as pragas de Joana de Estopa...
"-Mar t' assombrasse!"
"-Vai t'atirar do suberc' abaixe!"

As personagens são de facto um ponto forte mas esperava mais de algumas como é o caso de Ana Luzindra. No entanto outra personagens feminina acaba por ganhar importância e protagonizar um dos momentos mais surpreendentemente cruéis da história. Ainda 'tou aqui assetuada! Esse episódio veio mostrar que a autora consegue ser tão cruel como bem humorada, e é de salientar o equilíbrio que existe ao longo do livro entre todos os momentos divertidos e trágicos, não há mudanças bruscas, as coisas simplesmente vão acontecendo.
Não consigo escolher uma personagem favorita ou a que mais se destaca, pois vão ganhando visibilidade com o desenrolar dos acontecimentos. A Joana de Estopa divertiu-me tal como as crianças, tive um fraquinho pelo Diego, gostei do Rodrigo mas os ciúmes estragaram tudo, a Ana Luzindra começou bem mas depois perdeu-se um pouco... Na verdade o grande protagonista desta história é mesmo este povo nazareno (português) que tudo fez para complicar a vida aos invasores e para defender as suas terras, os seus pertences, o seu reinos e a sua própria vida. 

O rigor histórico traz-nos todos os acontecimentos e protagonistas da Primeira Invasão Francesa, desde os planos de Bonaparte para nos invadir, a aliança com Espanha, locais, datas e resultados das batalhas e a saída das tropas francesas do nosso reino, com a colaboração dos nossos aliados Ingleses, que não foram assim tão amigos no final de contas. Aquela negociação podia ter sido mais vantajosa para Portugal.

Isabel Ricardo consegue de uma forma muito criativa dar-nos a conhecer mais um momento histórico de Portugal. 
A dedicação e empenho na pesquisa histórica é bem visível e o facto da maioria das personagens nazarenas terem de facto existido, sendo algumas antepassados da própria Isabel, torna o livro ainda mais especial.
Grande homenagem, excelente romance histórico e grande escritora.
Um livro cheio de emoções, com toque de humor e horros. Ainda " 'tou aqui assetuada!" =)
Excelente aposta da editora Saída de Emergência.

Não deixem passar o oportunidade de ler este romance, esta história de amor à pátria por um povo que não se deixou cair aos pés do brutamontes Napoleão Bonaparte. As invasões francesas foras as mais bárbaras de sempre, estes soldados foram cruéis, impiedosos e implacáveis, mas nem sempre...

E vocês já leram? O que acharam?

Beijinhos e boas leituras!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Opinião - Para sempre Carcóvia de João Máximo

"(...) Era eu que estava ali, sentado a olhar. E pela primeira vez na minha vida eu sentia forças invisíveis, a elevar-me cada vez mais alto, até ultrapassar as montanhas, os montes e as colinas, até ultrapassar as cidades, as vilas, e as pequenas povoações, que via desaparecer aos poucos, debaixo de mim. Tudo ia ficando cada vez mais pequeno.(...)"

Sinopse:
Pequenas névoas espalhadas no céu. E um tipo de peugada assim, eu conheço… e só podia ser feito por aqueles bombardeiros que vinham desde a Heldenplatz, até aqui.
(senhora) – És alemão? Há muito tempo que não via um alemão por aqui.
(Kurt) – Não. Sou austríaco. Nasci na Áustria, que faz fronteira com a Alemanha.
(senhora) – Engraçado. Pensava que a Áustria fazia parte da Alemanha.
(Kurt) – Fez em tempos, sim. Mas agora já não.
(senhora) – Chamo-me Urszula. Prazer em conhecer-te.
(Kurt) – Percebo. E viveu sempre aqui? Do que vive ou o que é que faz aqui, se é que posso saber? É casada? Tem filhos? Os seus netos costumam vir vê-la?
(Úrsula) – Não, rapaz. Nunca me casei. Como me podia casar se não há aqui ninguém?
(Kurt) – Percebo. Mas está informada, certo? Tem televisão? Ou rádio? Lê jornais? Sabe o que se passa no mundo?
(Úrsula) – Vou sabendo o que se passa, pela televisão… Tenho-a há uns anos recentes, juntamente com o telefone e a luz. A vida desde a independência mudou por aqui, e para melhor, tirando a paisagem. Este lugar era ainda mais bonito antes da guerra.
(Kurt) – Ainda mais bonito? Este lugar é lindo, minha senhora. Olhe só para este céu, veja como é belo e espaçoso.
(Úrsula) – Sim. Não há um céu como este…

