terça-feira, 14 de outubro de 2014

Textos do Pirata #1 - O Rei dos Sete Mares

O rei dos sete mares

Era uma vez um rei, o rei dos sete mares.

Aquele rei era Neptuno, ele tenha um tridente grande com o poder dos sete mares.
Um dia uma bruxa malvada tentou roubar o tridente mas os guardas de Neptuno avisaram-no a tempo. Neptuno ficou furioso e lançou uma tempestade sobre ela. Protegeu o tridente, mas ela conseguiu escapar.
Depois de alguns anos, Neptuno teve três filhos. Um deles era bondoso e os outros dois eram malvados como a bruxa.
Quando os três filhos fizeram dezasseis anos os dois malvados juntaram-se à bruxa para roubar o tridente.
 A bruxa sabia que usando os filhos de Neptuno poderia ter a posse do tridente e dos sete mares.
O filho bondoso ouviu os dois irmãos malvados a planear roubar o tridente e foi logo avisar Neptuno mas ele não acreditou no filho.
À noite os dois filhos malvados roubaram o tridente e deram-no à bruxa.
O filho bondoso como ouviu o plano deles foi à caverna da bruxa e sorrateiramente retirou o tridente e devolveu ao seu pai Neptuno.
Ele expulsou os filhos malvados dos sete mares e tornou o seu filho bondoso rei do mar Atlântico.    
FIM

Autor: Pirata  Data: 14/10/2014


E foi mais uma contribuição do Pirata no blog da mãe. E que orgulhosa ela está!

Pirata tem imaginação para dar e vender, mas a sua caligrafia é de bradar aos céus. Para resolver esse problema tenho insistido com ele para escrever mais, composições, ditados ou simplesmente grafismos.

Na semana passada pedi para escrever uma história, tema livre e ele decidiu escrever sobre um herói. 
Gostei do resultado! 

Corrigimos os erros e algumas frases para tornar a história mais clara, e ficou assim a história. 
Esta semana levou o texto para a escola. Chegou todo orgulhoso com a aceitação que teve que pediu para partilhar aqui para todos verem.

Ainda pensei tirar uma foto ao original, mas o Pirata quis escrever no PC. Uma mãe agradece sempre uma hora de silêncio em casa ;)

Espero que tenham gostado!

Beijinho
Boas leituras!!


sábado, 4 de outubro de 2014

Opinião - Não me contes o fim de Rita Ferro

Que livro sensacional!!! 

Sinopse
Perante um impasse amoroso e um quadro familiar decadente, Lara troca a cidade do Porto por um trabalho temporário num clube de férias, no Brasil. Na ilha, torna-se inseparável de um grupo de amigos de várias nacionalidades com quem explora os prazeres do sexo e da transgressão e se envolve numa tragédia local, ocorrida entre as nativas, que conduzirá a um suicídio em série. Entretanto, o namorado abandonado do Porto chega à ilha com uma delegação de jornalistas para investigar o enigma. Uma história avassaladora da primeira à última página, que devassa a intimidade feminina para repensar valores como o casamento, a família, a maternidade e a liberdade.


   Há muito que queria ler algo da Rita Ferro. Já era sua fã nas Conversas de Rapariga, programa da Antena 3, mas ainda não tinha lido livro nenhum. 
  Este livro é fantástico. Não me desiludi nada com a autora e ainda a admiro mais agora.

   A sinopse já diz muito do que se passa no livro, não vou revelar muito mais, para não estragar a surpresa. Eu não tinha lido a sinopse e todo o livro foi uma grande surpresa. É um convite à reflexão. Dei por mim a parar várias vezes de ler e ficar a pensar no que tinha lido. Revi-me muitas vezes nos pensamento de Lara. Há uma situação no livro que me toca em particular e sem estar a espera emocionei-me algumas vezes.
   
