quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Lili de Manuel Alves

Um conto com cheirinho a canela e cacau


Um conto doce como o cacau

Sinopse: Lili acabara mesmo de mudar de casa. Novamente. Era a segunda vez, em menos de um mês, que os pais encaixotavam tudo para voltarem a desencaixotar. Na primeira casa, ficaram quase duas semanas, e Lili já começava a conhecer todos os cantos secretos. Só lhe faltava explorar a cave. Mas voltaram a encaixotar tudo dois dias depois de a mãe ter começado a escrever o livro novo. Durante duas noites seguidas, Lili acordou a gritar com um pesadelo horrível. Sonhou com um homem alto muito baixo que tinha tanto de gordo como de magro. Lili chamou-lhe o Homem Que Muda. No pesadelo, aparecia-lhe cego, mas olhava-a nos olhos. Era mudo, mas falava. Dizia sempre a mesma coisa: não desças à cave.




 Este foi um livro que me deixou muito bem disposta. Ainda me cheira a cacau...
 Gostei da história, há ali muita imaginação. 

 "Sonhou com um homem alto muito baixo que tinha tanto de gordo como de magro. Lili chamou-lhe o Homem Que Muda. No pesadelo, aparecia-lhe cego, mas olhava-a nos olhos. Era mudo, mas falava."

 Eu adorei isto no conto, punha a minha imaginação a funcionar e levava-me para dentro da mente de Lili.

Também gostei muito das ilustrações, fizeram lembrar alguns livros que tive. 

 Como diria a Lili; talvez não seja um livro para crianças, eu li e gostei, e já não sou uma criança. 

 Já o Diogo, é uma criança com medo de tudo. Vai demorar até chegar a fase Allan Poe.

 Esta foi uma sugestão de uma amiga e fiquei curiosa para ler mais contos do Manuel Alves. Quem sabe brevemente.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

O primo Bazilio de Eça de Queiroz

Sinopse
O Primo Basílio, um romance de costumes publicado pela primeira vez em 1878, satiriza a moralidade de uma família burguesa da época.

Jorge e Luísa são o típico casal burguês da classe média lisboeta. Para a sua felicidade estar completa, esperam apenas um filho. Mas este equilíbrio familiar fica em risco com a partida de Jorge para o Alentejo, onde irá ficar durante longas semanas. É então que Luísa, aborrecida e sozinha em casa, recebe a visita do seu primo Basílio, que lhe fizera a corte antes de partir para o Brasil e enriquecer. Basílio tece uma malha em volta de Luísa, arrastando-a para o adultério numa história de chantagem, imoralidade e tragédia.





Que novela chata!!


Eu li uma versão e-book, mas era capaz de comprar esta edição para completar a colecção. Apenas isso, pois não vou voltar a ler este livro de certeza. 

Este é a terceiro obra que leio do Eça e ao contrário dos outros, eu não gostei nada. No entanto, li até ao fim pois estava com esperança que ia melhorar e curiosa para saber como ia acabar a história. Mas, garanto que se fosse o meu primeiro livro do Eça, desistia ao fim de 50 paginas.

Não me identifiquei com nenhuma personagem, nem me entusiasmei com a trama, nada... (li descrições na diagonal... :/ ) 

Eu consegui perceber a intenção do Eça ao escrever o romance, o que cada personagem representava... mas não me envolvi e estava desejosa para terminar de ler, eu não queria abandonar o livro. Pelo autor.

A versão que li tem no fim uma carta que ele escreve a Teófilo Braga, não sei se pertence a obra ou se juntaram neste e-book para ajudar o leitor a analisar a obra. Achei muito interessante e tem informações que me tinham escapado. 
Não vou deixar de ler os seus livros, pelo contrário, tenho mais curiosidade ainda. Era sem dúvida um critico, um grande observador e sabia muito bem fazer passar a sua mensagem. Só não me chateei com o Eça porque há um pormenor na história que me agradou. Por momentos achei que ia haver sangue, mas houve bom senso e a carta também me animou (senti o Eça pedir.me perdão, as suas intenções eram as melhores =] ).