Opinião:
Mais do que um romance, este Para Sempre Carcóvia é um retrato poético de um lugar que marcou imenso o autor. Uma dedicatória de cerca de 500 páginas a um lugar especial. João Máximo leva-nos numa viagem até Kharkiv, Ucrânia.
A história centra-se na relação entre o avô Lenine e o seu neto Kurt com o conflito de gerações e as experiências porque passam, mas o mais interessante são as reflexões, memórias e descrições do autor.
Logo no inicio somos surpreendidos com uma escrita poética e muito cuidada que nos cativa. Depois ao longos da história temos diálogos ou reflexões sobre a sociedade, religião e passado histórico que nos fazem pensar também. Se juntarmos a isso factos históricos e um retrato de um local que passou por tantas transformações, temos mais do que razões suficientes para não largar este livro.
Gostei da forma como o João nos apresenta as personagens e da sua importância nos momentos mais marcantes, mas fiquei triste por uma, pois esperava mais do Taras. A minha personagem favorita sem dúvidas é Lenine, um homem de outro tempo e fiel aos seus valores, muito marcante. 
Também me impressionaram alguns factos históricos, como a guerra e os campos de trabalho forçados, algo que só imagino na 2ª Guerra Mundial mas que se passou há pouco mais de duas décadas. 
Por fim... Se o inicio o livro me deixou cheia de entusiasmo e sorriso feito, o final deixou-me totalmente arrebatada. Algo inesperado acontece e ao mesmo tempo algumas peças que perdi no meio da história entre tantas descrições e reflexões, encontram o seu lugar e tudo faz sentido.

Esta é uma obra que requer tempo, pois apesar da escrita cuidada e rica, a leitura nem sempre tem o ritmo que desejamos, temos de nos deixar embalar. É um livro que recomendo a todos.
João Máximo é um jovem cheio de talento, muito culto e viajado. Para sempre Carcóvia, lançado em 2013 é o seu primeiro livro e este ano lançou Não há aves em Sobibor, minha próxima leitura.

João Carlos Máximo nasceu em 1988, na localidade de Unhais da Serra, concelho da Covilhã.
Foi músico de Saxofone Alto e atleta federado. João Carlos Máximo é Licenciado em Ciências Biomédicas, pela Universidade do Algarve, desde 2009. Em 2012, foi finalista da iniciativa “O meu movimento – Não tenho que emigrar para me formar”, concurso promovido pelo Governo de Portugal.
Nestes últimos anos passou por vários países dos continentes Europeu, Africano e Asiático.
Hoje em dia, frequenta o curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade da Beira Interior, e é colaborador do Jornal “Correio de Unhais”, sendo o autor de uma crónica mensal, intitulada “O Mundo”.

Boas leituras!




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Opinião - A Cativa de Manuel Alves

Manuel Alves é sem dúvida um dos meus escritores favoritos!
Versátil, talentoso e bem humorado, Manuel já se tinha revelado um inventor dos diabos e mais uma vez a sua imaginação e ambição surpreenderam-me. 
Esqueçam o Manuel fofinho, este é um demónio, capaz de deixar um leitor à toa sem dó nem piedade. 

Sinopse: 
Selvagem, druida, assassino, rei… Wulfric teve muitas vidas. É o Mestre mais antigo, dono de um antiquário contíguo a uma igreja, um ponto de convergência entre mundos, o que faz dele também porteiro. Uma rebelião ameaça abrir uma passagem entre a Terra e o Inferno, e ele provavelmente terá de assassinar o responsável. Lúcifer. Teria sido mais simples matar a Cativa, duzentos anos atrás.

Esta história tem anjos, demónios, fadas, lobisomens, marinheiros russos, traições, pedras preciosas que são mais do que jóias, um crucifixo que sangra, pelo menos uma sociedade secreta, Lúcifer, Mefistófeles, um marquês que foi para o Inferno e se transformou num demónio nu e, é claro, Wulfric, o Mestre que vive com uma maldição aprisionada no sangue.

Opinião:

Este não é um livro de leitura fácil. O Manuel quis criar algo mais complexo que o habitual e foi bem sucedido. Foi ambicioso e isso agrada-me bastante, mas não estava preparada para este choque. 
Se ainda não leste nada do autor ou não estás habituado a leituras mais complicadas não aconselho este livro para já, pois podes ser tentado pelos demónios a abandonar a leitura e a perder uma excelente oportunidade de visitar o céu e o inferno, literalmente. Mas, recomendo vivamente todos os outros livros anteriores do Manuel! Depois volta e descobre este personagem enigmático, Wulfric.

Não vou adiantar muito sobre a história porque o desafio que o Manuel nos coloca é desvendar todo o enredo ao longo da leitura e assim dissipar todas as nossas dúvidas e confusões (que ele provoca). 
Criou um puzzle, desmanchou, atirou para cima da mesa e disse "AGORA DIVIRTAM-SE!" 

Confesso que terminei o livro ainda um pouco confusa. Este é o primeiro volume de 5, e então é suposto que fiquem várias pontas soltas para amarrar só nos volumes seguintes. Ou isso, ou não li este livro numa fase boa e o problema é mesmo meu. 