   Lara vem de uma família modelo e à medida que avançamos no livro somos surpreendidos com acontecimentos trágicos e inesperados. Foram todos estes acontecimentos que a deixaram num estado caótico e a levaram a abandonar o país, aproveitar uma oportunidade de se fortalecer e encontrar um rumo para a sua vida. 
   Estes factos vamos conhecendo ao longo da leitura. Ao inicio ela fala sobre os seu colegas de trabalho, o seu novo grupo de amigos, sua nova família. Todos muito diferente e com histórias que nos levam a pensar na vida e no nosso carácter. 

   É um livro que trata de assuntos como a religião, o sexo e a família, de forma muito crua, prática, real e profunda. É um romance, que me surpreendeu tanto... Um dos melhores livros que li este ano e nunca vou esquecer. É mais um livro que me ajudou a arrumar pensamentos e a ver que não sou a única a ter a mesma opinião sobre certos assuntos. 

  Aconselho a toda a gente a ler, mas considero um livro para pessoas maduras, tenho a certeza que em algum momento vão rever-se num pensamento de Lara. 
  Adorei a escrita de Rita Ferro. Já parava tudo para a ouvir, com a leitura passou-se o mesmo. É muito cativante e consegue prender-nos, arrebatar-nos e fazer viver todos os acontecimentos com as personagens. 

   Adorei, achei espectacular e avaliei com 5* no Goodreads.

  Beijinho


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Uma década de novas oportunidades

 

   Ela tinha tudo para dar errado!
   Ainda mal tinha começado a sua juventude e já esta era interrompida abruptamente. 
   Em boa verdade acho que ela tinha tudo para dar certo, mas acabava sempre por fazer as coisas ao contrário.
   Podia ter continuado a ser uma aluna excelente, mas preferiu ser preguiçosa. Não precisava estudar muito para ter notas razoáveis e notas razoáveis chegavam para quem andava a estudar por estudar.        Podia ter terminado o liceu mas no primeiro 11ºano achou que não fazia mal nenhum ficar algumas vezes com os amigos pelo café. Tinha boas notas e os professores iriam perdoar. Correu mal! Leu Os Maias durante as férias da páscoa e quando chegou à escola estava chumbada por faltas. Ela nem gostava muito de ler...Talvez por isso aquele seja um dos livros mais marcantes da sua vida. 
   Durante a primeira fase da sua vida foi assim, vendo passar o tempo. Levava a vida tranquilamente. Não sabia o queria fazer no futuro e isso libertava-a de certas preocupações, como os estudos. 
   Tinha amigos, uns trocos para café e cigarros e não arranjava confusões em casa e na rua. Nada fazia prever o que veio a acontecer.
   Ela achava que mal nenhum lhe podia acontecer, não fazia mal a ninguém e não havia razão para ser castigada. Por vezes brincava mesmo com a sorte. Até ao dia em que o chão se abriu debaixo dos pés e se viu numa queda, desamparada, sem fim a vista…

***
   Os bebés são seres adoráveis e enchem de alegria qualquer casa. No entanto também podem ser um grande problema, uma tragédia, um inconveniente… principalmente quando os pais são jovens e não têm a mínima vontade de partilhar uma casa. Aliás, porque haveriam de pensar em tal coisa, com uma juventude toda para viver?
   Ela tinha tudo para dar certo, mas brincou com a sorte.
  A maior sua maior desgraça é hoje a sua maior alegria. Fonte de inspiração, motivo para viver e lutar por dias sempre melhores, companhia, razão para levar uma vida o mais correcta possível (educar com exemplos e esconder bem qualquer desvio) e o seu maior desafio. Mas nem sempre foi assim…

***
   Depois de se ver em queda livre, adormeceu num sono estranho. Um choque que lhe causou uma inércia total, uma sensação inexplicável. 
   Sem vontade de viver, sem noção de nada, fez tudo que lhe disseram, o que era suposto fazer nestes casos. 
   Bem, o caso dela é como tantos outros e realmente aconteceu o que era suposto. Uma separação… mais tarde. 
   Foram precisos quatro anos para cair no chão e começar a perceber o que se tinha passado com ela.    Estava tudo errado, estava tudo um caos. 
  Durante este tempo todo, a única coisa boa que conseguia ver era o facto de estar empregada, na sua aldeia, a poucos metros de casa e do infantário do filho. Que sorte teve! Nem procurou. Tinha o filho dois meses quando lhe bateram a porta para oferecer trabalho. Trabalho esse que mantém a quase uma década. 

