Quem se identifica? Já dizia a outra, " Dormir é para os fracos" , mas que faz muita falta, faz!!
Definitivamente eu tenho um problema grave com o sono!!
Um dos maiores prazeres que tenho é dormir, sem duvida...
E se for uma sesta a tarde?
E num dia chuvoso com este?
Tão bom!! Hoje já desfrutei desse belo prazer que os espanhóis tanto estimam :)
Confesso que acordei a pensar porque de noite não tenho esta vontade de dormir, aliás por vezes tenho mas não quero, há sempre algo melhor para fazer.. É mesmo uma guerra todas as noites, dai o nome do blogue "A GUERRA DOS SONOS", trocadilho que costumava fazer com um amigo que também dormia pouco para ver a série A Guerra dos Tronos.
Deitar tarde é um hábito que já vem do tempo de escola e depois de ter computador em casa então a vontade de deitar ainda diminuiu mais. Apesar da minha vida agora ser completamente diferente, com o trabalho e o filho, nada mudou.. aliás piorou!! Por norma só a partir das 22:00 é que começa o tempo só para mim entre livros ( comecei a ler diariamente só a cerca de um ano), séries, facebook ( essencial para manter contactos e saber novidades :o) ) e pesquisas na net ( estudos pessoais como lhe chamo, neste momento ando a tentar aprender ingulês) quando dou conta já é muito tarde e acabo sempre por me deitar por volta da 02:00.
Bom, isto não é exemplo para ninguém, mas acredito que é o que a maioria faz!! Digo eu...
Hoje estou em modo Clarice Lispector. Eu não consigo defini-la, apenas sei que para a entender tenho de me tornar ela, ou deixar que ela tome parte de mim e enquanto leio, falo por ela e ela por mim. Ela merece que fale dela, mas quando começo sinto sempre que não estou preparada... Não quero deixa-la mal.
Fica aqui um pouco de Clarice!!
Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
- Ela é burrinha, comentou o menino.
- Sei disso, respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.
Demorei muito tempo mas foi mesmo por falta de tempo. O livro não é chato, ( vá talvez as cartas de Egéria a Prisciliano sejam um pouquinho!), gostei muito de ler. Tive algum problema em decorar personagens e locais porque são muitos e com nomes muito estranhos e parecidos. O livro contém uma lista de toponimos romanos, para locais e rios e um mapa do império romano... só falta a lista de personagens isso ia ajudar-me muito. Volta e meia voltava para trás para saber onde apareciam e quem eram, talvez ande desconcentrada... para a próxima já sei, auxiliares de memória, apontamentos... eu não posso é perder-me assim.
Este foi o escolhido para falar no Jornal da Banda, espero que gostem!!
******************************************
Toda gente conhece os caminhos de Santiago, Santiago de Compostela, local de culto que leva milhares de peregrinos todos os meses. Local onde supostamente está o túmulo de Santiago Maior (São Tiago ou Tiago Zebedeu), um dos apóstolos de Jesus Cristo.
Supostamente...?
Reza a lenda que o corpo de Santiago, que viveu e morreu em Jerusalém, foi transladado para Aseconia (agora Compostela), por vontade de Deus. O seu corpo foi transportado até as praias galegas numa barca de pedra guiada por anjos. O seu suposto túmulo foi descoberto oito séculos depois da sua morte.
E se o tumulo não pertence a São Tiago? E se esta é uma história para encobrir uma das muitas histórias que envergonham a igreja católica? E se o túmulo pertence a um bispo, aclamado santo pelo povo e odiado por alguns homem da igreja, que detendo o poder, o silenciaram com a sua morte?
Este mês trago-vos a história de Prisciliano, com “O Segredo de Compostela” de Alberto S. Santos.
Sinopse:
O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.
Mas e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.
Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.
Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?
Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?
Prisciliano, personagem histórica do sec.IV. Terá nascido pagão, numa rica família da aristocracia romana, mas sentiu um apelo pelas inquietações místico-filosóficas do tempo, que o levaram a converter-se à mensagem cristã e ao ascetismo. Líder carismático convocava a vivência do cristianismo primitivo, despojado de luxos apenas em comunhão com Deus a maneira de Cristo. Muito a frente do seu tempo, defendia a igualdade entre homens e mulheres, ensinando a estas as sagradas escrituras e incentivando-as também a transmitir a mensagem. Defendia também a abolição da escravatura sugerindo que os homens eram todos iguais, tendo assim os mesmos direitos.
Como era de esperar, tal não agradou aos grandes senhores da igreja, que na altura viviam dos luxos que o cargo lhes permitia.