"(...)mas eu não ataco a família — ataco a família lisboeta — a família lisboeta produto do namoro, reunião desagradável de egoísmos que se contradizem, e mais tarde ou mais cedo centro de bambochata. No Primo Basílio que apresenta, sobretudo, um pequeno quadro doméstico, extremamente familiar a quem conhece bem a burguesia de Lisboa; — a senhora sentimental, mal-educada, nem espiritual (porque cristianismo já a não tem; sanção moral da justiça, não sabe a que isso é), arrasada de romance, lírica, sobreexcitada no temperamento pela ociosidade e pelo mesmo fim do casamento peninsular que é ordinariamente a luxúria, nervosa pela falta de exercício e disciplina moral, etc., etc. — enfim a burguesinha da Baixa; por outro lado o amante — um maroto, sem paixão nem a justificação da sua tirania, que a que pretende é a vaidadezinha de uma aventura, e a amor grátis; do outro lado a criada, em revolta secreta contra a sua condição, ávida de desforra; por outro lado a sociedade que cerca estes personagens — a formalismo oficial (Acácio), a beatice parva de temperamento irritado (D. Felicidade), a literaturinha acéfala (Ernestinho), o descontentamento azedo, e o tédio de profissão (Julião) e às vezes quando calha, um pobre bom rapaz (Sebastião). Um grupo social, em Lisboa, compõe-se, com pequenas modificações, destes elementos dominantes. Eu conheço vinte grupos assim formados. Uma sociedade sobre estas falsas bases, não está na verdade: atacá-las é um dever. E neste ponto o Primo Basílio não está inteiramente fora da arte revolucionária, creio. Amaro é um empecilho, mas os Acácios, os Emestos, os Saavedras, os Basílios são formidáveis empecilhos; são uma bem bonita causa de anarquia na meia da transformação moderna (...)"
                                                                              
                                                                                               Carta a Teófilo Braga 
Alguém já leu? Sentiram o mesmo?

Bom fim de semana e boas leituras.








domingo, 16 de fevereiro de 2014

A melhor versão de sempre da " SENHORA DO ALMORTÃO" - guitarra e voz

Sei que os mais conservadores poderão  não gostar, pois uma "Senhora do Almortão" sem adufes parece quase heresia. Mas eu gosto, acho fantástica e tenho vontade de interpretá-la assim.

A minha tarde de domingo vai ser assim: com "A música portuguesa a gostar dela própria"




Espero que gostem tanto como eu. Gosto bastante destas versões da musica popular, mas também uma defensora dos costumes e do original. Hoje estou numa onda mais modernas outro dia volto para falar de umas modinhas.

Podem também aceder a pagina do facebook d'A música portuguesa a gostar dela própria em :


Bom domingo!



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Para terminar o dia: Blue Jasmine de Woody Allen

Sinopse: Depois de tudo na sua vida se ter desmoronado, incluindo o casamento com Hal, um rico homem de negócios, a elegante Jasmine, uma mulher habituada à vida social de Nova Iorque, muda-se para o modesto apartamento da irmã Ginger, em São Francisco, para se tentar recompor de novo. Jasmine chega a São Francisco num estado mental frágil, a sua cabeça num rolo, devido ao cocktail de anti-depressivos que anda a tomar. Apesar de ainda conseguir projectar a sua postura aristocrática, Jasmine está mentalmente débil e falta-lhe qualquer capacidade prática de cuidar de si própria. E desaprova o namorado da irmã, Chili, que considera um falhado, como o ex-marido dela, Augie. Ginger, reconhecendo mas não compreendendo totalmente a instabilidade psicológica da irmã, sugere-lhe que trabalhe em design de interiores, uma carreira que correctamente intui que Jasmine não considere indigna do seu estatuto. Entretanto, Jasmine aceita com relutância um emprego como recepcionista num dentista, onde sem o desejar atrai as atenções do patrão, o Dr. Flicker. Sentindo que a irmã pode ter razão em relação ao seu terrível gosto em relação aos homens, Ginger começa a sair com Al, um engenheiro de som que considera um degrau acima de Chili. E Jasmine vislumbra uma potencial hipótese de vida quando conhece Dwight, um diplomata que é imediatamente seduzido pela sua beleza, sofisticação e estilo. O problema de Jasmine é que funciona em função da maneira como é vista pelos outros, enquanto que ela própria está cega em relação ao que se passa à sua volta. Delicadamente interpretada por uma muito real Cate Blanchett, Jasmine conquista a nossa compaixão porque se torna um inconsciente instrumento da sua própria queda.

Acho que nunca falei aqui de cinema. Não é de estranhar pois confesso que não sou grande cinéfila. Vejo um filme de vez em quando, porque está a dar na Tv e me chama a atenção ou quando o meu filho insiste que o filme só tem piada quando estou com ele no sofá. Isso faz de mim conhecedora de animações infantis mas não me da conhecimento para me por aqui a falar de cinema. 

Eu tenho alguma dificuldade em concentrar-me durante muito tempo e quando decido escolher um filme para ver acabo por decidir ver uma série qualquer, apenas por demorar menos tempo.
Grande desculpa...

Mas quero mudar isso! Ter a calma de escolher um filme, sentar-me confortavelmente no sofá, parar um pouco, sem pensar em nada e desfrutar do filme. Deixar um pouco as comédias, as animações e convencer o Diogo a ver outro género de filmes ( tal como eu prefiro ver na companhia dele). 