   O Jogo mudou. 

   Agora, tinha tudo para dar errado.
   Ela tinha tudo para dar errado. 
  Podia ser mais uma mãe desesperada, incompreendida, revoltada e amargurada, mas a vida tinha outros planos para ela.
   Ela podia ter dado ouvidos aos mexericos e malditos e enfiar- se em casa a fazer bordados para enfeitar paredes, levar uma vida tranquila, ser invisível e ficar fechada em casa a lamentar-se. Assim ninguém ia falar, ninguém se ia lembrar, ninguém se ia importar. 
   Ela disse, “Basta!! Agora quem cuida da minha vida, sou eu.” Não é um processo fácil quando não se sabe o que se quer.
   Ela podia ficar em casa apática, a fumar cigarro atrás de cigarro, a olhar para as chamas na lareira, a ver a madeira transformar-se em cinza, a ver a sua vida queimar sem tirar proveito nenhum… 
   Ela nem acabou o liceu e isso começava a pesar-lhe na consciência. Senão tivesse chumbado aquele ano por faltas... Podia ter feito o 12ºano sem grandes problemas, mas ficou a um ano de terminar o liceu e isso era a sua marca, o seu falhanço. (agora as metas já tinham alguma importância). Sem estudos, sozinha, com um filho para criar e educar, numa aldeia sem futuro… podia não dar errado mas não ia ser bom de certeza.

   Que futuro a esperava?
  
  Descobriu então que existia uma possibilidade de completar os estudos, algo chamado Novas Oportunidades. Caso aproveitasse ficaria com equivalência ao 12ºano. Nem pensou duas vezes, estava na hora de voltar a aprender e por o cérebro a funcionar.
   Estava tão enganada! Não aprendeu nada de novo. 
   Ela não aprendeu nada de novo, mas esta etapa mudou a sua vida para sempre.
   Como todos os que passaram por este plano, teve de escrever um “livro”, falando da sua vida e suas competências.
  Todo este processo acabou por ser de certa forma terapêutico. Voltar atrás no tempo, mexer em memórias, reviver a sua vida antes de todo aquele pesadelo fez-lhe bem. Também foi fundamental ter alguém a dar-lhe valor e incentivo para acordar para a vida e dar uso às suas capacidades, foi renovador. Ela gosta de pensar como reagiria o professor se soubesse que agora tem um blogue, que gosta de ler e escrever, que saiu de casa e se envolveu na comunidade e já consegue ter um discurso mais claro (sim porque a mente dela é cheia de frases sem ligação, pensamentos desarrumados e não se conseguia exprimir).
   A menina que entrou na sala pela primeira vez sem falar, alheada do mundo, saiu renovada e cheia de vontade de mudar o seu rumo. 
   Ela gostava de ficar sentada à lareira a fumar e contemplar as chamas, mas um dia fartou-se.   Decidiu sair de casa e mostrar-se ao mundo, mostrar que era capaz, que queria deixar uma marca e sentir-se bem na comunidade. Não era nenhuma doida varrida e muito menos coitadinha. Bem, fazia alguns disparates mas era muito mais que isso.
   Ela podia ter ficado sossegadinha em casa a ver Tv com o filho, mas decidiu juntar-se a um grupo de jovens que achava que podia fazer coisas extraordinárias na comunidade; passou a ajudar o pai no grupo coral (duvido que se converta, mas faz o seu papel com muito respeito e empenho); criou com um amigo um grupo para ensinar jovens a tocar viola ( (A)CORDA) e com o tempo foi descobrindo o seu lugar na comunidade. 
  Todas estas tarefas interferiram com a sua vida e foi preciso algum sacrifício e método para não falhar com as suas responsabilidades.
   Durante todo este tempo cresceu imenso. 