Não estava sozinho na sua causa, tinha os seus amigos que o acompanhavam, o povo que o seguia e admirava e a sua amada Egéria, amiga de infância, com quem vai viver um romance arrebatador, muito especial como o verdadeiro amor deve ser vivido.
Este livro foi escrito por Alberto S. Santos, nascido a 6 de março de 1967. Natural de Paço de Sousa, Penafiel, onde reside. O Segredo de Compostela é o seu terceiro romance, seguindo-se aos bestsellers A Escrava de Córdova (2008) e A Profecia de Istambul (2010). É advogado e político, e há mais de dez anos Presidente da Câmara Municipal de Penafiel. É escritor deste 2008.
Eu tinha tanto a dizer sobre este livro e esta personagem que adorei conhecer. Gosto muito de romances históricos, levam-me a pesquisar sobre as personagens, a verdade dos factos, a estudar a época. Neste caso a história leva-nos até ao séc.IV, com todas as mudanças da sociedade romana em final de civilização e a cristianização do Império.
Ao contrário do que pode parecer, e fui surpreendida com isso, este não é polémico, acho que relata apenas a verdade sobre a igreja daquele tempo, depois do cristianismo se ter tornado religião oficial do império e terem deixado de ser perseguidos. Estes tornaram-se perseguidores, condenando pagãos, proibindo seus cultos e obrigando o povo a viver a religião com as regras que ditavam. Prisciliano incomodava por ter ideias contraria a estas, foi silenciado e condenado a morte, por outros bispos, facto que envergonha a igreja e tentou fazer esquecer. É a sua biografia.
Aconselho toda a gente a ler e acredito que o leitor sendo cristão não se vai sentir incomodado, acredito antes que Prisciliano o vai inspirar na sua fé. O resto são histórias como toda gente sabe…
“(…) Queremos viver a fé como os primeiros cristãos, pela via carismática e kerigmática. A nossa ideia não é fundar comunidades ou grupos submetidos a regras ou hierarquias. Antes, e apenas, aproximarmo-nos do Deus dos primeiros cristãos que O seguiam, quando foi homem e imbuídos da sua fé…”
Olá! Depois de alguns dias de abandono do blogue estou de volta.
As ultimas semanas foram muito agitadas, com a festa da aldeia e uma fuga até a praia, não tive tempo para estar no computador, nem ler. Foi tempo de aproveitar os últimos dias de verão.
Não li quase nada nas ultimas semanas. Estou a ler aos poucos O segredo de Compostela e li no telemóvel Noites brancas de Fiódor Dostoiévski. (assim que possa falo dele).Li este livro na aplicação wattpad. Não é das melhores, mas já vai dando para entreter nas horas vagas. É certo que ler no telemóvel é cansativo mas nas listas de espera ou enquanto espero sozinha por alguém dá sempre jeito. Foi nesta aplicação que descobri o "A culpa é das estrelas" de John Green, que acabei por comprar depois em livro. Normalmente os e-books estão em português do Brasil. E como qualquer pessoa pode fazer upload de um livro não é 100% fiável, mas a falta de melhor eu não me importo de usá-la, quando gosto mesmo muito de um livro acabo por comprar. Mas hoje quero falar das minhas férias e como 4 dias na Figueira da Foz foram tão bons. A ideia de sair surgiu do nada, numa brincadeira, em conversa com os meus irmãos alguém disse "vamos até a praia"... a brincadeira tornou-se séria e como conhecia uma casa na figueira e não ficava muito longe em meia dúzia de dias tratamos de tudo para ir. A ideia era mesmo descansar e apanhar muito sol, uma das primeiras "regras" que tentei impor era não fazer Geocachig, para aproveitar a praia e não nos preocuparmos só com isso. Mas é completamente impossível :). Geocaching é um vicio e não dá para ir a lugar algum sem levar o gps e procurar "tesouros". Se há por aí alguém que também faça, manifeste-se :)!!! A uns tempos até chegamos a criar um blog para falar das nossas aventuras e partilhar fotos, mas o entusiasmo durou pouco, talvez a preguiça de escrever... paramos no festejo da cache nº50. Neste momento temos 215. A nossa 200ª cache foi feita a caminho da Figueira, sinto-me muito feliz por ter logo sido uma dedicada a Inês de Castro e ainda por cima é muito original, o meu filho adorou encontra-la. Nos 4 dias fizemos quase 20 caches, podiam ter sido mais, mas não quisemos ocupar o tempo todo com isso. Decidimos apenas procurar as que estavam nos locais onde passávamos e não demorar muito tempo na busca. Mesmo assim para quem não queria fazer acho que 20 já é uma boa marca.