A Cativa, dá o nome ao volume, mas gostava que tivesse sido mais explorada (na verdade foi, literalmente, pelos demónios). Tem um papel importantíssimo na história, mas gostava que tivesse aparecido mais.
Wulfric, o Mestre Lobo é um excelente personagem, gostei bastante dele. Sábio, misterioso, sarcástico, manipulador... é o Mestre de Gervas, um pupilo, muito interessado em aprender e seguir os seu mestre. Pobre Gervas! No meio de lições de filosofia, teologia e de vida, deixa-se cativar, apaixonar e a sua atitude incontrolada vai ter consequências muito graves. Gostei muito do Pupilo e do seu crescimento como personagem.
Lúcifer, o Diabo é-nos apresentado de uma forma muito original, quase humano. Deixa-nos dúvidas acerca da sua maldade. Lúcifer pode não ser um verdadeiro demónio e o inferno talvez não seja nos confins da Terra. Gostei da forma como o Manuel tocou nestes assuntos, das verdades que nos impingiram ao longo da história.
Tinha bastante vontade de conhecer Mefistófeles e as suas manhas, mas neste livro não me cativou nada e talvez essa seja a minha maior desilusão.

Tenho de dar os parabéns ao Manuel Alves pela sua ousadia. 
Apesar de ter tido alguns problemas, para terminar o livro e compreender a história, aguardo com bastante entusiasmo o próximo volume. Desconfio que algumas personagens eliminadas vão voltar. 
Não querendo mudar a ideia ao autor, gostava que os próximos volumes não fossem tão complicados. Apesar de alguns leitores acharem a escrita deste livro diferente de outros eu noto algumas semelhanças, como frases indirectas que deixam manobra para a nossa imaginação tirar conclusões, mas que neste caso só me confundiram. Tive dificuldade em compreender certas partes da história e não havia espaço para invenções, tirar palavras da boca de alguém ou descobrir pistas escondidas na narrativa. Mas apesar disso gostei bastante. 

Apesar de não ter gostado tanto como os livros anteriores, o autor não me desiludiu e continua no meu Top. Desejo-lhe o maior sucesso e venha de lá o próximo capítulo! :D

Boas leituras!!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Divulgação - O Pijama da Gata de Pat R

“Lentamente, foi imaginando que não era o frio da rua que o cercava, nem a escuridão da noite, mas sim o calor de um quarto onde já passara demasiado tempo. Era um cheiro que o inundava e se pregava à sua pele, era uma saliva quente que lhe caía na boca e já não sabia só a ele, já não estava só com ele, já não era só a solidão a que estava destinado. Abriu os olhos e viu-a na janela, com um cigarro nos dedos e os olhos cinzentos, delicadamente pintados com um lápis negro, o olhar profundo e deslumbrante cravado na cidade, ao longe. E, depois, nele.”

Excerto de O Pijama da Gata

O Pijama da Gata

Autor: Pat R
Formato: 15x23cm
Páginas: 249
ISBN: 9789892054896
Categorias: Romance, Ficção
Edição: 1 (2015)
Preço: 12,50€

Sinopse:
O Pijama da Gata segue o encontro de Jonah e Crystal Philips num ambiente nostálgico da Jazz Age. Os dois conhecem-se em Paris, quando Jonah decide ver a peça Cat’s Pajamas, protagonizada pela magnífica atriz. De volta a Nova Iorque e deslumbrado com a sua beleza, desenvolve um desejo obsessivo, que rapidamente o começa a assombrar. A expectativa e a apreciação por um futuro idealizado que nenhum deles realmente prevê, consome-os no seu presente. A atração instintiva dos dois, condu-los a um quarto de motel que começa a adquirir as características visuais da sua paixão, marcada por uma sensação de efemeridade, que se vai arruinando progressivamente até ao declínio final.

Por que ler este livro 
Uma história cativante que trata o tema universal do amor, num enredo intenso, onde os dois protagonistas estão envolvidos num turbilhão de sentimentos e emoções até à constatação da sua impossibilidade. Uma reflexão em volta do amor, da paixão, do desejo e da solidão. 

Quem deve ler este livro 
Qualquer leitor que tenha particular interesse por cinema ou música, dado que existem algumas referências musicais e cinematográficas. Para além disso, qualquer leitor que goste de ser cativado pela intensidade emocional experienciada pelas personagens, acompanhando-as numa viagem vertiginosa até ao final. 

Autora
Pat R, natural de Évora, Portugal, vive em Lisboa, para onde se mudou aos dezoito anos. Estudou Estudos Artísticos, Publicidade e Marketing e Cinema, tendo trabalhado, incessantemente, na escrita de argumentos, romances, poesia e contos. Em 2014, decidiu dedicar-se exclusivamente à escrita. Embora escrito um ano antes de Inércia, O Pijama da Gata é o seu segundo trabalho publicado.


Estou bastante entusiasmada para ler este romance. 
A edição do livro agradou-me bastante, a capa, as ilustrações dos capítulos, o tipo de papel e a sinopse. Esperam-me cerca de 250 páginas de mistério e sedução e mal vejo a hora de começar a ler.

Daqui a uns dias volto para vos contar o que achei. 

Ilustração por Beatriz Canivete.


Site oficial:
www.thepatr.com

Festa de lançamento:
Março de 2015 em Évora

Locais de Venda:
www.thepatr.com
Livrarias em Lisboa (Pó dos Livros, Ler Devagar, Fyodor Books)