***
   Os últimos anos que passaram foram tão confusos… Mudei tanto…
   Também cometi alguns erros e a maioria não me arrependo. Não são eles que me definem. Não sou o que passei e sim o que superei. Fazer as pazes com o passado é fundamental.
   Descobri no meu filho, na música, na leitura e na convivência com os outros, o segredo para me manter firme. Dedicação. Dedicar-me a tudo e todos que gosto, dá-me alegria e energia. Tudo fica mais fácil de suportar e deixamos de inventar problemas. Deixei de ser má companhia para mim.
   Deixei também de fumar e agora já não consigo estar muito tempo a olhar para a lareira, a não ser que me perca a ler um livro. Os livros são a minha nova companhia, terapia e inspiração.
   Descobri há pouco tempo este mundo maravilhoso da literatura e para meu orgulho já contagiei o meu filho (o Pirata)
  Descobri uma nova paixão. Descobri também que é impossível juntar muito dinheiro quando se gosta tanto de livros. Mas não está mal, troquei cigarros por livros.
   Viverei mais anos sem dinheiro, mas terei sempre livros…

Quero agradecer o Fiacha por me desafiar a escrever um texto para o seu blog.
Adicionem!! É um oásis para quem gosta de literatura http://leiturasdofiachaocorvonegro.blogspot.pt/

Decidi falar de mim. 
Raramente o faço, apesar de ter alguma vontade. Não é fácil falar de mim. Não gosto de me queixar e se falo bem de mim, como um caso de sucesso, tenho receio de ser mal interpretada, Mas aceitei este desafio e aproveitei para reviver mais uma vez o passado e fez-me bem. Modéstia a parte, tenho muito orgulho de mim ;)
Obrigado por lerem tudo até ao fim. 

Beijinhos

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Férias a passear 3# - Viagem ao coração do xisto, Casegas e Sobral de S. Miguel

Olá!

Continuo a relatar os meus passeios nas férias e desta vez venho falar de duas aldeias do meu concelho. Na verdade foram visitas muito rápidas, de passagem. Desta vez não podíamos demorar a tarde inteira e fomos apenas tentar a sorte com mais umas caches. 

Tínhamos em mente fazer 6 ou 7 caches mas depois de  uma tentativa falhada e muita chuva, apenas conseguimos encontrar três. Valeu pelo passeio.
Apesar de serem aldeias que fazem limite com a minha, são terras onde raramente passo. Quando se fala de limites por aqui estamos a falar de distancias muitos grandes.

Seguimos então para Casegas com uma paragem em Paúl para tentar a sorte num local da ribeira. Tentativa frustrada. Depois de algum tempo a procurar, a maldita não apareceu. Abandonámos o local, pois a chuva ameaçava cair e o terreno que pisávamos estava escorregadio e ninguém queria tomar banho naquela hora.


Falarei do Paúl em outra ocasião. É sem dúvida uma aldeia cheia de história e riquíssima em recursos naturais, nomeadamente a ribeira. Ao longo do leito podemos encontrar locais magníficos.  Deixo apenas algumas fotos e a promessa de uma publicação futura.  

De novo na estrada e rápido chegamos a Casegas.

Casegas - (byW) Casegas foi uma freguesia portuguesa do concelho da Covilhã, com 41,16 km² de área e 425 habitantes (2011). Densidade: 10,3 hab/km².
Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Ourondo, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Casegas e Ourondo da qual é a sede.

Peço desculpa pela descrição tão pobre mas não estivemos tempo suficiente para conhecer melhor a aldeia, ficam apenas as imagens. (A panorâmica "roubei" algures na net.)