Durante os a nossa estadia na Figueira fomos a quatro praias diferentes, duas na Figueira, Relógio e uma pequena na foz do rio mas não gostamos muito e duas do outro lado da ponte, praias do Cabedelo. Essas já gostamos mais, mais limpas e seguras para o meu filho, pois para ele era uma estreia no mar.
Figueira da Foz é uma cidade óptima para passear, nada a ver com a Covilhã. Não comparo beleza pois a minha cidade também tem os seus encantos, falo nas ruas planas, podemos andar mais de uma hora a passear que não é cansativo e aquela cidade está repleta de jardins e zonas de interesse. Normalmente era nos nossos passeios nocturnos que fazíamos geocaching. Algo que também me sabia muito bem era passear de manha junto a marina, tomar o café numa esplanada e ficar ali a contemplar a paisagem e sentir-me aliviada da rotina.
No caminho do mercado para a nossa casa passávamos sempre por uma livraria que tinha uma feira do livro, eu olhava a montra e resistia ( este mês estava decidida a não gastar dinheiro em livros e ler os que tenho), tanto passei por lá que numa manhã entrei e só sai de lá depois de fazer compras. Não conheço nenhum mas pediram-me para serem adoptados e eu não fui capaz de resistir... gostei deles e espero que me surpreendam.
Na viagem de regresso decidimos passar pela Serra da Boa viagem, para almoçar e conhecer, ainda que só de vista, o parque aventura. Malas prontas, almoço feito, entregamos as chaves e fizemo-nos a estrada. Tenho de lá voltar, que vista fantástica e tem tanto para conhecer. Graças ao geocaching ficamos a saber que tem grutas, vários parques de lazer, zonas de interesse histórico, recantos fantásticos onde se respira natureza, nascentes com esta...
... imagino que a qualquer altura vão sair de lá os 7 anões ou mesmo o coelho da história da Alice. Ficamos apenas 4 horas, souberam a pouco e ficamos de voltar, há muito para explorar por ali.
Foram umas férias pequenas mas que souberam pela vida e na companhia de quem se gosta melhor!! Para o ano há mais, na Figueira da Foz ou em outro lugar por ai.
Espero que as vossas férias também tenham sido tão boas com as minhas, se fazem geocaching manifestem-se, se conhecem a Figueira e disse algo errado avisem e se já leram os livros que comprei, sem me contar pormenores digam se fiz ou não uma boa escolha! :)
Olá! Espero já ter convencido algum leitor do Jornal da Banda e ler um livro. Tenho escolhido livros pequenos, com histórias do dia-a-dia e este mês decidi continuar com as leituras "soft" ... Acho que vou deixar os clássicos e os "calhamaços" para o inverno!!
Este mês escolhi o livro A minha história com Bob, de James Bowen. É uma história simples, com uma narrativa muito acessível e não precisa da concentração de um clássico ou um livro mais complicado.
Sinopse:
Quando James Bowen encontra um gato alaranjado no prédio onde vive, não faz ideia do quanto a sua vida irá mudar. Lutando por sobreviver como músico de rua na cidade de Londres, a última coisa de que precisa é um animal de estimação. No entanto, incapaz de resistir ao animal doente, acolhe-o em sua casa. Quando Bob recupera a saúde, James deixa-o à porta do prédio, imaginando que nunca mais o voltará a ver. Todavia, Bob tinha outros planos. Dentro de pouco tempo, os dois tornam-se inseparáveis e as muitas aventuras que irão viver transformarão para sempre as suas vidas, curando lentamente as cicatrizes do passado atribulado de ambos. Esta é a história de uma amizade improvável e de como um gato vadio irá ajudar um homem a recuperar a sua autoestima e dar-lhe uma nova esperança quando o resto do mundo lhe parecia ter fechado as portas.
Ao contrário do que estava a espera a historia do Bob e o próprio gato não me entusiasmaram muito. Foi a transformação da vida de James a forma como ele a conta que me levou a gostar do livro... entrei na mente do James e o Bob sempre foi personagem secundária para mim.
Este livro levou-me a reflectir um pouco sobre a importância que damos aos outros. O mundo da toxicodependência, dos sem-abrigo, pedintes, pessoas sem rumo, sem esperança.. Há quem queira mudar, mas a nossa atitude é quase sempre negativa e por vezes é o nosso desprezo e preconceito que não os deixa dar a volta a situação... gosto que ler histórias reais de sucesso e sinto sempre alguma simpatia por estas pessoas que dão a volta a sua vida. ( Acho que ando muito sensível :) )
Opinião no Jornal...