A escolha de hoje é esta. Sem qualquer razão, gostei do nome e  Woody Allen... esse nome conheço =)

Tenho de estudar muito ainda!!! E a vida é mesmo isto e nunca é tarde para sair a descoberta, ainda que seja confortavelmente no sofá.

Boa noite 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Correios de Bukowski - mais um para a minha wishlist

Sinopse:

Correios, o primeiro romance de Bukowski, é baseado na sua experiência como empregado dos Serviços Postais dos Estados Unidos ao longo de uma década, e foi publicado num momento em que o seu nome ascendia ao plano do reconhecimento literário universal. 
Ponto de partida ideal para qualquer leitor que se queira iniciar na prolífica obra de Bukowski, encontramos em Correios as qualidades dos seus restantes trabalhos. Repleto de cenas hilariantes, este romance é também um retrato fiel das frustrações de um funcionário público sofredor. 
As suas personagens, entre a ficção e a realidade, captam a essência e a universalidade do ser humano e nós, leitores, continuaremos a topar, em Bukowski, com bebedeiras, mulheres, zaragatas, eventuais rebates de consciência, enfim, com os trambolhões da vida.


Nunca li nada de Bukowski, mas pelo pouco que conheço do autor ( que se resume a frases, wikipedia e alguns comentários aos livros) acho que vou gostar. Estou muito curiosa e este é apenas um dos livros que penso comprar.




Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 1920, mas cresceu em Los Angeles, onde viveu durante cinquenta anos. Publicou o seu primeiro conto em 1944, quando tinha vinte e quatro anos, e começou a escrever poesia com trinta e cinco anos. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance, Pulp. Viu publicados mais de quarenta e cinco livros de prosa e poesia, incluindo os romances Post Office (1971), Factotum(1975), Women (1978), Ham on Rye (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). É um dos autores americanos contemporâneos mais conhecidos a nível mundial e, possivelmente, o poeta americano mais influente e imitado de sempre.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

ATÉ AO FIM DO MUNDO de Maria Semple


Ola! 

Hoje venho falar-vos de um livro que eu devorei.


Sinopse: A fama de Bernadette Fox precede-a.

No círculo restrito e elitista do design mundial, ela é uma arquiteta revolucionária.
Para o marido, um guru da Microsoft, ela é a prodigiosa e atormentada paixão da sua vida.
Segundo os vizinhos e conhecidos, ela representa uma afronta e uma ameaça.
Mas aos olhos da filha, Bee, ela é, simplesmente, a Mãe.
E um dia Bernadette desaparece. Quando todos parecem reagir à sua ausência com diversos graus de alívio, Bee é a única disposta a tudo para a encontrar. Mas a instável e agorafóbica Bernadette não quer ser encontrada e tem meios e inteligência suficientes para se manter incógnita… mesmo que para tal tenha de encetar uma impossível viagem ao fim do mundo.
Neste retrato de uma mulher pouco convencional, a autora explora a fragilidade e a inadequação das mentes criativas face à voracidade uniformizadora do mundo moderno. A incómoda Bernadette e a sua família disfuncional são paradigmas das relações humanas do século XXI.

Bem... eu já tinha ouvido falar muito bem deste livro e estava desejosa para ler. As criticas eram boas e a elas junta-se a minha.
É realmente um livro muito bom, divertido, bem escrito, com personagens de personalidade forte e que se lê facilmente.
O melhor deste livro é que não está escrito da forma mais comum. Em vez de um narrador que conta a história ao longo do livro, temos uma série de e-mails, cartas, faxes e documentos trocados entre as personagens; e é o narrador, a Bee, filha de Bernadette, que vai fazendo ponte entre eles. É através destes textos que vamos conhecer a história de Bernadette Fox, da sua família e das pessoas que estão a sua volta. 
Que inteligência de Maria Semple para escrever um livro assim. 

Bernadette Fox é uma mulher excêntrica, anti-social e com alguns traumas por resolver. 
Com ideias, megalómanas, chegou a receber um prémio de arquitectura, de  grande valor, mas acabou por ir parar a Seatle. Odiada pelas "melgas", sem paciência para estar com outras pessoas, Bernadette decide contratar uma secretária virtual na Índia, para resolver os seus problemas, mas a sua ideia louca acaba por correr mal, com FBI a mistura. 
Casada com Elgin, prestigiado guru da Microsoft e mãe de Bee, uma menina sobredotada e que após o desaparecimento misterioso da mãe não desiste de procurá-la, nem que para isso tenha de viajar até ao fim do mundo.

No meio desta aventura temos uma critica as famílias ditas "perfeitas", conversas e episódios que nos fazem rir e reflectir ao mesmo tempo.

Até ao fim do mundo é diversão garantida e recomendo!

Já alguém leu? 