Cache encontrada, seguimos para Sobral de São Miguel. Pelo caminho encontramos mais uma cache e muitos medronhos já prontinhos para serem colhidos para fazer aguardente.


Sobral de São Miguel - O slogan da aldeia “O coração do xisto” não é inocente. Esta aldeia será um dos maiores aglomerados de edifícios em xisto de Portugal.Porém, a grande maioria das construções encontra-se rebocada e pintada predominantemente de branco.

Daqui se exporta xisto para o mundo, mas a matéria prima não se fica por aqui.
Começando no património gastronómico – na aldeia pode provar desde ginja, até pica de chouriço, sardinha ou bacalhau, passando pelo mel e pelo pão de forno a lenha – a aldeia tem ainda para oferecer um património cultural e artístico.
Sobral de São Miguel também proporciona uns bons passeios. Quer sejam através das ruas e quelhas da aldeia, ou acompanhando o curso da Ribeira do Porsim.

A aldeia possui uma vasta envolvente de novas construções, pelo que devemos orientar a nossa visita para o núcleo mais antigo. Aí o casario acompanha as curvas mais ou menos pronunciadas da ribeira, elevando-se como que em escadaria, encosta acima. Os arruamentos são quase sempre paralelos à ribeira, sendo ligados por inúmeras quelhas com degraus ou por ruelas inclinadas que procuram contornar as habitações. Estas são quase sempre justapostas, não havendo espaço para quintais. De dois ou três pisos, a altura dos edifícios cria ruas onde, mesmo durante o dia, predomina a sombra.


Ainda não visitei o Sobral por muito tempo, mas lembro-me da primeira vez que entrei nesta aldeia. Assim que vi as casas de xisto senti-me num mundo a parte. É uma aldeia lindíssima que vale muito a pena visitar. É rica a sua história, património e cultura. Apesar de ter uma população maioritariamente envelhecida, os jovens não perdem as suas raízes e empenham-se verdadeiramente para manter viva a aldeia. É de louvar o trabalho comunitário que é feito por lá. Vejo isto que digo à distancia, principalmente pelo facebook, mas consigo perceber a vontade daquele povo para dignificar e promover aquele "Coração de Xisto"

Deixo algumas fotos retiradas por essa Internet fora:


Uma página no facebook que devem conhecer O Ferrolho 

Tenho de voltar a esta aldeia e fazer uma reportagem mais digna.
A minha passagem pelo Sobral desta vez foi periférica, mas demorada.
Ai Santa Barbara e São Pedro tenham lá calma na próxima vez!! Vinte minutos parados a espera que a chuva abrandasse para tirar a cache do seu esconderijo, mas lá conseguimos.


Ficaram muitas caches por encontrar.
Voltámos para casa pelos caminhos de xisto com a promessa de voltar para conhecer melhor esta aldeia e descobrir novos tesouros. Seguimos em direcção ao parque eólico onde ainda nos esperava alguns minutos de muitas curvas. Chegamos a casa esfomeados e cansados, mas valeu a pena.

Visitem o interior de Portugal, conheçam as aldeias de xisto e toda esta zona. Nesta altura do ano ainda poderão apanhar algumas castanhas e medronho para a viagem ;)

Espero que tenham gostado!
Sintam-se a vontade para comentar.

Beijinhos 






quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Opinião - Histórias Amorais para Crianças e Animais de João Diogo Zagalo


Sinopse: O Autor divide os seus contos em 5 temáticas diferentes (histórias de amor; histórias de trabalho; fait-divers; mini peças de teatro; histórias baseadas no imaginário popular). Mas tal como explica no Prefácio da Obra, estes Universos, todos povoados por personagens bizarros, interligam-se. Podemos, por exemplo, assistir a uma história de amor sobre um homem sem pescoço, ou uma história de trabalho onde a nova contratação da empresa é um funcionário invisível e mudo, que todos suspeitam nem sequer existir…

Tal como a sinopse indica, este é um livro de contos.
Não! Não são histórias para crianças e arriscaria até dizer que alguns contos só serão entendidos por pessoas maduras pela carga irónica. Para quem não entende é apenas mais uma história estranha.
Podem conhecer um dos contos aqui, numa publicação que fiz para dar a conhecer o livro.