O livro:
Este é um livro que fala de oportunidades, de mudança, de esperança. James encontra Bob ferido e decide cuidar dele. Bob acaba por mudar completamente a vida de James. O seu mundo que até ai tinha sido a preto e branco começa aos poucos a ganhar cor. Não posso contar o que se passou concretamente, pois assim ia estragar a história e revelar tudo, mas posso adiantar que a relação dos dois é muito ternurenta, o amor e dedicação que James revela por Bob é enternecedora e quando ele fala das proezas do seu novo amigo dá mesmo vontade de querer um gatinho também.
Depois tem um lado mais sério, ele fala do seu percurso de vida, como se tornou sem abrigo e toxicodependente. Mostra-nos como é difícil o mundo da rua e como é complicado dar a volta a situação e lidar com o desprezo e preconceito de quem se cruza com ele. Confesso que dei por mim a refletir sobre isso. Sobre a dignidade humana. Como somos injustos com algumas pessoas, que no fundo só querem mudar e nós só atrapalhamos… essas são as lições!
Todos nós temos direito a uma segunda oportunidade e James descobriu a sua com Bob.
“ A princípio fora um choque, mas já me tinha começado a adaptar a isso. Na verdade, agradava-me. Sabia que parecia uma tolice para muita gente, mas pela primeira vez na vida tinha uma ideia do que era cuidar de uma criança. Bob era o meu bebé e certificar-me que ele estava quente, bem alimentado e em segurança era muito gratificante. E também assustador. “
FoxTroté uma tira de banda desenhada criada em 1988 pelo cartoonista americano Bill Amend.
Nos Estados Unidos as tiras começaram a ser publicadas diariamente num jornal e mais tarde em livros. Em Portugal os livros começaram a ser lançados pela Gradiva Publicações em 1998.
O meu irmão na altura foi comprando a colecção e até eu me rendi a esta família. Muito ri a conta deles.
A Família Fox é uma típica família americana, a mãe Andy, o pai Roger, o filho mais velho Peter, a filha Paige e o filho mais novo ( a minha personagem favorita) Jason. Não posso deixar para trás a iguana Quincy, do Jason.
Acho que quem tem irmãos se vai rever algumas vezes nas peripécias desta família. Jason Fox é o marrão da família, cheio de sentido de humor, tem um amigo assim como ele e passam a vida a conspirar e a fazer novas invenções. Um dos seus passatempos favoritos é chatear a irmã, só para se rir um pouco... é muito bom :)
Já a algum tempo que não leio estes livros e quem me pediu para falar deles foi o meu filho. Como era de esperar também gostou desta família, principalmente do Jason e da sua iguana. Quem não gosta nada de Quincy é a Paige que passa a vida a assustar-se e a fugir dela.
Apresento a tira que o conquistou... acho que ele também pensou o mesmo que o Jason..
São muitas as histórias que podia falar. Para além do dia a dia da família a BD acompanha a actualidade e de vez em quando aparecem por lá algumas personagens ou cenas de filmes, normalmente estes por imaginação ou invenções do Jason.
Pelo que me apercebo estes livros não são muito populares em Portugal mas é a colecção que qualquer adolescente ( e não só) bem disposto devia ler. Recomendo.
Podem comprar os livros on-line, talvez essa seja a forma mais fácil ou então acompanhar no sitehttp://www.foxtrot.com.
"Pequeno aparte"
Os livros de banda desenhada são um grande incentivo para as crianças começarem a ter gosto em ler. Pelo menos com o meu filho funcionou. No inicio duvido que ele se concentrasse e entendesse as piadas, algumas vezes ele pedia para eu explicar ou ler para ele mas assim que entendeu como se lia não largou mais estes livros. O primeiro livro que ele leu foi um do Dragon Ball, provavelmente entendia a história pelos desenhos mas era uma delicia vê-lo andar para todo o lado com o livro. Ofereçam livros as vossas crianças, elas gostam e só lhes faz bem, alimenta a imaginação e a personalidades delas.
Porque hoje estou nostálgica porque hoje penso em ti, em vós, em mim, em nós e em tudo, em nada... porque sinto falta do que tive e do que não vivi, do que vivi sem ter... porque tudo o que amei me encheu a alma de vida e de vazios... vazios que ocupam lugar na memória que o relógio não faz esquecer... nada pode fazer esquecer o que o tempo nos levou... levou e trouxe em saudade... saudade que quando já não doí, traz sorrisos e amor... amor que ocupa, que enche e preenche... amor que não vai, fica comigo... para sempre
Até de ti Clarice, tenho saudade... sem te conhecer direito, já me tocaste com a tua alma.. tu entendes-me tão bem, descreves os meus pensamentos quando não sou capaz.. tens sempre resposta para mim...
Saudades
"Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades Em japonês, em russo, em italiano, em inglês... mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes... seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência..."Clarice Lispector