Beijinho e boas leituras =)


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Então eu li o crime do padre amaro de eça de queiroz

Sinopse:Com base nas edições críticas publicadas pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda sob a coordenação do Professor Carlos Reis, a Presença dá a conhecer ao público em geral o texto que corresponde à última vontade do autor fixado em edição corrente. A partir deste critério foram já publicados O Mandarim, A Capital , Alves e Cª e A Ilustre Casa de Ramires.


Publicado pela primeira vez em 1875 nos fascículos da Revista Ocidental, O Crime do Padre Amaro apresentou três versões definitivas, sendo a última a que serviu de base a esta edição. Agora o leitor tem a confiança de ler a versão definitiva de Eça de Queirós, atentamente revista e rigorosamente fixada ao alcance do vastíssimo público que aprecia Eça. Narrado na terceira pessoa, a acção decorre em Leiria, local onde o padre amaro, jovem protagonista do romance, conhece Amélia, pela qual se enamora, iniciando um relacionamento proibido, longe dos olhares da Igreja. Na realidade, Amaro não se preocupava com a reprovação de outros elementos do clero, que à sua semelhança, mantinham relações conjugais. Este é pois um retrato corrosivo sobre o celibato do clero, uma denúncia ao provincianismo, à superficialidade profissional, ao vazio interior dos padres e ao culto das falsas aparências. Uma edição corrente, sem aparato crítico, de grande qualidade, de um dos maiores romancistas de sempre.


Esta é uma edição que podem comprar no wook. Mas esta obra é domínio publico e facilmente encontramos um e-book, foi uma dessas versões que eu li.

"O crime do padre Amaro" conta-nos a história de Amaro, um jovem padre que vai morar para Leiria e que acaba por se envolver com a filha da dona da pensão onde ao inicio se instala, Amélia.
Amaro e Amélia apaixonam-se e isso vai despertar em João Eduardo, pretendente de Amélia, ciumes e ódio. Já desconfiado do caso, conta tudo num jornal. Esta atitude acaba por unir mais os apaixonados e Amélia rompe o namoro com João entregando-se ao amor.
Como tudo na vida ao inicio corre lindamente, mas acaba por se tornar um pesadelo e este pecado vai ter consequências trágicas.
Eça descreve este amor proibido meticulosamente, o dia a dia, os encontros,os delírios e pensamentos mais perversos.. 

O romance, tem como pano de fundo uma sociedade muito beata e conservadora. Mais do que uma história de amor, é uma reflexão a sociedade em si, aos costumes políticos e principalmente religiosos. 
Hipocrisia, mentira, luxuria, traição...
É uma grande obra, com personagem complexas, numa escrita genial, irónica. 
Para além do carácter do clero retrata outros temas polémicos, como o celibato dos padres, a gravidez indesejada, a beatice, o materialismo disfarçado, o abuso de poder e impunidade.

Mais uma vez o Eça de Queiroz me surpreendeu, conseguiu fazer sentir: 
  • Riso, certas descrições, personagens (Libaninho), diálogos cheios de ironia normalmente envolvendo beatas
  • Choque, mudança no comportamento de Amaro, encontros na caso do sineiro ignorando o mal que estavam a causar a uma pobre criatura, o fim de Amélia, o crime 
  • Confusão, O ultimo capítulo... Acabei o penúltimo e ainda estava chocada e triste, de repente muda o cenário e andei ali meio perdida, indignada com o Eça
  • Espanto, surpresa, esta obra está repleta de momentos assim, mas quero falar principalmente do final, ao longo do livro fui mudando de opinião e confesso que estava a espera daquele fim da Amélia e do padre Amaro, mas o que me surpreendeu foi o desfecho do livro em si. Eça no seu melhor, a ironia, o sarcasmo, a critica social. 
O final pode desiludir algumas pessoas, mas eu achei fantástico. 
O que aposto que todos os leitores vão sentir é uma sensação de impunidade.

Queria dizer tanto a cerca deste livro mas não quero revelar muito da história. Mas se alguém quiser podemos debater outros temas do livro.

Agora tenho a certeza que quero continuar a ler Eça de Queirós, que mente brilhante!! 
Começo a achar que gostos destes livros por uma questão antropológica, não sei, mas tanto "Os Maias" como "O crime do padre Amaro" me prenderam pela complexidade das personagens e pelo meio que as rodeia. 




" Tudo se ilude e se evita, menos o amor."

(…) e pensando em João Eduardo e Amélia; lamentava não poder acender as fogueiras da inquisição! – Assim aquele inofensivo moço tinha durante horas, sob a excitação colérica duma paixão contrariada, ambições grandiosas de tirania católica: - porque todo o padre, o mais boçal, tem um momento em que é penetrado pelo espírito da Igreja ou nos seus lances de renunciamento místico ou nas suas ambições de dominação universal: todo o subdiácono se julga uma hora capaz de ser santo ou ser papa: (…)