No geral gostei bastante do livro.
Começo a gostar destas antologias que me transportam para mundos habitados por seres estranhos, com histórias ainda mais estranhas. Não gostei de todos o contos, talvez por não compreende-los, mas não ficava muito tempo a pensar e seguia para outro. 
Diverti-me a ler este livro e quem tem um dia livre pode perfeitamente lê-lo até ao fim. 

Neste livro podemos encontrar um Pinóquio explorado pelo pai adoptivo, uma carta ao menino jesus escrita por um advogado (genial conclusão), um Drácula que encontra no facebook um novo sentido para a vida, um artista esfomeado e várias conversas e comportamentos sem sentido algum, bizarras e que todos nós temos de vez em quando sem pensar muito nisso (a sátira).
Foi uma leitura agradável, que não esperava fazer tão cedo, mas estas ilustrações convidavam-me a toda hora.

Parece-me uma boa leitura para o Halloween :D
Já alguém leu?

beijinho

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Férias a passear 2# - São Romão e Alvoco da Serra

Olá!

Aproveito mais um pausa no trabalho para dar a conhecer mais uns locais que visitei nas minhas férias. Já falei da minha visita a Guarda e Belmonte e hoje venho falar de duas terras do concelho de Seia, distrito da Guarda.

No segundo dia de férias decidimos não ir muito longe, só tínhamos a tarde para passear e o céu estava carregado de nuvens, prontas a desfazer a qualquer momento.
Decidimos portanto fazer uma visita rápida à família que mora em S.Romão, Seia, aproveitar para fazer geocaching e levar o pirata a conhecer um Quartel dos Bombeiros, sonho de a muito tempo.

São Romão fica a cerca de 45min de viagem, e muitas curvas, muitas mesmo. 
Almoço tratado, Gps na bolsa, lancheira cheia e fizemo-nos a estrada. 


Sempre que vou para aqueles lados da serra gosto de pensar que piso as mesmas terras que Viriato terá pisado. :)


São Romão (já fui tão feliz ali...) - São Romão é uma vila do concelho de Seia, considerada mesmo a mais rica do município, em recursos naturais e em termos Patrimoniais, situada na imensa Serra da Estrela, numa região de bonitas paisagens naturais, onde nasce o rio Cobrão. 
A vila tem origens bem antigas, como se pode observar nos vestígios do seu Castro bem anterior à nacionalidade, que terá dado origem ao desenvolvimento da povoação original, e o “Buraco da Moira”, um sítio arqueológico cuja ocupação remonta ao Período Calcolítico (cerca de1200 a.C.). 
São Romão chegou, inclusivamente, a ser sede de concelho no século XVIII, mas foi perdendo importância administrativa. 
A indústria de lanifícios foi, durante mais de duzentos anos, a principal fonte de subsistência da população, repartindo-se entre a actividade agrícola e hoje em dia, noutras indústrias em profuso desenvolvimento, destacando-se a produção do afamado Queijo da Serra da Estrela. 
Em São Romão vale a pena conhecer a Igreja Matriz, a Capela do Santo Cristo, o Santuário de Nossa Senhora do Desterro, de onde se avista a curiosa “Cabeça da Velha” e o interessante Museu de Arte Sacra 
A paisagem circundante é de grande beleza, como se pode avistar do alto Senhor do Calvário e Moita, com uma vista de fazer perder a respiração, ou no já referido lugar da Senhora do Desterro, nas margens do fabuloso Rio Alva, onde se situa o Museu Nacional da Electricidade e a agradável Praia Fluvial.              (texto retir de pagina do facebook)


No passado dia 21 de setembro, São Romão comemorou os 500 anos do Foral Manuelino. Segundo o meu Tio contou, aquela vila teve grande importância histórica e chegou a ser sede de concelho, mas uma noite foi "vendida" a Seia a esta passou a ser a sede. Sempre ouvi falar da rivalidade das duas terras o que achava natural pois são vizinhas, mas pelos vistos é uma rivalidade com tradição.

Não conhecia este dado histórico, nem o passado da vila de S.Romão. 
Esta comemoração despertou-me para esse facto e na próxima visita vou querer conhecer todos os locais marcantes. Já passei lá bons momentos e sempre gostei da vila mas saber destes dados tão importantes dá-me mais vontade de voltar e descobrir todo esse passado. 
Segundo a W. Viriato de 147 a 139 a. C. , fez do "Crasto" uma das suas bases estratégicas na luta contra os Romanos. ( ;) )


Depois de um lanche, com uma magnifica paisagem e um céu carregado de chuva seguimos caminho para Alvoco da Serra, aldeia pela qual já tínhamos passado, mas deixamos a visita para o retorno a casa. 

Alvoco da Serra- Freguesia portuguesa do concelho de Seia constituída por cinco localidades: Alvoco da Serra (sede da freguesia), Outeiro da Vinha, Vasco Esteves de Baixo, Vasco Esteves de Cima e Aguincho. Recebeu foral de D. Manuel I em 17 de Fevereiro de 1514, como concelho. Titulo que manteve até 1836. Passou a pertencer ao concelho de Loriga. Actualmente integram o concelho de Seia.

De Alvoco conhecia apenas as paisagens, passei vezes sem conta pela estrada, fiz geocaching nas imediações da aldeia e sempre achei uma terra muito bonita com paisagens fantásticas. A ultima visita que tinha feito, foi na altura do Outono e senti-me no paraíso. Sem exagero, adoro este lado da Serra da Estrela e nunca esquecerei essa visita. 
 

Como já referi o que conhecia de Alvoco eram algumas paisagens e a estrada, nunca tinha descido a aldeia. 
O que lá encontrei deixou-se espantada. Para além de muito bem cuidada, contem vestígios judaicos. Sei que tem vestígios românicos, mas desconhecia de todo que por aqui se tinham fixado judeus. 
Este dado vai "obrigar-me" a uma grande pesquisa e posteriormente, uma longa visita de estudo. 

(Acho que vou ter de juntar "professor de história", à minha lista de Amizades que preciso fazer, pois certamente me darão um jeitaço)  

Acho que já me estou a alongar muito, mas antes de terminar quero aconselhar toda a gente a fazer Geocaching. Parece estranho para alguns andar a procura de caixas perdidas mas se não fosse esse jogo eu nunca descobriria locais como estes que venho falando. Não conheceria a sua história, os seus locais de relevo, os habitantes e muitas nem tinha visitado. O geocaching mudou completamente o meu conceito de passear. Estou mais atenta, mais curiosa, mais culta e mais feliz. 

No caso desta aldeia, descemos à povoação para retirar alguns dados para duas multi-cache. Abençoadas, que nos mandaram depois para sítios perdidos nos montes. Terei de fazer essas caminhadas um dia destes. 

Fica o registo fotográfico.   


E uma recuperação bastante original.
Ainda pensei tratar-se de uma casa museu mas é simplesmente uma casa recuperada por um habitante com gosto na tradição. Gostei muito! 

  

Espero que tenham gostado e ficado com vontade de visitar. 
Esta zona da Serra da Estrela é muito bonita e espera pela vossa visita. Pesquisem e conheçam Loriga, a aldeia que separa esta duas que falei. É também digna de visita, riquíssima a nível histórico e paisagístico. 

Obrigado por lerem até ao fim. Acreditem que deixei muito por falar e o que conheço é mínimo. 
Em breve volto para vos falar de uma aldeia de xisto!

Beijinhos

sábado, 20 de setembro de 2014

Opinião - A Vos dos Deuses de João Aguiar

Olá.

Trago-vos um livro que li no inicio do verão e adorei. Na altura não escrevi a minha opinião, mas este livro merece que fale acerca dele. Uma história envolvente, com personagens inspiradoras e muito bem escrito por João Aguiar.


Sinopse:
A Voz dos Deuses é já um clássico do romance histórico português contemporâneo. Uma leitura apaixonante que nos dá a conhecer a história de Viriato, um dos construtores da realidade ibérica. 

Em 147 a.C., alguns milhares de guerrilheiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio. Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato. 
Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitos romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância. 
Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático. Mas, sobretudo, Viriato foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar. 
Aquando do seu aparecimento, em 1984, Fernando Assis Pacheco escreveu serem raras as estreias com tanta qualidade. Depois disso, A Voz dos Deuses, ao longo de sucessivas edições, tornou-se um "clássico" do romance histórico português contemporâneo. 
A presente edição surge pela primeira vez ilustrada, com desenhos de Vasco Lopes.

Antes de falar deste romance histórico tenho de dizer que João Aguiar me provocou logo nas primeiras páginas, destruindo parte da minha infância.
Ouvi falar de Viriato bem cedo na escola-primária. Ensinaram-me que este herói cresceu na Serra da Estrela, possivelmente para os lado de Loriga. Mais tarde lutou contra os romanos e como conhecia muito bem o terreno conseguiu ganhar várias batalhas. Fantástico!! Para uma criança como eu, criada na encosta de Serra da Estrela e a meia hora de Loriga foi uma grande descoberta. Um herói português serrano. Fiquei logo fã. Não ligava muito a história mas dizia com grande orgulho, Viriato é meu vizinho! Apesar de associado a Viseu fiquei sempre com a ideia que era serrano.
João Aguiar logo ao início do livro adverte "(...) Viriato não nasceu nos Hermínios (ou seja. a serra da Estrela)(...)". Pronto, e assim o meu herói caiu do cavalo...

A Voz dos Deuses é seguramente um dos livros que mais gostei de ler até hoje. É um romance histórico muito bem escrito, de forma simples e bonita. Consegui sentir-me naqueles cenários todos, nos templos, nos campos de batalha... Apesar de nos contar as batalhas de Viriato, não as descreve com grande pormenor, centra-se mais nas estratégias e para quem não gosta de descrições muito exaustivas é óptimo.
A história é narrado por Tongio, sacerdote no tempo do grande deus Endovélico. Tongio, por quem senti uma grande empatia desde o inicio, conta a sua história de vida; origens, infância, descobertas e a dado momento, como o seu destino cruza-se com o de Viriato, o grande herói lusitano e pesadelo dos romanos. É a partir daí que começamos a conhecer os grandes feitos deste herói.
É com estas memórias que Tongio nos transporta para aquela época, que conheço muito pouco, confesso, mas gostei muito.
O livro termina muito bem. Não sei explicar mas as ultimas páginas fizeram-me sentir uma leveza tão grande, mexeu comigo e senti-me bem.
Vou reler um dia, tenho a certeza.
No final também descobri a origem de uma expressão popular conhecida, que não fazia ideia que estava ligada à história de Viriato. Não sei se assim reza a lenda ou o autor adaptou, mas faz todo o sentido.

Este é um livro mais do que recomendado!!!

"Está ainda bem viva a memória da batalha travada nas proximidades de Tríbola. Muitos homens com quem tenho falado, ao saberem que fui um dos combatentes, olham para mim com um respeito quase religioso: sem dar por isso, passei a fazer parte de uma lenda heróica."

Seria tão mais interessante se os livros de história nos cantassem histórias assim.

Boas leituras